Factor X

Resultado de imagem para fujifilm superia x-tra 400Como sabemos, a Fujifilm tem uma obsessão pela letra “X”. A despeito de esta antepenúltima letra do alfabeto poder ser usada como incógnita – e o mundo empresarial não costuma gostar do desconhecido –, a Fuji usa-a prolificamente. Ele é a Fuji X-100, X-Pro, X-T, X-A, X-E… e todas, excepto a X-100, com a baioneta – adivinharam! – “X”. Até na nova câmara de médio formato conseguiram meter um “X”, chamando-lhe GFX. E, como seria mais ou menos previsível, a tecnologia do sensor que é a menina dos olhos da Fuji chama-se X-Trans.

Por alguma razão, a letra “X” é usada frequentemente como sinal de desenvolvimento e sofisticação tecnológicos. Talvez por causa do acrónimo XPTO, tão abundantemente utilizado nos filmes de animação, que designa «experimental». Ou por outra razão qualquer. Até nos automóveis é assim: a Citroën teve uma fase em que todos os seus modelos tinham um “X” (AX, BX, CX, XM, ZX, Xantia). E não esqueçamos o Castrol GTX.

Esta predilecção da Fuji pela letas “X” é conhecida da maioria dos leitores. O que muitos poderão não saber é que esta mania já vem dos tempos da película, uma vez que a Fuji fabricava (e ainda fabrica, como veremos daqui a pouco) películas denominadas X-Tra. Aparentemente, o X-Tra (nada que ver com o árbitro de futebol português Carlos X-Tra) denomina uma quarta camada de cor, sensível à tonalidade ciano, mas a própria Fuji não fornece muita informação acerca desta tecnologia.

Tudo isto só para dizer que começo o ano de 2017 experimentando uma nova película, que é, como os leitores mais perspicazes já terão certamente adivinhado, da Fujifilm. Não é um dos caríssimos 160NS ou 400H, nem os slides Velvia ou Provia, mas também não é o péssimo Superia 200, que experimentei uma vez e não gostei: converte os vermelhos em magentas. O rolo em questão é o Fujifilm Superia X-Tra 400. Decidi experimentá-lo porque não posso dizer que tenha ficado inteiramente satisfeito com o Agfa Vista, pelo que a minha demanda pela película a cores ideal ainda não acabou.

O que eu procuro, numa película a cores, é provavelmente uma utopia: quero que mantenha a acuidade dos tons debaixo de circunstâncias de iluminação difíceis, sem comprometer o equilíbrio das cores sob luz do dia; e quero cores que, não sendo mortiças, sejam discretas, não incorrendo em exageros de saturação. Sejam quais forem as condições de luz. O Kodak Portra 160 foi o que melhores resultados me deu com luz natural, mas nas exposições longas as cores tornam-se antiquadas e desagradáveis. O Kodak Ektar 100 é exactamente o oposto. Rolos como o Kodak Gold 200 e o Ferrania Solaris divertiram-me, mas não é aquelas cores garridas o que eu quero verdadeiramente.

O Agfa Vista, apesar do seu grão excessivo e de não ser muito preciso na descrição dos verdes e dos vermelhos, é o rolo que até hoje se aproximou mais do equilíbrio que pretendo; mas, se é verdade que resulta bem no geral, e que algumas das fotografias que fiz com ele ficaram surpreendentemente boas, as suas limitações são evidentes. Daí que não tenha dado a minha procura por concluída. Contudo, se este Fuji X-Tra não me der resultados melhores, o Agfa poderá tornar-se no meu rolo a cores de eleição. É certo que as cores precisarão de uns retoques no programa de edição de imagem, o que de certa maneira desafia o que se pretende de uma película, mas terá de servir.

Não espero muitas diferenças na qualidade geral entre o X-Tra e o Agfa, uma vez que é a Fujifilm que fabrica este último; mas penso poder esperar uma apresentação das cores melhor. Afinal, uma das cores em que o Agfa falha – o verde – é aquela que se considera ser o ponto forte da Fujifilm. Até o Superia 200, que é de resto muito fraquinho, mostra uns verdes excelentes. Mas por enquanto, o desempenho do Fuji Superia X-Tra é uma incógnita (see what I did here?).

M. V. M.

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2 thoughts on “Factor X”

  1. Da Fuji usei C200 e gostei, fez-me de certa forma voltar ao rolo e ás cores.
    Já usei o superia 200, fora do prazo. Talvez por isso não seja muito conclusivo.
    Tenho para revelar o Kodak ultramax400 e neste momento tenho o Kodac colorplus200 na NikonFm.
    As revelações são feitas na Câmaras&Companhia – após testar algumas casas – e deram-me resultados bastante satisfatórios.
    Depois é ver as fotos do William Eggleston, Fred Herzog, Saul Leiter, repirar fundo e ir….
    Já agora, Bom ano de 2017!

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