Etiqueta: Fotografia convencional

A rainha do contraste

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Os leitores recordar-se-ão que dois dos últimos textos que escrevi tiveram por assunto uma película que experimentei. Essa película é a Rollei Retro 80S, e é sobre ela que vou escrever hoje.

Eu já expus muitos rolos de películas para preto-e-branco, desde as mais humildes Agfa APX e Fomapan até às sumptuárias Ilford FP4 ou Kodak T-Max 400. Pensava que, depois de ter aprendido as diferenças entre grão cúbico e tabular e de ter experimentado diferentes características de contraste e acutância, nenhuma película que viesse a usar me surpreenderia ou traria algo que não estivesse presente numa das muitas que já usei.

Enganei-me. Pensei que já tinha visto tudo, mas estava errado. A Rollei Retro surpreendeu-me e – desfaço aqui deliberadamente o suspense – considero-a tão boa que pode vir a tornar-se na minha favorita, ou pelo menos numa delas.

O que tem a Retro 80 que outras películas para preto-e-branco não têm? Numa palavra: um contraste de chorar por mais. As Ilford têm muito contraste, mas esta Rollei tem mais. E eu gosto de muito contraste.

Há cinco anos, dei aqui conta da morte do fotógrafo norte-americano Ray K. Metzker; se bem que Metzker seja praticamente um anónimo, a não ser para o entusiasta que gosta de aprofundar os seus conhecimentos, muitas das fotografias dele intrigaram-me por terem uma qualidade gráfica única e profundamente original. Estas fotografias de Ray Metzker eram o preto-e-branco na sua expressão mais literal: tudo preto e branco (reparem na ausência de hífens), sem praticamente nenhum tom de cinzento.

Pois bem: se é certo que ver estas fotografias teve o efeito de me fazer expor deliberadamente para as altas luzes, nenhuma película me tinha dado um contraste tão intenso e espectacular como esta. A Rollei dá-me um contraste idêntico ao das fotografias de Metzker, o que é absolutamente fantástico.

Notem que eu apenas vivo a fotografia de película pela metade: falta-me a revelação. Porque não domino esta parte do processo fotográfico, as características gráficas das minhas fotografias dependem dos atributos da película que uso (dando por seguro que a digitalização é neutra e reproduz fielmente os negativos). Até agora, a película que me tinha dado melhores resultados, no que diz respeito ao contraste, foi a Ilford Pan F 50, mas a Rollei, apesar de um pouco menos sensível, vai mais longe e permite o género de chiaroscuro que tenho procurado sem êxito (e sem recorrer excessivamente à manipulação digital da imagem, embora esta tenha deixado há muito de ser anátema).

Não deixa de ser curioso comparar esta película com aquelas que eu considerava as rainhas do contraste: as Ilford FP4 e Pan F 50. Curiosamente, a Rollei compara-se à FP4 em resolução e tem ainda mais contraste que a Pan F. Esta última produz fotografias belíssimas, evidentemente, mas os tons de cinzento tendem a empastelar e algumas altas luzes são apresentadas como globos brancos, o que é estranho (mas, curiosamente, é um fenómeno que afectava as Fujifilm X10, que são, obviamente, câmaras digitais).

Deverei, por tudo isto, fazer da Rollei Retro a minha nova película de eleição para preto-e-branco? Provavelmente não. Tenho andado a saltar de película em película, o que é divertido, e por vezes o contraste da Rollei é excessivo. (Eu nunca tinha usado uma película que me desse histogramas em forma de «U»!) Mas, sempre que Ray K. Metzker me inspirar, usá-la-ei. O que poderá acontecer com bastante frequência, até porque o seu preço, posto a ponha acima das Foma, Kentmere e Agfa, é mais interessante que o das Ilford e Kodak.

M. V. M.

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De volta às experiências, Pt. 1

Oxalá a partir de agora possa regressar à temática da fotografia sem ser importunado por republicações abusivas. Não é nada agradável, isto das republicações: é como se estivesse a trabalhar gratuitamente para o «republicador», que se pode dar ao luxo de manter um blogue à minha custa e sem qualquer esforço intelectual. Note-se, porém, que também não me foi fácil expor publicamente estas coisas, mas foi a única maneira que me pareceu eficaz para parar algo que ameaçava assumir proporções indesejáveis – e, sobretudo, para evitar que este tipo de incidente se repita.

