O Sal da Terra

Façam um favor a vós mesmos: dediquem uma hora e cinquenta minutos das vossas vidas a ver isto. É o documentário que Wim Wenders fez sobre Sebastião Salgado. Vão ver que vai valer a pena.

Valer a pena? Que digo? Se gostam de fotografia e a compreendem como forma de arte, talvez ver isto mude a forma como encaram a fotografia – e, quem sabe, as vossas vidas. Talvez vos aconteça o mesmo que a mim e fiquem com a convicção que, depois de Sebastião Salgado, não vale a pena fotografar mais. Ninguém vai fazer melhor que ele, do ponto de vista visual como do conteúdo. Poderá fazer-se diferente, nunca igual ou melhor. Sebastião Salgado levou a fotografia a um ponto de não retorno, como se a tivesse cristalizado e tornado inamovível. Nada mais há a dizer – fotograficamente – porque ninguém vai dizer nada que Sebastião Salgado não o tenha dito. Ele levou a fotografia ao extremo, de tal maneira que é impossível ir mais longe. Este homem reduziu fotógrafos como Steve McCurry à condição de fenómenos circenses. Em Sebastião Salgado tudo é majestoso, poderoso, intenso, de uma dimensão que por vezes parece superar a capacidade humana.

Também pode acontecer que, como eu, vos sintais minúsculos, insignificantes e inúteis depois de ver isto, porque a dimensão de Sebastião Salgado não se reduz à fotografia: é um homem que alcançou tudo na vida, que teve sempre consciência do seu lugar no seio da humanidade e, à sua maneira, a tornou melhor. É um ser humano compassivo, alerta e interventivo. Vai deixar muito mais no mundo que a sua prole.

M. V. M.

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