Que se lixe a «distância focal equivalente»!

2013-03-20_16h33_07

Estou farto. Todos os santos dias há pelo menos duas pessoas que vêm a este blogue buscar informações sobre essa coisa da «distância focal equivalente». É de tal maneira enervante que eliminei o texto de título A Distância Focal Equivalente, apesar de ser um dos mais lidos de sempre no Número f/. Prefiro assim: não me interessa popularidade à custa de parvoíces. Prefiro ter poucos leitores, mas interessados em coisas sérias, a ter muitos que vêm aqui pelas razões erradas. Não mantenho este blogue para ser um caso de popularidade no ciberespaço, e muito menos para alimentar as obsessões de nerds.

É profundamente irritante publicar textos praticamente todos os dias com todo o tipo de temas relacionados com a fotografia e ver que, afinal, a atenção das pessoas vai para coisas que não têm importância nenhuma. Ainda mais frustrante, porém, é ver que há gente que consome a moleirinha com cálculos de equivalências que na verdade não existem – como a famosa «abertura equivalente», que enche os foros de fotografia no ciberespaço – em lugar de se preocuparem com o que verdadeiramente importa quando o tema é fotografia.

Vamos dar uma coisa por assente: ninguém se torna um fotógrafo por saber resolver equações. Saber essas tretas da «abertura equivalente» e da «distância focal equivalente» não vai ajudar ninguém a fotografar melhor. O que é preciso, para fotografar bem, é ter olho para o invulgar, bom gosto estético e sentido de composição. Quem não os tiver nunca fotografará bem, mesmo que traga as equações todas na ponta da língua; pode ter a melhor câmara do mundo e dominar essa matemática toda, mas se não tiver estes atributos não conseguirá fazer nada que interesse às pessoas.

Quem tiver esse olho e esses sentidos estético e composicional, porém, não precisará de ter a melhor câmara para se exprimir fotograficamente, tal como não precisará das equações para nada. Eventualmente, haverá uma altura em que o equipamento que tem deixa de ser suficiente para que consiga exprimir as suas ideias, pelo que quem fotografa decentemente poderá sentir, em algumas fases do seu iter fotográfico, necessidade de melhorar o equipamento (a menos, claro, que comece logo com material muito bom, o que é pouco provável). Para fazer bom uso do melhor equipamento e para se exprimir artisticamente, essa pessoa precisa de conhecer a técnica – mas a técnica que é essencial conhecer para fazer fotografias interessantes não está nas teorias das equivalências. O que é preciso dominar é a exposição. Saber que se for usada uma abertura estreita e um tempo de exposição longo se vai produzir arrastamento é essencial, porque pode ser importante evitar este efeito ou usá-lo de modo criativo. Tal como saber que só é possível congelar o movimento com velocidades superiores a 1/250 (ou menos, se o movimento não for demasiado rápido). Saber que precisamos de estar perto do motivo, de usar uma lente de distância focal longa e de uma abertura larga para desfocar o plano de fundo também é importante, mas não tanto como ter bom gosto, dominar a linguagem gráfica e ter ideias originais.

O que decididamente não é importante é saber que se o sensor tiver uma área de X a distância focal multiplica por Y e a abertura se divide por Z. Em primeiro lugar porque isso não interessa para nada, já que não acrescenta ao processo criativo; em segundo lugar porque estas ideias tresloucadas partem de pressupostos falsos. Como escreveu o Ricardo Salvo num comentário a um texto anterior, uma lente tem sempre os mesmos valores de abertura e distância focal, independentemente do sensor com que vai ser usada. Também já expliquei aqui – evidentemente, com muito menos autoridade que o Ricardo Salvo – que uma lente não cresce, nem a sua abertura se torna mais estreita, por ser montada num sensor de área menor que o full frame. O que acontece neste caso é que o campo de visão é comprimido.