Dito isto, na Quinta-feira passei pela Câmaras & Companhia para deixar mais um rolo para revelar e comprar um outro por expor. Tenho estado a usar o Fomapan 200, que tem um preço simpático e uma qualidade mais que aceitável mas não é exactamente a última palavra em contraste. De resto, prometi a mim mesmo que experimentaria todas as películas para preto-e-branco disponíveis no formato 135, pelo que resolvi variar.

Uma marca de películas que ainda não tinha experimentado é a Rollei. Embora a Rollei actual não tenha muito que ver com a Werkstatt für Feinmechanik und Optik, Franke & Heidecke que criou a Rolleiflex, o nome Rollei não deixa de despertar emoções nos verdadeiros amantes da fotografia (entendendo-se como tal as pessoas que fotografam com película).

Tanto quanto sei, as películas Rollei são produtos OEM: as emulsões para preto-e-branco são as mesmas que as do Agfa APX (outra marca sem grande correlação com os seus primórdios), o qual experimentei sem que me tivesse deixado terrivelmente excitado. Mas existe uma que me foi recomendada pelo Paulo J. Moreira pelas suas qualidades de contraste: a Rollei Retro 80S. Aceitei a sugestão e estou correntemente a expor um rolo Rollei Retro de sensibilidade ultra-baixa. A última película de sensibilidade abaixo de 100 ISO que experimentei foi a Ilford Pan F 50, da qual gostei apesar da sua tendência para apresentar as altas-luzes como globos brancos, o que é estranho mas passa despercebido na maioria das fotografias.

Pelo que vi na Internet, a Rollei Retro é uma película com um contraste muito interessante – o que me agrada, mas terei de confirmar com as minhas próprias fotografias. Como habitualmente, quando acabar de expor o rolo – o que, com as minhas tendências procrastinadoras actuais, poderá demorar entre quatro e seis semanas – e receber as digitalizações, escreverei uma crónica com tabelas e gráficos e muitos testes. Até lá, poderei entreter-me a usar tempos de exposição de 1/250 em condições que, com outros rolos, me obrigavam a usar 1/1000, o que é estranho mas não deixa de ser interessante porque o número de combinações recíprocas entre abertura e tempo de exposição é tanto maior quanto mais baixa for a sensibilidade da película.

Ah – e, já agora, uma boa Páscoa para todos.

M. V. M.

Miscelânea (2)

