Kentmere

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Hoje decidi enveredar de novo por caminhos desconhecidos. Decidi também exercitar a minha pedanteria britânica, que abandonei depois do Brexit (mentira: mantive-a sempre), adquirindo um rolo de uma marca britânica ainda mais afectada que a Ilford. A marca é a Kentmere. Este nome evoca imediatamente a aristocracia britânica, não sendo difícil imaginar algum Lord Kentmere discursando na Câmara dos Lordes; com um pouco de jeito, Oscar Wilde teria escrito O Leque de Lady Kentmere. Claro que, para terem uma noção de quão afectado é este nome, têm de pronunciá-lo com um tom profundamente britânico, tão afectado como o tom de Margaret Thatcher ou de uma dama da realeza tomando chá num salão de Bucknam Pellis com as suas comensais: qualquer coisa como Kent-miah, em que o “a” é aberto e subtilmente aspirado no fim (é um bocado difícil explicar isto por escrito, mas imaginem como John Cleese ou Eric Idle pronunciariam a palavra num sketch de The Monty Python’s Flying Circus para terem uma ideia do que quero dizer). Seja como for, é uma marca muito british, muito bigoted, muito afectada.

Não. Na verdade, apesar de o nome poder sugerir nobreza e ancestorship, a Kentmere é bem plebeia. É uma marca pertencente à Harman Technology, a proprietária da minha Ilford. O que, imagino, faz da Kentmere a irmã pobre da Ilford, porque os rolos Kentmere são substancialmente mais baratos. A Kentmere foi, aparentemente, comprada pela Harman para ser distribuída pelos circuitos comerciais mais comuns, como cadeias de supermercados e centros comerciais, reservando à Ilford um lugar mais, digamos, especializado. Por exemplo, a Kentmere não faz película 120 nem chapas para grande formato, cingindo-se aos rolos 135.

Seja como for, parto para a experiência sem preconceitos e sem saber o que pensar desta película. O rolo que adquiri é ASA 400, pelo que, uma vez que acabei de expor um rolo Ilford HP5, será interessante comparar o desempenho de ambas. A única preconcepção que pude validar nas minhas deambulações cibernáuticas é que o grão é ainda mais abundante do que no HP5, mas depois de ver o que Paulo Nozolino faz com películas granulosas, este factor pode não ser inteiramente negativo. Depois eu conto-vos – daqui a dois meses, ou qualquer coisa assim. Para já, tenho comigo um rolo que me custou menos um euro e meio que o Ilford HP5. O que não vai ser determinante na minha escolha porque, se o preço fosse assim tão importante – é-o apenas o suficiente para não usar o Fujifilm Neopan e rolos de slide –, a esta hora estaria a usar os Fomapan ou os Agfa APX. Não sou rico, mas também não sou forreta ao ponto de comprometer o aspecto visual que quero para as minhas fotografias por causa do preço.

Seja como for, vai ser um motivo de prestígio dizer que uso película Kent-miah.

M. V. M.

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