Agfa Vista 400

img-031

A Agfa é uma companhia europeia antiga; como todas as companhias europeias antigas, tem uma história extremamente interessante, tendo-se tornado numa das gigantes da imagiologia. Sendo o resultado da fusão de duas companhias que se desenvolveram separadamente – a Agfa na Alemanha, a Gevaert na Bélgica –, a Agfa-Gevaert BV não tem, hoje em dia, a importância que teve para a indústria fotográfica até finais do século passado.

Embora a Agfa-Gevaert ainda exista, e continue a produzir película, já não tem a dimensão que tinha quando os seus produtos rivalizavam com os da Zeiss e a película que produz é para fotografia aérea. Curiosamente, não é a Agfa-Gevaert que produz a película Agfaphoto: a película para fotografia aérea é cortada, inserida em rolos e vendida ao público pela Lomography e pela Rollei. A Agfaphoto, essa, encomenda película à Fujifilm. Digamos que os APX, Vista e Precisa são películas OEM, que são fabricadas no Japão para uma companhia denominada Lupus Imaging Media (que é, aparentemente, a proprietária da marca «Agfaphoto»). Portanto, a película Agfa não é Agfa e a película que a Agfa faz também não. Eu sei que é confuso, por isso nem sequer me vou esforçar por perceber como isto tudo aconteceu.

O que eu sei é que, para película Fujifilm, o Agfa Vista 400 tem uma deficiência surpreendente: os verdes são péssimos. Mortiços na melhor das hipóteses, completamente deslavados e esbranquiçados na pior. O Agfa Vista 400 só não me merece impropérios por o seu preço ser tão modesto, mas posso dizer que, sendo mais caro, consegue ser apenas ligeiramente melhor que o Fuji Superia 200, que é um dos piores rolos a cores que experimentei.

Esta minha apreciação tem de ser lida cum grano salis. Os rolos que usei até hoje, com a aparente excepção do Ferrania Solaris, do Kodak Gold e do Superia, são para uso profissional. A sua qualidade está a léguas da dos rolos vendidos ao público em geral. Deste modo, quando digo que o Agfa Vista é sofrível, é como se estivesse a referir-me a, digamos, um Opel Insignia: este fica a perder para os modelos equivalentes da Mercedes, Audi e BMW – e mesmo para o Peugeot 508 –, mas é bastante melhor que, digamos, um Volkswagen Polo. É tudo uma questão de escalão.

Dito isto, eu esperava que o Agfa Vista me desse cores subtis, mas correctas. A parte da subtileza é cumprida com algum aprumo, mas a correcção deixa qualquer coisa a desejar. Muitas das fotografias que fiz foram invadidas por uma matiz vermelha que adulterou alguns tons. Por exemplo, a areia mais parece terra. Os amarelos parecem ser a cor que mais sofre com esta matiz. Avancei com a referência ao verde ainda antes de entrar na análise das características desta película porque, como todos sabem, a Fujifilm é reputada pela beleza dos seus verdes. Ora, esta beleza está completamente ausente do Agfa Vista 400, o que me surpreendeu. Este é um rolo que dá às fotografias um aspecto antiquado que não me agrada inteiramente.

O grão, como seria de esperar numa película ASA 400, é abundante. Contudo, esta película lembra as tentativas da minha Canon compacta em fotografar com valores ISO superiores a 100: o ruído era inaceitável. O grão do Agfa Vista 400 é horrível nas fotografias feitas com pouca luz, embora discreto e virtualmente indiscernível nas demais.

Então há alguma coisa de bom a dizer a favor desta película? Sim. Os azuis são espectaculares, embora de tempos a tempos possam surgir um pouco desbotados. Quando a luz ambiente é boa, o tingimento vermelho e o grão não afectam demasiado a qualidade da imagem, apenas restando a questão da vibração das cores, que é sobretudo uma questão de gosto. Por mim, prefiro um bocadinho mais de saturação. E o tingimento, diga-se, é bem mais benigno do que quando são as matizes ciano e magenta a invadir a imagem.

img-020

E é uma boa película para fotografar à sombra. Embora os melhores resultados surjam com luz solar pouco intensa, como a que é típica do Outono e Inverno, nas fotografias feitas à sombra – ou, genericamente, com luz escassa – inexiste o tingimento azul que afecta as películas calibradas para luz do dia, como a Portra 160.

Por tudo isto, o Agfa Vista é um rolo que tem defeitos e virtudes. Quanto a mim, os primeiros não chegam a sobrepor-se às qualidades e os únicos vícios que podem ser considerados redibitórios – pelo menos para alguns – são o tingimento vermelho e o grão excessivo. O resto pode até agradar aos adeptos de cores mortiças que se dedicam a um certo tipo de fotografia que está agora muito em voga.

Quanto a mim, penso que consigo obter resultados muito interessantes a partir do Agfa Vista depois de corrigidas as cores na edição de imagem. Simplesmente, usar a manipulação digital é uma das coisas que pretendo evitar: ainda estou à procura de uma película a cores que não precise de retoques no computador. Até agora, a que mais me satisfez foi a Kodak Gold 200, mas não morro de amores pelas suas cores saturadas. A demanda da película a cores perfeita continua, e tenho receio que só a encontre a preços incomportáveis – como a Fujifilm 400H, cujos rolos atingem os dois algarismos na nossa divisa actual.

M. V. M.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s