  1. E agora, entrando no tema deste blogue, uma má notícia para os analoguistas que se pode transformar numa epopeia com um final feliz: foi anunciado que a Tetenal está insolvente e vai cessar a produção em Abril deste ano. A Tetenal é uma empresa alemã da indústria química que, entre muitos outros produtos na área da fotografia e fora dela, fabrica o célebre C-41. Para terem uma ideia da dimensão da Tetenal, esta empresa é fornecedora exclusiva das cadeias de revelação e impressão de película Kodak Express. O cessação da produção teria efeitos difíceis de calcular, já que produzem químicos para outras marcas, e seria o fim de uma era para a fotografia analógica. Mas talvez as coisas não sejam tão terríveis e o mundo não acabe no dia 1 de Abril de 2019. Pouco depois de a notícia da cessação das actividades da Tetenal ter sido conhecida, soube-se que um grupo de quarenta trabalhadores, conjuntamente com alguns administradores, propuseram à assembleia de credores a aquisição da empresa e a continuação da produção. O que seria, sem dúvida, uma história de proporções heróicas. Embora ainda falte saber como vai deliberar a assembleia de credores, parece que o golpe que matará de vez a fotografia analógica ainda está por desferir. Espero que isto acabe bem, porque ainda quero expor alguns rolos a cores e dá-los a revelar com C-41.
  2. A Olympus insiste em dar aos consumidores aquilo que eles patentemente não querem. Dito de outra forma:  a Olympus está a perder quota de mercado entre profissionais e amadores empenhados por insistir num formato de sensor severamente limitado. O que, atenta a dimensão da divisão de fotografia da Olympus e a sua posição no mercado, significa que está a sair da órbita do Planeta Fotografia, um planeta habitado por gente para quem o formato 36×24 é o sanctum sanctorum da fotografia. De maneira a tentar convencer toda a gente que o formato micro 4/3 está vivo, a Olympus, que ainda há pouco tempo «descontinuou» a última DSLR da sua gama, a E-5, lançou agora uma câmara com aspirações profissionais, a OM-D E-M1X. O que significa que continuam a dar nomes idiotas às câmaras, e alguns já chamam a esta última criação da Olympus «E-Mix». Vamos lá a ver: nenhum profissional quer uma câmara que estoura as altas luzes, bloqueia as sombras, tem níveis de ruído assustadores e é incapaz de focar convenientemente. Só alguém completamente ensandecido trocaria a sua Nikon D5 ou Canon 1D por uma Emix. Eu não sei em que estava a Olympus a pensar quando decidiu lançar uma câmara que, além do mais, nega todas as vantagens do formato micro 4/3: é grande, é feia, é pesada (ou, pelo menos, tem ar de o ser) e é cara. Diga-se, a talho de foice, que a Olympus comemora este ano o seu centenário. Para o celebrar, lançou este disparate e uma E-M1 com o topo prateado. De facto, ninguém como os CEO e COO da Olympus para interpretar o legado histórico da marca…
  3. Entretanto, a Panasonic, que era a consorte da Olympus no formato 4/3 (e, a fortiori, no micro 4/3), aliou-se à Leica e à Sigma e lançou uma câmara full-frame sem espelho, a Panasonic Lumix S1. Aliás, duas: a S1 e a S1R, que tem especificações um pouco mais X. P. T. O. para agradar aos gearheads e encarecer a câmara em mais de mil euros. A Olympus cometeu um erro crasso ao não aderir a este consórcio, porque é manifesto que o full-frame é agora tão universal como era o rolo 135 no tempo das verdadeiras OM; agora transporta agora sozinha o estandarte do micro 4/3. A continuar assim, a Olympus vai acabar por fechar as portas. Duvido que, se isso acontecer, haja alguém que se proponha continuar a laboração, como aparentemente vai acontecer com a Tetenal.

M. V. M.

Kentmere 100 (seguido de uma adenda sobre uma experiência de técnica fotográfica que correu mais ou menos bem)

O tema de hoje é a impressão que uma película para preto-e-branco que acabei de experimentar me causou. A película é a Kentmere 100. Como sabem, a Kentmere é uma marca do grupo Harman, que acolhe sob o seu tecto, além da Kentmere, nem mais nem menos que a ilustre Ilford. Tal como o rolo Kentmere 400, ao qual já me referi no Número f/, o Kentmere 100 é um produto low cost da casa Harman, mas com uma característica curiosa: a Harman produz películas Ilford de baixo custo para os países da Europa de leste, que são as Pan 100 e Pan 400, mas a Kentmere 100 está muito mais próxima da FP4 da Ilford que a Pan 100. É estranho, mas é assim mesmo.

Tal como com os muitos rolos FP4 Plus que usei, o Kentmere 100 obriga a cuidados especiais na exposição para não estourar as altas luzes. É uma película excelente para chiaroscuri pelo contraste, mas se quisermos ter a escala de cinzentos na sua totalidade é necessário saber expor para as sombras, mesmo que com ligeiro prejuízo das altas luzes. Expor para as altas luzes pode dar resultados excelentes, mas é preciso não exagerar, caso contrário as sombras tendem a ocultar o pormenor e a exacerbar o contraste.

A acutância é boa, apesar de não tanto como a do FP4, mas esta insuficiência não é redibitória e é absolutamente aceitável num rolo que custa menos dois euros do que aquele com que o estou a comparar.