É por estes motivos que o emprego da expressão «distância focal equivalente» me suscita as maiores reservas. Prefiro, de longe – e apesar de ser uma expressão de língua estrangeira – o termo crop factor. Porque descreve melhor o que realmente acontece do que as teorias das equivalências. A compressão do campo de visão é o fenómeno que acontece quando se junta uma lente a um sensor de área menor do que aquela que é usada como referência: tudo se passa como se a imagem fosse cortada pelas bordas.

Seja como for, nada disto é importante. Saber qual o crop factor só interessa para que se possa perceber que, se tivermos uma lente 28mm e uma câmara com sensor APS-C ou 4/3, ela não nos vai dar o campo de visão típico de grande-angular que se obteria com um sensor de 35mm. O problema é que se inventou esta coisa da equivalência para fornecer uma noção prática e fácil de assimilar – embora imprecisa – do fenómeno, e logo alguém tomou aquilo como uma lei da física e tentou transformar essa noção empírica numa ciência. O mesmo aconteceu, por extrapolação, com a abertura. E há-de haver gente a derreter os miolos elaborando cálculos complicadíssimos para provar que o ISO também tem uma equivalência qualquer.

Eu cá, se fosse ao leitor, não me preocuparia em demasia com equações e tentaria adjudicar o tempo gasto com estes cálculos à busca de motivos interessantes para fotografar. Assim daria o meu tempo por muito mais bem empregue, divertir-me-ia mais a fotografar e pouparia os neuroniozinhos, que podem muito bem ser precisos para coisas mais importantes.

M. V. M.

Alguém sabe…?

Peço mais uma vez a ajuda dos leitores para me trazerem alguma luz quanto a um problema que me surgiu. Há algumas semanas atrás, quando experimentava o Ilford HP5, deu-me na cabeça fazer fotografias de surfistas na Praia de Matosinhos. Não sei por que razão me deu para fotografar surfistas, até por não ser o maior apreciador da modalidade, mas pareceu-me uma boa ideia. Tanto que repeti na manhã seguinte.

Img - 017

As coisas até pareceram ter corrido bem: a OM 135mm-f/2.8 tem alcance suficiente – desde que os surfistas não estejam muito longe da areia – e é estupidamente fácil seguir objectos em movimento com a OM-2, pelo que a única complicação foi encontrar motivos decentes. Como a maior parte dos que surfavam nas duas sessões que dediquei à modalidade era um bocado a atirar para o desajeitado – vim mais tarde a descobrir que naquela praia funcionam pelo menos duas escolas de surf e que muitos dos que andavam na água eram seus alunos –, resolvi fazer fotografias de surf um pouco diferentes, com surfistas a caminhar pela areia e outras cenas.

Ao ver as digitalizações no computador, reparei que as fotografias que fiz de surfistas na água, que foram feitas de frente para o mar, com o sol a incidir sobre o lado esquerdo (i. e. ainda a nascente), não apresentavam problemas; mas as outras, que foram feitas perpendicularmente à linha da água e quase directamente contra a luz do sol, saíram com manchas brancas no lado direito e no centro, na parte inferior das fotografias.

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Como as fotografias foram feitas com a 135mm-f/2.8, cujo vidro frontal tem algumas manchas por ter estado guardada sem tampa numa vitrina – daí o preço irrisório que paguei por ela –, suspeitei que o problema estivesse na lente, mas depois de uma pequena sessão de testes fotográficos com a E-P1, em que tirei várias fotografias deliberadamente contra o sol com a 135 montada, na qual nenhuma imagem foi afectada por este problema, excluí essa hipótese. Como não me parece que a câmara tenha contribuído, resta-me o rolo. Este é de velocidade ASA 400, o que me obrigou a usar 1/1000 e aberturas muito estreitas: f/16 e f/22. Simplesmente, não tenho nenhuma certeza quanto a isto. Ainda não troquei impressões com Raúl Sá Dantas sobre isto, e pode ter sido um problema com a digitalização – mas não me parece provável: então por que razão só aparecem manchas brancas em certas fotografias, todas elas feitas do mesmo ângulo?

