Fim-de-semana agridoce

Na sexta-feira recebi um email de efeito retardado: de início não me pareceu nada a que devesse dedicar excessiva preocupação, mas com o tempo compreendi que tinha razões mais que suficientes para me consternar.

O email foi remetido pela editora que manifestou interesse na publicação da minha monografia. Aquando do primeiro contacto, asseveraram-me que a obra seria editada no segundo trimestre deste ano, mais concretamente em Maio; chegado a Maio, depois de esperar em vão pelo contrato e pelas provas tipográficas, recebo este email em que me é dito que a edição foi atrasada para dar lugar a edições «urgentes» e que só asseguravam o lançamento para Outubro. Até aqui tudo bem; não me importaria de esperar. Contudo, logo de seguida dizem-me que compreenderiam no caso de eu «optar pela publicação em outra editora».

Não sei como interpretar isto; estarão a dizer-me, de forma não muito subtil, que perderam o interesse na edição e que devo procurar outra editora? A minha reacção inicial não foi interpretar a mensagem neste sentido: pelo contrário, vislumbrei aqui uma oportunidade de celebrar um contrato mais vantajoso do que aquele que me foi proposto. Agora não sei muito bem o que pensar. Foi um murro no estômago. E fiz figura de parvo diante de todos aqueles com quem partilhei o meu entusiasmo. A confiança já não é o que era.

Nem tudo foi lamentações nesta semana. Hoje mesmo encontrei-me com o meu amigo alemão da Nikon Df, o Hendrik Lohmann, e a sua encantadora mulher (que me surpreendeu por ter uma Fujifilm XT20). Apesar de nos contactarmos via Flickr, o que é certo é que já não nos víamos há quatro anos e não há nada que substitua uma conversa face a face. Foram umas horas imensamente bem passadas.

O Hendrik evoluiu imenso desde o nosso primeiro encontro, e o equipamento teve uma influência absolutamente decisiva nessa evolução. Quando o conheci, fotografava exclusivamente com a 50mm-f/1.8 que vinha com a câmara, mas entretanto comprou um zoom 14-24-f/2.8, um bacamarte de uma objectiva com uma lente frontal do tamanho de uma lâmpada de iluminação pública. Desde então a sua fotografia passou a basear-se na perspectiva absolutamente delirante das ultra grande-angulares, além de manter o preto-e-branco e o gosto, que partilhamos, por contrastes acentuados. Não estou com isto a dizer que o equipamento faz fotografar melhor – tal seria uma estultícia –; o que digo é que o Hendrik adquiriu uma forma de expressão nova por poder explorar perspectivas que as objectivas standard não permitem. Para terem uma ideia do que estou a dizer, dêem uma olhadela aqui.

Outro episódio deste fim-de-semana é o que se segue. Penso que não contei isto aos meus leitores, mas ofereci à minha sobrinha Maria Luís, por ocasião do seu 6.º aniversário, uma máquina fotográfica descartável, daquelas que trazem um rolo dentro e se deitam fora depois de extraída a película. Pois bem: entretanto recebi as digitalizações do rolo. As fotografias que ela tirou ficaram deliciosas!

Antes, porém, deixem-me dizer-vos que o sorriso que iluminou o rosto dela, quando lhe ofereci a máquina, foi simplesmente impossível de descrever. Tinha acabado de lhe dar uma máquina fotográfica, com um visor como as máquinas a sério. Tudo a um nível muito superior ao das fotografias tiradas com um telemóvel – e muito mais importante. Nunca vou esquecer aquele sorriso, nem a forma instintiva como ela levou a máquina ao olho direito (que é como uma câmara deve ser usada: essas coisas de visualizar num ecrã é fingir que se fotografa, não é fotografar).

A rapariga fotografou, essencialmente, os colegas e amigos que foram à sua festa de aniversário, mas os retratos – posso chamar-lhes assim sem exagero nem receio de parecer excessivamente influenciado pelo afecto que nutro pela Maria Luís – ficaram simplesmente enternecedores. E muito bem executados. Se não acreditam, vejam este:

Talvez um dia o M. V. M. consiga fazer retratos assim

E a reacção da Maria Luís ao ver as digitalizações no computador não foi menos interessante. Propus-lhe mandar imprimir algumas das fotografias, no que ela assentiu; quando lhe perguntei quais queria ter em formato-papel, ela respondeu prontamente: «todas!» É evidente que não vão ser todas: há fotografias falhadas (mas qual de nós é capaz de expor um rolo, ou completar uma sessão fotográfica, sem falhar fotografias? Eu cá não sou, apesar de todo o cuidado que ponho na escolha dos motivos), mas a verdade é que são poucas. São mesmo poucas. Não estou a ser nepotista.

Há coisas que me deixam feliz e me fazem esquecer os contratempos.

M. V. M.

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