Lazy Sunday Afternoon

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1. Ontem, quando deixei aqui as minhas opiniões acerca do Agfa Vista, escrevi que a minha apreciação tinha de ser lida cum grano salis. Pois bem: hoje passei uma parte substancial da manhã a editar as digitalizações no computador, usando o DxO Optics 9. Já vamos às fotografias, mas para já devo acrescentar aqui que aproveitei o facto de a DxO ter estado a oferecer a versão 9 do programa de edição de imagem (que já vai na versão 11) para fazer um ligeiro upgrade, já que tinha a versão 8. As diferenças entre ambas as versões não são muitas – ao contrário do que notei quando evoluí da versão 7 para a 8 – e, sobretudo, este software continua a não reconhecer as digitalizações de negativos a preto-e-branco em formato TIFF. Não sei se a oferta ainda é válida, mas se for vale a pena descarregá-la e experimentar.

De volta ao Agfa Vista 400, dei por mim a fazer retoques mínimos, que incidiram sobretudo nas matizes vermelha, amarela, magenta e ciano que afectavam algumas fotografias. Curiosamente, em muitas preferi a apresentação anterior às correcções e regressei às versões originais. O Vista não é, afinal, assim tão mau. É pena o grão, mas as falhas que podem ser apontadas são perdoáveis se atendermos ao preço que custa cada rolo.

2. Voltei à exposição da Leica e, como prometido, levei um bloco de notas. Quis apontar nomes de fotógrafos que me interessaram e que ainda não conhecia. Não posso dizer que tive momentos de transcendência quando pesquisei a maioria desses nomes, mas alguns desses fotógrafos têm obra muito interessante. Dos vinte e um nomes que anotei, interessaram-me sobretudo os de Ricard Terré, Ramón Masats, Ara Güler, Paolo Roversi e Bruce Davidson. E, sobretudo, o de um fotógrafo que nos deixou neste ano de todas as mortes: Saul Leiter.

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Por Saul Leiter

Saul Leiter, como Joel Meyerowitz, foi um fotógrafo de rua que usou a cor. Isto interessou-me: como escrevi na semana passada, agora parece haver uma regra não escrita que obriga a fotografar na rua a preto-e-branco, mas o que é certo é que a vida é a cores. Tem-se abusado do preto-e-branco – e contra mim falo, porque tenho uma preferência pelo preto-e-branco e fotografar a cores é como falar uma língua estrangeira que não domino – ao ponto de se chegar ao extremo de a fotografia monocromática se tornar cliché. E nem é preciso ir aos grupos do facebook para perceber como este uso abusivo do preto-e-branco está a esvaziá-lo de interesse. Corremos o risco de um dia rejeitarmos fotografias de rua a preto-e-branco por nos parecerem banais.

Uma coisa é certa: a fotografia de rua ficou indelevelmente associada ao preto-e-branco. Deste modo, o emprego da cor na fotografia de rua tornou-se num desvio à norma, num acto de verdadeira subversão. E os mais subversivos dos fotógrafos são estes dois: Saul Leiter e Joel Meyerowitz. Eles aliam a narrativa dos pequenos episódios quotidianos ao elemento cor, que se torna proeminente na composição e domina visualmente a imagem. As cores de Leiter são fortes e saturadas, as de Meyerowitz mais subtis, mas há em ambos uma vontade de apreender a vida no que ela tem de vibrante e intenso, sem contudo abdicar da estética e do estilo.

3. Aposto que nem Leiter nem Meyerowitz ganharam daqueles prémios que premeiam fotografias vazias que vivem exclusivamente da técnica. Como o Travel Photographer Of The Year, por exemplo. Este ano o nosso Joel Santos ganhou vários prémios, com as fotografias fastidiosamente editadas e normalmente vácuas e frívolas que caracterizam o seu estilo, mas houve uma que posso considerar brilhante, que é esta:

https://2.img-dpreview.com/files/p/articles/1164168512/TPOTY16-Win2-JSantos.jpeg

Curiosamente, foi feita com um drone. Deveria abominá-la só por isso, ou por não apreciar o seu autor? Com certeza que não. Esta fotografia é extremamente interessante e o seu autor está de parabéns.

4. Já que me refiro a um português, pesquisem este nome: Victor Palla. Foi sobretudo um designer gráfico, mas também um fotógrafo de excepção. Um dos poucos portugueses expostos na Eyes Wide Open.

M. V. M.

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2 thoughts on “Lazy Sunday Afternoon”

  1. Relativamente a fotógrafos de “cor” deixo aqui algumas recomendações:
    Fred Herzog
    Luigi Ghirri

    Se ainda não conhece, acho que valerá a pena.
    Abraço

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