Não sei qual a explicação para aquelas manchas horríveis que se vêem nestas imagens. Alguém sabe? O vosso contributo é muito bem vindo e agradeço-o desde já.

M. V. M.

Grão e ruído

As minhas experiências com rolos 400 ASA vão inevitavelmente por-me diante de uma característica necessária das velocidades elevadas: o aparecimento de grão. Todos os rolos têm grão, apenas variando a sua textura, que é mais fina nos rolos de velocidade mais baixa e mais grosseira nos de sensibilidade alta. Aliás, mesmo dentro das mesmas gamas de sensibilidade (ou velocidade), o grão pode ser diferente. O Ilford FP4 tem um grão mais grosseiro que o Kodak T-Max 100, e não é a diferença de 25 ASA que o justifica – é a própria estrutura do grão.

Há quem compare o grão ao ruído das imagens digitais. A semelhança é evidente: quanto mais se avança na sensibilidade ISO, maior é a quantidade de ruído. Contudo, ambos têm naturezas diferentes – embora, nos dois casos, estejamos perante um efeito necessário da maior sensibilidade à luz da superfície que capta a luz – e, sobretudo, resultados estéticos muito distintos. O grão é o resultado do aparecimento de partículas metálicas produzidas pelos haletos de prata usados nos negativos, ao passo que o ruído digital é o resultado da passagem de correntes eléctricas pelo sensor, que são exacerbadas pelo aumento da sensibilidade do sensor.

É no efeito estético produzido que estes artefactos se distinguem. O grão pode ser usado com fins estéticos, e é-o por muitos fotógrafos. Empresta à fotografia um ambiente noir que é particularmente agradável quando é bem feito. O papel usado na impressão contribui muito para este resultado. Naturalmente, o grão não se presta a fotografias de casamentos e a retratos, e muito menos quando o negativo serve para fazer grandes ampliações, mas na fotografia de reportagem pode ser muito interessante. É, evidentemente, uma questão de gosto e, acima de tudo, uma escolha estética do fotógrafo: este pode usar intencionalmente o grão para conferir uma determinada expressão às suas fotografias.

O ruído digital, por seu turno, nunca resulta bem. Ao contrário do grão, o ruído não é uma textura: é um padrão aleatório que destrói os contornos finos dos objectos e introduz efeitos absolutamente nocivos, como a perda de saturação das cores e a introdução de matizes indesejadas. Esteticamente, o ruído é sempre desagradável. Mesmo quando tratado através dos melhores programas de edição de imagem, a sua presença faz-se sempre sentir: há um esbatimento das linhas que definem os objectos que dá um aspecto que é tanto pior quanto maior for a ampliação. O ruído pode ser discreto em imagens de tamanho reduzido, mas ele – ou o efeito da redução do ruído – torna-se conspícuo em tudo o que seja maior que 15×10. Mesmo com sensibilidades reduzidas, os artefactos resultantes da redução do ruído são bem visíveis através de manchas minúsculas que invadem todas as tonalidades, com excepção dos brancos e negros puros. Basta ampliar uma imagem JPEG feita no tamanho Large para ver o ruído ou o resultado da aplicação da redução do ruído. E as coisas só pioram quando se fotografa JPEGs e se deixa o processador da câmara reduzir o ruído. A única maneira eficaz de eliminar o ruído é o uso da técnica dark frame, sobre a qual o Ricardo Salvo escreveu aqui, mas não resulta em todas as situações fotográficas.

