Back in Black (and White)

De volta ao tema deste blogue para dizer, como Arnold Schwarzenegger, I’m back. E, parafraseando os AC/DC, Back in Black – ou melhor, in black and white. Agora que recebi as digitalizações das fotografias que fiz com o Ilford Pan 400, já tenho alguma coisa a dizer.

Antes de me referir às características desta película, porém, algumas considerações sobre este regresso ao preto-e-branco. Voltar às películas pancromáticas depois de um ano a fotografar a cores foi como voltar a casa depois de uma longa estada num país estrangeiro. Um país agradável, mas que não é a terra à qual pertenço. Vejo que a minha estética se adequa muito mais ao preto-e-branco do que à cor. Eu não sou um fotógrafo de renome nem para lá caminho, mas se o fosse seria mais da escola de Ray K. Metzker que da de Harry Gruyaert.

Curiosamente, ao comparar duas fotografias do mesmo local – uma a cores e a outra a preto-e-branco –, senti que, embora a fotografia a preto-e-branco fosse mais coerente (em termos puramente gráficos), lhe faltava qualquer coisa que a fotografia a cores tinha em abundância: a primeira parecia recessa, sem vivacidade, sem snap. Talvez seja apenas uma questão de hábito – mas lá que a fotografia a cores me pareceu mais vívida e vibrante, pareceu.

Felizmente não tenho de fazer opções definitivas. Se me apetecer, o próximo rolo pode ser a cores. A experiência não foi de todo de rejeitar. Se tivesse de fazer uma escolha tão drástica, porém, creio que optaria pelo preto-e-branco. Com ele as linhas e os volumes ganham maior importância e eu preciso desse contexto gráfico.

Dito isto, a película que usei neste meu regresso ao preto-e-branco é um bastardo da Ilford. É uma película que é feita para mercados específicos – está para a Ilford como o C-Elysée para a Citroën –, mas, tal como aqui em Portugal acabamos a comprar carros como este último e o Fiat Tipo, também aqui o Ilford Pan 400 é uma alternativa barata ao luxuriante HP5.

O Pan 400 é, ao que me parece, um Kentmere 400 rebaptizado. Não tenho muita certeza quanto a isto – é lógico, pois a Kentmere e a Ilford pertencem ambas à Harman Technology –, porque o Pan 400 parece-me ter características de resolução que o aproximam seriamente do HP5. Não sei onde a Ilford conseguiu cortar quase 2 euros ao valor do HP5 se assim for, mas o que é certo é que as fotografias que recebi se assemelham em muito às que havia feito anteriormente com o HP5. Há um menor requinte na apresentação: neste particular, o Pan 400 lembra-me mais o Fomapan 200 ou o já referido Kentmere 400, embora com um recorte mais pronunciado dos objectos. (Mas as altas luzes são tipicamente Ilford.) O grão é interessante e expressivo, o que é uma vantagem sobre o HP5, cujo grão faz com que as pessoas pareçam acometidas de varicela.

Mais do que maçar o leitor com elementos técnicos (quanto aos quais, de resto, não tenho habilitações para me pronunciar), importa responder a uma questão importante: é bom negócio poupar cerca de um euro e meio e preterir o HP5 em favor do Pan 400?

A resposta é: sim. Esta película dá uma resolução semelhante e, embora a qualidade de imagem pareça inferior, não se perde realmente muito. A Ilford faz muito bem em oferecer esta película: as suas películas perdiam posição de mercado para rolos como os Fomapan e Agfa APX e o nome Ilford vende mais que o Kentmere. A despeito de já não existir o sufoco económico de há apenas dois anos, gastar um-euro-e-meio para adquirir uma película que é pouco melhor que a sua equivalente mais barata faz pouco sentido.

M. V. M.

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