«Someone is wrong on the internet»

Por vezes é difícil manter um blogue. Mesmo quando se tem a consciência de que se pode ser lido por um universo de pessoas e, em consequência, se sente a necessidade de escrever o que parece certo – o que é sempre uma apreciação subjectiva, evidentemente –, há sempre quem entenda que sabe mais, é mais esperto, mais inteligente e mais atento.

Estas pessoas não fazem nada de construtivo: limitam-se a navegar na internet e a criticar. Nos casos mais extremos, têm apenas por propósito suscitar reacções negativas: são os trolls. Noutros casos, comportam-se como se o autor do blogue tivesse a obrigação de lhes fornecer a informação que consideram correcta (nunca compreenderão que o que é «correcto» para eles pode não ser para os outros) e de pensar como eles. Estas pessoas agem, de uma maneira geral, como se tivessem toda a razão do mundo e sentem-se no direito de verberar quem tem opiniões diferentes das deles.

O que mais me aborrece é que pessoas como estas têm uma atitude que é meramente parasitária: deparam com um determinado blogue ou um website, inundam a caixa de comentários com a sua sapiência – ou o que eles se deixaram convencer que é «sapiência» – e sentem-se no direito pleno de criticar e insultar quem teve a infeliz ideia de colocar opiniões diferentes das suas na internet. Nunca lhes passaria pela cabeça criar o seu próprio blogue ou manter uma atitude construtiva, porque o objectivo não é esse: é mostrar que são brilhantes e inteligentíssimos sem esforço e à custa do que outros escreveram. É mais fácil criticar que construir, é mais fácil vituperar que corroborar.

Isto é o que acontece quando, além do acesso generalizado, um determinado ambiente se caracteriza pelo anonimato ou, pelo menos, pela ausência de contacto directo com o interlocutor. A pessoa sente-se livre de dizer o que lhe apetecer porque não existem as barreiras subjectivas impostas pela presença física do opositor. Os debates na internet chegam a caracterizar-se por um grau de violência verbal que só tem equivalente nas discussões de trânsito.

Evidentemente, é impossível lidar com pessoas como estas. Mesmo quando apontam certeiramente um erro do autor do blogue ou website, perdem toda a razão porque são incapazes de conceber que alguém tenha uma opinião que seja diferente da deles. E estarem certos (ou julgarem que o estão) confere-lhes ainda maior arrogância e agressividade. Além de possuírem a particularidade de nunca estarem errados (pelo menos é o que pensam). E que dizer do seu conhecimento? Normalmente, não precisam de ter nenhum. Basta-lhes ir à internet procurar qualquer coisa que corrobore os seus pontos de vista, mas por vezes nem a tanto se dão ao trabalho: a opinião deles é a correcta porque sim e não têm necessidade de justificar ou fundamentar o que escrevem porque essas pessoas, como vimos, têm sempre razão e estão sempre certas. Como, aliás, toda a gente sabe.

Os mais irritantes destes parasitas bloguísticos são aqueles que copiam frases do autor do blogue ou site e as colam, entre aspas, no espaço de comentários, para de seguida desenvolverem as suas críticas. O que seria aceitável, mas o que fazem é truncar essas frases e retirá-las do seu contexto de modo a que pareçam absurdamente erradas e, sobretudo, que estejam em completa contradição com a opinião do comentarista. Porque na internet não se debate: guerreia-se.

Discutir com pessoas destas é uma perda de tempo. Não é por acaso que existe aquele dito, muito popular na internet, que estabelece uma analogia entre discutir na internet e participar nos Jogos Paralímpicos. Não existe, da parte do opositor, o propósito sério de debater e contribuir para atingir a verdade: tudo o que ele quer é mostrar que sabe mais que o autor do blogue ou site.

Ora, intelectualmente, isto é o mesmo que nada. Não mostra qualquer tipo de inteligência, pois apenas demonstra que a pessoa em questão não tem mais nada que fazer além de passar o tempo ociosamente na internet a parasitar páginas de outras pessoas e que essa pessoa não tem a inteligência de aceitar que haja quem tenha ideias diferentes das suas. O que é uma pena, evidentemente, mas é o que acontece quando certos indivíduos se libertam das suas inibições sociais a coberto da invisibilidade garantida pela internet.

M. V. M.

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