Já me aconteceu ver fotografias a preto-e-branco de um fotógrafo português particularmente famoso que, por força de usar uma compacta topo de gama para fins promocionais, mostrava as suas imagens no Facebook com o ruído tratado pelo Photoshop: as fotografias eram interessantes, mas reparava sempre que as sombras apareciam maculadas por manchas esverdeadas que davam um aspecto lodoso às partes mais escuras da imagem. Apesar do valor estético das fotografias, os meus olhos iam sempre para aquelas aberrações. Não é bonito, não é agradável, não tem valor estético nem contribui para a expressividade. O ruído digital é um defeito, não uma característica como nos rolos.

Em breve saberei como resulta o grão no Tri-X, e mais tarde no Ilford HP5 – ambos com velocidade ASA 400. Uma coisa é certa: seja qual for o resultado, será muito melhor do que as fotografias que fiz com a E-P1 usando ISO 400.

M. V. M.

Textos pedidos

Utilizada a 19 Jun 2011

Nos tempos da minha infância e adolescência existia um programa de discos pedidos na rádio. A fórmula era simples: a pessoa que queria ouvir uma canção telefonava para a rádio, enunciava um slogan publicitário previamente divulgado, que o interessado devia memorizar, e o homem da rádio, se o ouvinte dissesse a frase correctamente, punha o disco pedido (normalmente uma azeitada) a tocar nas ondas hertzianas. O diálogo telefónico, que era radiodifundido, era mais ou menos assim:

OUVINTE – Está?

HOMEM DA RÀDIO – Estou sim, boa noite.

OUVINTE – Posso dizer a frase?

HOMEM DA RÀDIO – Pode sim, minha senhora.

OUVINTE – Então lá vai: «Móveis Bartolomeu, abre o cu que lá vou eu».

HOMEM DA RÀDIO – Acertou! Que disco vamos ouvir?

OUVINTE – Quero ouvir as Doce… o Amanhã de Manhã.

HOMEM DA RÀDIO – Muito bem.

Era um momento radiofónico que acalentava os corações de muitos ouvintes da rádio. Podem não acreditar, mas este programa, chamado Quando o Telefone Toca, era incrivelmente popular: para se conseguir pedir um disco era necessário estar constantemente a marcar o número da emissora e, se se tivesse sorte, conseguia-se pedir ao radialista que passasse a canção que o ouvinte queria (desde que o trabalho de discar sucessivamente o número não o fizesse esquecer-se da frase, claro).

E porque estou eu a escrever sobre um programa de rádio no Número f/? É simples: num comentário ao meu texto de Segunda-feira, um dos meus mais assíduos leitores sugeriu que eu escrevesse textos a pedido no Número f/. Embora deva dizer que a ideia me pareceu jocosa, não deixa de fazer sentido. Escrever textos para ir ao encontro dos anseios dos leitores é uma boa ideia. Claro que, se recebesse muitos comentários – não necessariamente a pedir para abordar este ou aquele tema –, teria uma boa noção daquilo que os leitores querem, mas, hélas, não os recebo. Não sei porquê: talvez por ser tão acertado no que escrevo que ninguém sente necessidade de acrescentar, ou de contestar, seja o que for. Ou talvez por terem medo de uma reacção demasiado violenta no caso de os comentários serem críticos. A verdade é que não faço ideia por que recebo tão poucos comentários. (As duas hipóteses que enunciei são, obviamente, arremedos lamentáveis de ironia.)

Não é má ideia publicar textos pedidos. Contudo, seria ainda mais interessante ter um pouco mais de feedback (ou «fio de beque», como ouvi uma vez a um meu conhecido) para saber quais os assuntos preferidos dos leitores. As estatísticas não são muito conclusivas a este respeito.

Outra sugestão que recebi foi a de abrir o Número f/ à participação de outras pessoas, que contribuiriam com os seus textos. Ora, o Número f/ esteve sempre receptivo a publicar textos dos leitores e já publicou dois, que podem ser encontrados clicando na etiqueta «contributos» (v. caixa à direita), ambos da autoria do Ricardo Salvo. Nestes dois textos são abordados dois assuntos interessantes: o dark frame, uma técnica que nunca utilizei – aliás, nem sabia que existia – e o vídeo, tema que normalmente não abordaria por não ser do meu interesse mas que é decerto do interesse de muitos leitores. Se mais houvesse, mais publicava. Têm é de ser bem escritos, interessantes e bem fundamentados, tal como os do Ricardo Salvo.