Por fim, o grão. A Ilford FP4 Plus é uma das películas mais agradavelmente isentas de grão que eu conheço. O pouco grão que por vezes se manifesta contribui para a glória do preto-e-branco argênteo – esse que nenhuma app e nenhum programa de edição de imagem consegue imitar. A Kentmere 100 não é isenta de grão: pelo contrário, o grão é muito abundante. Não diria que faz lembrar uma película 400 ASA, mas esta é uma característica que também encontrei numa película de preço semelhante, que é a Agfaphoto APX 100. Simplesmente, o grão da Kentmere dá às fotografias um aspecto muito especial. Não é intrusivo como na APX 100 nem é destrutivo como o das HP5. Dá às fotografias aquilo a que só posso chamar carácter.

O Kentmere 100 não é tão bom como o FP4, mas é uma boa opção para aqueles amantes do contraste que vêem o rombo na conta bancária aumentar preocupantemente sempre que compram rolos FP4, sobre a qual costumo dizer ser a melhor película para preto-e-branco que alguma vez apareceu à superfície da terra. Afinal de contas, dois euros é bastante dinheiro.

E agora uma adenda sobre técnica: os leitores mais assíduos lembram-se certamente de ter aludido a uma experiência que fiz quando a meia maratona do Porto passou na minha vizinhança. Se não se lembrarem, podem avivar a memória aqui. Pois bem: a experiência deixou-me uma sensação agridoce: consegui exactamente o efeito que pretendia, mas o enquadramento não ficou nada bom. Não gosto da fita de plástico nem das grades.

Seja como for, a técnica é daquelas coisas que podemos nunca usar, ou fazê-lo muito esporadicamente, mas é sempre bom saber que a dominamos. É mais ou menos como nadar ou andar de bicicleta. Ah – e é impossível fazer isto com um smartphone, apesar das loas dos zelotas da tecnologia à «fotografia computacional».

M. V. M.

Maratona (e o Dia Mundial da Fotografia)

O primeiro daguerreótipo conhecido

Os que me acompanham há mais tempo saberão que o autor do Número f/ sentiu, numa dada etapa do seu itinerário fotográfico, necessidade de consolidar os conhecimentos que havia adquirido empiricamente, pelo que se propôs frequentar um workshop de técnica fotográfica organizado pelo Instituto Português de Fotografia e ministrado pelo excelente Carlos Machado. Não é o mesmo que frequentar um curso de fotografia, mas foi extremamente útil e interessante.

Uma das consequências de ter frequentado o workshop foi a que havia previsto: consolidei os meus conhecimentos e adquiri muitos outros. Outra é o facto de, volta e meia, receber na minha caixa de correio electrónico a newsletter do Instituto Português de Fotografia. A última chegou-me esta semana e convidava-me a comemorar o Dia Mundial da Fotografia (que, como sabem, se celebra no dia 19 de Agosto) inscrevendo-me numa maratona fotográfica. Não vou. Não por ser caro – €5,00 é uma verba insignificante –, mas por fotografar em grupo ser contrário a tudo em que acredito.

Talvez eu tenha uma concepção demasiado estreita da fotografia, mas as maratonas fotográficas não são para mim. Entendo a fotografia como criação; ora, criar é ser original e não há originalidade quando fotografo o mesmo que umas dezenas de pessoas, nem quando essas dezenas de pessoas se imitam umas às outras. Considero que isto contribui para a desvalorização da fotografia ao reduzi-la a um divertimento fútil e ao retirar-lhe carga criativa.

E também perdi o interesse por fazer milhares de fotografias num dia. É algo que já fiz, mas não tem sentido nenhum. Uma das minhas ambições inconfessáveis é fazer um dia uma fotografia que seja única, que se distinga de todas as outras por ter uma marca pessoal. Não é numa maratona fotográfica que vou atingir este objectivo. A fotografia não é, se quisermos recorrer a uma analogia piscatória, pesca de arrasto: é pesca à linha. Às vezes vem um peixe graúdo, às vezes vem um peixinho mirrado e outras vem um saco de plástico, mas quando vem um peixe decente é um triunfo. No arrastão não se tem este gozo.

