Mais sobre edição de imagem

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Não há volta a dar-lhe: qualquer fotografia, tal como a câmara a captou, é insuficiente. Seja gravada num negativo – ou diapositivo – ou num sensor, nenhuma imagem está em condições de ser mostrada sem antes passar por uma fase de manipulação; quando nos referimos à fotografia analógica, esta fase desdobra-se na revelação e na ampliação (ou, em complemento ou alternativa a esta última, na digitalização); no campo da fotografia digital, esta manipulação denomina-se edição de imagem.

Logo por aqui se vê que, afinal de contas, não existe uma diferença tão acentuada entre os dois domínios. E as diferenças esbatem-se ainda mais quando se fotografa em Raw ou em negativo digital (DNG). Neste caso a edição de imagem no computador é uma verdadeira revelação digital. A manipulação – uso esta palavra sem o menor intuito pejorativo – da fotografia analógica consiste, numa primeira fase, na revelação. Logo aqui se pode alterar características como a tonalidade e o contraste, sendo as fotografias gravadas em rolo de película, contudo, menos manipuláveis neste estádio do que as chapas. É nestas que se pode aplicar todo o legado de Ansel Adams: só havendo uma imagem, é possível aplicar-lhe máscaras e outras ferramentas, o que é impossível com os rolos, que são revelados em bloco. As fotografias gravadas em rolos de película podem, contudo, ser manipuladas na ampliação: nesta etapa pode ajustar-se a geometria e usar-se inúmeros meios de fazer variar a tonalidade e o contraste.

A fotografia digital tornou tudo isto mais fácil: era possível manipular fotografias analógicas, mas agora pode-se aplicar todas as ferramentas usadas na revelação e na ampliação de uma forma simples e eficiente. A edição de imagem tem um alcance e importância tal que atinge o paradoxo de contribuir para a subsistência da fotografia analógica, já que é possível processar digitalmente as digitalizações das películas. Pode facilmente adicionar-se elementos ao enquadramento, o que na fotografia analógica implicava duplas exposições ou sobreposições de negativos (o que era uma arte, mas consumia tempo e recursos), pode distorcer-se a perspectiva ad absurdum e operações como manipular o tom e o contraste tornaram-se básicas. A edição de imagem levou os limites da manipulação das fotografias tão longe que o último limite é as opções estéticas – ou mesmo éticas – do fotógrafo.

Por tudo isto, é importante não ter preconceitos quando o assunto em discussão é a edição de imagem. Ela não é mais do que aquilo que se fazia nos tanques de revelação e no ampliador, mas transferido para um computador. Contudo, sempre direi que a fronteira é exactamente esta: tudo o que exceda este uso da edição de imagem torna a fotografia numa falsidade.

As opções e variáveis são tantas que nem sei por onde começar. Também aqui é importante deixar as preferências de lado: não faz sentido pintarmo-nos com as cores de guerra de um determinado programa de edição de imagem e irmos para a internet atacar quem usa programas de outras marcas. O que deve ser feito é experimentar todos os programas – penso que não há nenhum, entre os pagos, que não ofereça a possibilidade de experimentar gratuitamente por um mês – e determinar qual aquele que produz os melhores resultados com menos trabalho. No meu caso, o DxO foi escolhido depois de o comparar longamente com o Lightroom (e tendo por referência o Olympus Viewer 2, gratuito para quem tem câmaras Olympus), mas outras pessoas poderão preferir outros programas.

Depois há que ver se não haverá um programa que corresponda a necessidades específicas: por exemplo, eu tenho por seguro que a melhor maneira de converter um ficheiro Raw para preto-e-branco é usar o Photoshop e escolher a opção Image → Mode → Grayscale (foi um gráfico experiente quem me deu este conselho, que sigo mais ou menos religiosamente), mas há quem não prescinda de filtrar os laranjas no Lightroom. Tudo bem. São metodologias que, no fundo, servem o mesmo objectivo.

Ainda quanto às necessidades, é talvez importante ter em conta que nem todos os programas de gráficos são importantes para quem fotografa. O Photoshop (propriamente dito, o da Adobe) e o Corel Photo-Paint não são estritamente necessários porque são programas vocacionados para artes gráficas. Quem os utiliza exclusivamente para retocar fotografias apenas aproveita 10% – ou menos – das funcionalidades dos programas. O mesmo se diga do clone open source do Photoshop, o Gimp. Estes programas, salvo quando são usados numa cloud (como o Photoshop CC), só servem para ocupar espaço no disco do computador.

Por fim, há que fazer escolhas baseadas no preço. O Lightroom pode ser usado em cloud, poupando espaço no disco, mas esta é uma opção bastante gravosa. Há programas pagos de altíssima qualidade, como o Phase One Capture One e o DxO, e há programas open source, como o Darktable que, ao que dizem, é muito bom. E, evidentemente, há também os que as marcas oferecem com a compra das suas câmaras. Por exemplo, os utilizadores das Fujifilm com sensores X-Trans obterão resultados menos que sofríveis com o Lightroom (o DxO nem se dá ao trabalho…), mas poderão ficar incrivelmente satisfeitos com o MyFinePix Studio.

Como vêem, a edição de imagem é um mundo variado e cheio de escolhas. Não me cabe a mim dizer quais as melhores. Como diria o eterno Morrissey, Why Don’t You Find Out For Yourself?

M. V. M.

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