Fico à espera do vosso fio de beque.

M. V. M.

Agradecimento (onde também se formulam votos festivos)

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Obrigado a todos os que responderam, aqui ou no Facebook, ao meu apelo de ontem. Ajudaram-me a confirmar que as minhas fotografias tendiam a ser demasiado escuras. Havia uma explicação simples para isto: o meu computador novo tem um monitor de tecnologia LED que dá uma imagem mais brilhante que o antigo. Para dar às imagens a tonalidade que pretendia, acentuava em demasia o contraste, as sombras e os negros. Resultava no meu monitor, mas não nos outros. Agora que confirmei isto, vou passar a ser mais cuidadoso.

Tenho para mim que o equilíbrio tonal de uma fotografia tem o mesmo valor que as roupas que as pessoas usam. Não é o mais importante, mas é decisivo na impressão que causa nos outros. As roupas são o nosso cartão de visita; o tom de uma fotografia também o é. Por muito forte que a imagem seja, um erro de exposição causa uma impressão negativa em quem vê a fotografia – tal como vestes andrajosas criam um juízo desfavorável, mesmo que a pessoa que as enverga seja portadora de uma mente espectacular (conheço algumas pessoas assim). Foi neste sentido que afirmei, no texto de ontem, que «prefiro que me digam que as minhas fotografias não são interessantes a que sejam ignoradas por as julgarem tecnicamente mal executadas».

É evidente que há uma dose elevada de subjectividade na escolha do equilíbrio tonal de uma fotografia. Este equilíbrio não é o mesmo entre uma fotografia a cores e outra a preto-e-branco, nem o é entre uma imagem diurna e outra nocturna. E varia largamente de acordo com as preferências de cada um: eu gosto de fotografias muito contrastadas, com um tom próximo do low key. Mesmo levando em consideração estas circunstâncias, porém, as fotografias que vinha mostrando ultimamente eram, de facto, demasiado subexpostas. O que tinha o potencial de as tornar excessivamente carregadas e inteligíveis.

Renovo o agradecimento aos leitores que quiseram responder. Ajudaram-me a fazer fotografias melhores. O que, para mim, não é insignificante. Vou considerar este contributo a vossa prenda de Natal para mim. Espero que todos tenham um excelente Natal.

M. V. M.

Um apelo singelo aos meus leitores

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Ontem troquei impressões sobre a fotografia do meu bisavô Alberto de Macedo com a minha irmã Margarida. Ao saber da descoberta da fotografia, referiu de imediato que também a queria, e eu, evidentemente, enviei-lha via e-mail. A minha irmã é uma desktop publisher de enorme competência; a sua profissão tem uma componente importantíssima na edição de imagem, pelo que escuto as suas opiniões sobre aspectos gráficos da fotografia com reverência. Deste modo, fiquei alarmado quando ela me disse que passou a imagem que lhe enviei pelo Photoshop Cs para a retocar, porque estava «demasiado escura».

Ops!

Será que estou a laborar permanentemente em erro ao editar as minhas fotografias? Já me referi, num texto anterior, à importância de ter um monitor bem calibrado, e tinha uma boa razão para tanto: as imagens que me parecem tonalmente equilibradas no meu computador – um portátil no qual o ajustamento do brlho e do contraste depende largamente da inclinação do ecrã – parecem-me algo subexpostas quando as vejo noutros monitores. É bem possível que não tenha a noção exacta do equilíbrio tonal das minhas fotografias e que tenda a torná-las demasiado carregadas nas sombras e nos negros quando as edito. Apesar da minha predilecção pelo preto-e-branco e por tons low key, e de nos últimos tempos fotografar sobretudo de noite, é muito possível que as minhas fotografias surjam demasiado subexpostas quando são vistas por outras pessoas nos seus computadores. E eu não quero que isso aconteça: prefiro que me digam que as minhas fotografias não são interessantes a que sejam ignoradas por as julgarem tecnicamente mal executadas. E estar permanentemente a trabalhar as fotografias com base numa percepção errada é frustrante.

