Fuji Superia X-Tra 400

img-036

Nem de propósito: eu a publicar um texto altamente sarcástico sobre a Fujifilm e as digitalizações do rolo Fujifilm Superia X-Tra 400 a chegar via Dropbox, pela mão do inestimável Raúl Sá Dantas. Como já devem ter percebido pela comparação entre as duas circunstâncias, não tenho muito de bom a dizer da película que expus. Também não tenho nada de terrivelmente mau a relatar, na verdade, mas as minhas objecções são suficientes para rejeitar o X-Tra 400.

Lembram-se do que escrevi acerca do Agfa Vista 400? Pois bem: todas as características deste último estão presentes no Fujifilm. Os desvios das matizes são praticamente os mesmos e a aparência da imagem é, no geral, muito idêntica. Isto não é surpresa nenhuma, porque sabemos que a película Agfa é feita pela Fujifilm, mas existe uma diferença – há mais, mas são subtis – que me intriga: o grão. As fotografias que fiz com os Agfa são muito granulosas, como provavelmente seria de esperar de uma película ASA 400, mas o grão deste Fujifilm é horrível. A imagem ganha um aspecto grosseiro, sem sofisticação de qualquer espécie (não que o Agfa Vista seja muito límpido e sofisticado, mas fica a ganhar na comparação). Péssimo.

O Agfa e o Fuji partilham o tingimento vermelho que resulta muito bem com objectos nos quais essa cor é bastante viva, mas interfere com outras matizes (especialmente com os amarelos) de uma maneira que nem sempre é positiva. Por exemplo, a areia fica parecida com terra. Depois há os famosos verdes da Fujifilm. É simples – os verdes do Superia X-Tra são excelentes. Hélas, são, juntamente com os vermelhos, os únicos tons em que esta película pode ser considerada precisa. O problema é que o entusiasmo da Fujifilm pelos verdes faz com que estes tons invadam motivos iluminados artificialmente. O que resulta muito bem em alguns ambientes, mas não em todos, Naqueles em que resulta bem, contudo, resulta mesmo muito bem, dando à imagem uma atmosfera muito cool.

Simplesmente, a Fujifilm Superia X-Tra 400 não tem nada que a destaque da Agfa Vista. Pelo contrário, adiciona-lhe um tingimento verde espúrio e um grão insuportável. Os rolos Fujifilm são mais caros que os Agfa – embora não muito –, mas não fazem melhor. A escolha entre os dois é muito óbvia: entre dois rolos de qualidade praticamente igual, mas em que um deles é marginalmente pior e mais caro, não vejo onde está a dificuldade na escolha.

Contudo, importa dizer que o Superia X-Tra é muito melhor que o Superia normal, que foi o primeiro rolo a cores que experimentei. O Superia 200 transformava os vermelhos em magentas e alguns azuis em cianos (o que fazia com que o mar parecesse uma piscina gigantesca). Neste particular, se o amador da fotografia estiver irremediavelmente amarrado à Fujifilm e não estiver disposto a pagar o preço do 160 NS e do Pro 400 H, nem quiser reduzir os seus padrões de qualidade usando o Superia standard, o X-Tra é o melhor rolo existente no mercado. A questão é que há escolhas fora do Planeta Fujifilm, e uma delas é tão boa ou melhor e mais barata (refiro-me, evidentemente, ao Agfa Vista).

Penso que esta experiência me ajudou a assentar numa película a cores. Apesar de gostar de experiências, não passo sem ter um ponto de referência, como o marujo que passa a vida a viajar mas tem sempre um porto de abrigo para onde gosta de voltar. (Eu sei que esta metáfora é pirosa, mas são 23h38 e eu tive um longo dia.) No preto-e-branco, esse porto de abrigo ao qual retorno sempre é o Ilford FP4; na cor, será provavelmente o Agfa Vista. Não, não é perfeito – mas é versátil: as cores são razoavelmente correctas de dia e aguentam-se muito bem à noite (ao contrário do Kodak Portra, que custa quase o dobro do preço). Os meus próximos rolos a cores vão ser os Agfa (mas vou ficar dia e noite a matutar como o fabricante de uma película produz artigos de mais qualidade para os outros do que para si mesmo).

M. V. M.

Anúncios

2 thoughts on “Fuji Superia X-Tra 400”

  1. Recentemente enviaram-me os resultados de um Kodak Ultramax 400 ( via Raúl Sá Dantas).
    Não desgostei, as cores não são muito saturadas e não tem muito grão.
    No entanto não posso deixar de pensar que os resultados que nos chegam são resultado de um processamento digital que nós não controlamos e que duvido que retire todo o potencial da película, quer em termos de cores, tons, resolução e nitidez.
    Daí, ultimamente, ser visitado pela ideia de: e se fosse eu a fazer o scanner à fotos? qual seria a diferença? e que scanner?
    De qualquer das formas a era digital ajudou em muito a um “ressurgimento” da fotografia de película, e isso é bom.

    1. Boas.
      Curiosamente, já tive oportunidade de conversar com R. S. D. acerca da maneira como ele digitaliza películas. É muito simples: tudo o que faz é ajustar o ponto branco e o ponto preto. Mais nada. E as diferenças entre os diversos rolos são bem visíveis: apesar de serem parecidos na apresentação, o Agfa Vista e o Fuji X-Tra são diferentes e essas diferenças notam-se muito bem nas digitalizações.
      Por outro lado, é improvável que vá usar um scanner tão bom como o Epson V750 do R. S. D. Pondere isso muito bem!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s