Shocker!

Resultado de imagem para ektachrome

Apesar de estar a decorrer a CES, na qual já foram lançadas câmaras importantes como a Panasonic GH5 e a Nikon D5600, a notícia do dia de hoje, 6 de Janeiro de 2017, foi o anúncio, feito pela Kodak Alaris, de que a produção do Ektachrome ia ser reiniciada.

Acredito que esta notícia pode levar muita gente a sair eufórica para rua em celebração (o que pode ser algo impróprio se for lida logo a seguir ao duche matinal), mas não obstante eu ser um entusiasta da fotografia analógica que ainda está a tentar determinar qual a película a cores mais adequada aos seus gostos, posso dar por certo que essa película não é o Ektachrome.

Com efeito, o Kodak Ektachrome é – para quem ainda não o saiba depois do furor que a notícia causou – uma película para slides (ou, mais adequadamente, diapositivos). Ao contrário dos negativos, nos quais os tons e as cores surgem invertidos, nas películas para diapositivos a imagem é vista tal como ela é na realidade, o que quer dizer que pode ser projectada directamente depois de revelada. O Ektachrome era uma película reputada pelas suas cores neutras e precisas – ao contrário da Kodachrome, que era conhecida pelas suas cores saturadas. (Há quem diga que um dos motivos pelos quais a Kodak perdeu a supremacia no mercado dos diapositivos foi o Ektachrome ter sido deixado sozinho quando a Kodak cessou a produção do Kodachrome, o que foi aproveitado pela Fujifilm para impor os seus Astia, Provia e Velvia.)

Ora, eu nunca me deixei tentar pelos diapositivos. Principalmente por ser conhecedor de que estas películas têm uma gama dinâmica extremamente limitada, sendo demasiado fácil estourar as altas luzes ou perder o pormenor nas sombras devido à sua latitude estreita, mas também por razões monetárias: estas películas custam todas preços que se escrevem com dois algarismos. Pelo contrário, as películas de negativos a cores têm um alcance dinâmico de cerca de quatro EV’s. É preciso ser particularmente inábil (ou ter o fotómetro avariado) para estourar as altas luzes ou escurecer as sombras com películas de negativos. É certo que as imagens feitas com película de diapositivos são maravilhosas, mas as de negativos de médio formato ainda o são mais e, se descontarmos a despesa com a câmara, saem mais baratas. De resto, não me parece que a diferença de preço entre negativos e diapositivos justifique a aquisição destes últimos: o acréscimo de qualidade não é proporcional à diferença no custo.

Então será esta uma notícia que me deixa indiferente? Não, de maneira nenhuma. Ela é mais uma prova de que a película está a conhecer um renascimento em tudo semelhante ao que tem vindo a acontecer com os discos de vinil desde o final dos anos 90 do século passado. Isto pode ser uma surpresa para a maioria das pessoas – ainda hoje li um comentário que comparava esta notícia ao retomar da produção do Ford T, o que apenas prova que essa pessoa não tem nada a não ser ar naquela cabeça –, mas não para os que nunca deixaram de acreditar na película. É, por isto, uma boa notícia.

Agora só falta que um ou dois fabricantes japoneses façam o que a Rega e a Pro-Ject sempre fizeram, com os seus gira-discos de alta qualidade e relativamente acessíveis, e apresentem máquinas fotográficas analógicas como as SLR dos anos 70 (a Nikon FM10 não conta: é uma máquina de plástico encomendada à Cosina). Quem sabe este não pode tornar-se num nicho altamente lucrativo… Pelo menos a Kodak pensa que é.

M. V. M.

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