O favor que vou pedir aos meus leitores é simples; não vos ocupará mais que um par de minutos, mas para mim é de uma importância fundamental. Gostava que me dessem a vossa opinião sobre o equilíbrio tonal das minhas fotografias. Não vos peço para me dizerem se são bonitas ou feias, interessantes ou banais: apenas se são demasiado escuras ou se os tons estão equilibrados. Basta comentar este texto com três ou quatro palavras. Estas palavras podem ser uma ajuda que muito apreciarei, e deixo desde já o meu agradecimento. Porque cada contributo pode ser fundamental. Se quiserem, podem consultar o meu Flickr para fundamentar melhor a vossa opinião. Esta é muito importante para mim, e aquilo que vejo neste momento como sendo um problema pode não o ser, e se for pode ser resolvido facilmente graças à vossa cooperação: bastar-me-á ajustar o ecrã do meu computador em dois ou três graus para o resolver.

Obrigado a todos. E, também, os meus votos de um bom Natal – se não nos voltarmos a ler até lá.

M. V. M.

Dark Frame

Por RICARDO SALVO

A técnica de dark frame é relativamente nova para mim. As minhas primeiras experiências são muito recentes, mas já consegui ter resultados absolutamente espantosos. Aprendi-a com esta minha novíssima mania de aprender a fotografar o céu à noite e até há muito pouco tempo nunca tinha ouvido falar em tal coisa. É uma modernice exclusiva do mundo digital e não existia (por razões óbvias) com a película.

Basicamente a técnica não é mais do que fazer uma ou várias exposições iguais em todos os aspectos à fotografia que acabou de se fazer, mas com a lente tapada. Imagine que faz uma exposição com ISO 800 durante 15”, a que vamos chamar a light frame. Seguidamente porá a tampa na lente e faz mais duas ou três fotos exatamente com as mesmas regulações, resultando, como é óbvio, em imagens de preto absoluto, às quais vamos chamar dark frames.

A lógica é a de que o circuito eletrónico do sensor gera um padrão de ruído que, ao contrário do que se pensa, não é aleatório. Para o exemplo em questão, a sua câmara produzirá um padrão de ruído identificável com 15” a ISO 800 a uma determinada temperatura (razão pela qual as dark frames devem ser obtidas imediatamente após a exposição de luz e no mesmo local). A abertura f/ torna-se irrelevante, creio. Por isso as dark frames não são mais do que um mapeamento dos padrões de ruído do sensor da sua máquina (e quanto maior o número de dark frames, mais precisa é esta técnica). Algumas câmaras fazem automaticamente a aquisição de dark frame, processando-a automaticamente com uma opção do menu geralmente conhecida por “Redução automática de ruído”, mas está muito longe da perfeição da técnica manual.

Seguidamente abre-se a light frame num software que possa editar em layers (como o Photoshop ou equiparado). Cada dark frame será depois uma nova layer em cima da light frame, sendo que o blend mode para estas deverá ser “Subtract”. O software irá então subtrair o padrão de ruído a toda a composição, resultando numa foto mais limpa, sem a plastificação habitual dos comuns redutores de ruído.

Há softwares gratuitos que fazem este processo automaticamete com três comandos simples: open light frames, open dark frames e process. Os resultados que obtive ainda este fim de semana são espantosos, e estamos a falar de exposições de ISO 6400 durante 30” que parecem ter sido feitas com ISO 200 ou 400.

Ricardo Salvo