Da casualidade

Por Andrea de Franciscis

Por vezes acontece-me. Nem sempre, mas por vezes. Ando pela internet ociosamente, à procura sei lá bem de quê, quando deparo com algo que me parece merecedor de particular atenção. Aconteceu outra vez neste dia 27 de Maio: andava à procura de qualquer coisa (neste caso, da forma correcta de pronunciar um certo apelido italiano de ressonância altamente medieva, mas não posso de momento revelar por que fazia tão estranha busca) quando descobri um conjunto de fotografias que me pareceu excelente, dentro do estilo situado entre o documental e o emotivo que a maravilhosa Mary Ellen Mark usou quando fotografou “Rat” e outros miúdos marginais de Seattle, mas possivelmente com menor envolvimento entre fotógrafo e fotografados.

O fotógrafo cuja obra descobri chama-se Andrea de Franciscis, italiano que vive na Índia. Ele é o autor de uma série de fotografias, que descobri num artigo do website Narratively, sobre os viciados invisíveis da Índia. São fotografias chocantes de crianças viciadas em drogas (algumas improvisadas, como cola e líquido corrector), mas extraordinárias pelo seu sentido de composição e pelo preto-e-branco belíssimo.

Por Andrea de Franciscis

As minhas pesquisas sobre este Andrea de Franciscis – continuo sem fazer a mais pequena ideia sobre a pronúncia correcta deste apelido (dé frantxíchis?) – levaram-me também ao website do Centro Italiano de Fotografia, que dedica uma página ao recém-descoberto (por mim e, espero, pelos meus leitores) fotógrafo italiano. As fotografias que figuram nessa página estão num território que se situa a este de Steve McCurry e a oeste de Raghubir Singh (ou vice-versa). Têm mais vida que as do Grande Mestre do Photoshop, mas são mais formais e rígidas que as de Singh. Em todo o caso, são interessantes no rigor e na técnica, que é usada com bom gosto e na medida do necessário para dar expressão à imagem.

Pensei que seria boa ideia dar a conhecer este fotógrafo aos meus leitores. Decerto não é um dos rostos que mudou a história da fotografia artística, mas conseguiu produzir beleza a partir da sordidez e fotografou a Índia mostrando a sua essência sem cair no cliché estafado. Penso que, por estes dois motivos, merece menção aqui no Número f/ – e decerto merece que os leitores dêem uma espiada nas suas fotografias.

M. V. M.

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