Além disto, o que é o Dia Mundial da Fotografia? Caso não saibam, o dia 19 de Agosto assinala a data em que, no ano de 1837, o Estado francês adquiriu a patente do daguerreótipo e a lançou no domínio público como uma dádiva «gratuita para o mundo». Parece-me uma data demasiado técnica e burocrática. Seria mais interessante se fosse a data da primeira fotografia, ou a data do nascimento de algum grande fotógrafo. Podia ser 22 de Agosto, data do nascimento de Henri Cartier-Bresson, mas por mim era 30 de Dezembro, pois foi no penúltimo dia de 1918 que nasceu o meu venerado W. Eugene Smith. (Estou a brincar, mas agora a sério: será que vão celebrar o seu centenário?)

Ou então pode ser a data que quisermos. Por exemplo, a data em que sentirmos prazer em fazer uma boa fotografia, pois é esse prazer – e não a aquisição de uma patente – que merece ser celebrado.

Mas, se quiserem ir à maratona fotográfica, vão. Só custa cinco euros e o Instituto Português de Fotografia é uma instituição credível.

M. V. M.

Slides

Por William Eggleston

Por vezes deixo-me intrigar e ponho-me a especular sobre uma questão: devo ou não fazer uma experiência com um rolo de slides?

Os slides, ou positivos (ou ainda transparências) são películas nas quais a imagem não surge com os tons invertidos, como nos negativos. A sua função primordial é ser projectados por via de um aparelho próprio (projector de slides), mas esta não é nem nunca foi a única razão para usar película de slide. Estas películas são procuradas, sobretudo, pela sua qualidade superior. Pelo menos é isto que leio e ouço mais frequentemente. E também pelas cores: Kodachrome, Provia, Astia e Velvia são designações que costumam ser usadas como sinónimos de cores saturadas e vibrantes, mas também há o Ektachrome para equilibrar as coisas (e há pelo menos duas películas de slide a preto-e-branco, uma da Foma e outra da Agfaphoto, mas são proibitivas).

Aprendi, com a minha mente inquisitiva, que a qualidade da película de slide tem contrapartidas. Uma é o preço: é impossível adquirir um rolo por menos de €10. A outra é a gama de exposição. Diz quem sabe infinitamente mais que eu que, para fotografar com película de slide, é necessário acertar com a exposição como quem acerta no bull’s eye ao lançar dardos. Os negativos a cores perdoam muito mais: só há sobreexposição ou subexposição se a diferença entre a exposição ideal e a seleccionada exceder cerca de 4EV. Quando se fotografa com slides, o mais natural é que as altas luzes estourem e as sombras bloqueiem facilmente. E, ao contrário de algumas películas negativas, o pormenor perdido é irrecuperável.

Também sei que, para evitar esta estreiteza na exposição, era costume fotografar com o céu ligeiramente encoberto e expor para as altas luzes, o que saturava as cores e conferia contraste às imagens sem bloquear as sombras em demasia. (Fotografar com céu limpo implicava perder o pormenor por acção do bloqueio das sombras quando se expunha para as altas luzes, o que era considerado um compromisso aceitável.) Ora, isto é severamente limitativo. Eu ando – até agora! – à procura de uma película colorida que me dê versatilidade. É possível que a tenha encontrado na Kodak Ultramax, mesmo se a sua sensibilidade de 400 ISO a torna difícil de usar no Verão. Usar película de slide implicaria só fotografar em condições muito favoráveis, o que seria uma maçada.

Isto não quer dizer que tenha desistido de experimentar. Apesar de não ser muito aventureiro, gosto de desafios. Acertar com a exposição num rolo de slides seria algo que me tentaria, mas seria uma experiência cara: os rolos são caros e a revelação também.

Fazer a experiência, por outro lado, poderá servir apenas para confirmar o que sei de antemão. Seria como pontapear um paralelepípedo para saber se é duro. Não tem interesse, porque tenho um conhecimento apriorístico razoavelmente preciso. Mas, se a reputação de películas como as Fujifilm for merecida, os resultados podem ser deslumbrantes. Nunca saberei ao certo o que esperar se não fizer a experiência. Penso que é a isto que chamam «dilema».

M. V. M.

Cinco anos

Foi no dia 12 de Junho de 2013 que adquiri esta jóia de máquina fotográfica. Há poucas decisões na minha vida que me tenham deixado tão satisfeito como a de me converter às películas.

M. V. M.