Vídeo

Hoje vou tratar um tema que não é vulgar no Número f/: o vídeo. O meu interesse é a fotografia, mas há dois factores que me levam a entender ser pertinente escrever sobre vídeo num blogue eminentemente fotográfico. O primeiro é o facto de fotografia e vídeo serem artes visuais. O segundo tem que ver com o equipamento: todas as câmaras digitais dos nossos dias, com excepção de algumas câmaras de nicho como as Leica M, estão equipadas com vídeo.

O motivo que me determinou a escrever hoje sobre vídeo não podia ser mais absurdo. Uma vez que faço alguns exercícios caseiros, com e sem levantamento de pesos, parece-me importante fazê-los correctamente, de maneira a evitar lesões. Tive dúvidas, em especial, quanto à maneira como executava um exercício que tem o nome peculiar de «bom dia», o qual consiste em fazer flexões do tronco para a frente segurando nos ombros uma barra com pesos, que se destina a exercitar os músculos erectores da espinha e lombares. (N. do A.: eu tenho a consciência plena de que o leitor está, neste momento, a passar-se com o texto mais estranho que leu no Número f/, mas peço-lhe que tenha um pouco de paciência.)

De maneira a monitorizar os movimentos que faço quando executo este «bom dia», resolvi subtrair a E-P1 a mais um período de hibernação, montá-la no tripé e filmar-me enquanto executava o exercício. Depois aproveitei para filmar outros exercícios. (Se estivesse num ginásio, o PT dir-me-ia se estava a fazer tudo bem ou não, mas os ginásios são caros e frequentados por gente que nada tem que ver comigo.) Foi a minha primeira experiência significativa com vídeo, e os resultados (que, se me permitem, não vou reproduzir aqui, especialmente por ter já apagado os clips de vídeo do cartão de memória) foram surpreendentes.

https://numerofblog.files.wordpress.com/2012/12/img_20111.jpg?w=300&h=225A qualidade do vídeo da E-P1 é extremamente interessante. Apesar de filmar em 720p e 30 fotogramas por segundo, o que pode ser considerado modesto quando comparado com uma Panasonic GH4 ou uma Canon 5D, a imagem tem excelente resolução e, mesmo nas condições de escassez de luz e de movimento relativamente rápido em que filmei, não houve arrastamento de qualquer espécie. As cores são as dos JPEG das Olympus, o que significa que tendem para o saturado, mas são correctas, sem nunca se tornarem berrantes. O equilíbrio dos brancos parece funcionar bem, a medição da exposição é quase perfeita, e o único problema que notei foi com transições rápidas entre muita e pouca luz, em que a câmara parece demorar um pouco a ajustar-se às novas condições e a imagem parece perder um pouco a compostura. Em todo o caso, posso dizer que já ví vídeos feitos com GoPros em que esta transição era muito mais demorada, e mesmo as câmaras onboard dos Fórmula 1 têm enormes problemas quando os carros saem do túnel do circuito de Montecarlo.

Estas características, com excepção das referidas transições, correspondem por inteiro à qualidade de imagem fotográfica da E-P1 em JPEG. O que, infelizmente, inclui a tendência para estourar as altas luzes. Seja como for, ver o desempenho de uma câmara fotográfica digital moderna a filmar vídeo foi uma enorme surpresa. Eu sei que há realizadores que dispensam as Arri e filmam com Canons 5D, mas estava longe de pensar que a E-P1, que hoje pode ser considerada obsoleta, desse tão bons resultados.

O caro leitor fez bem em superar a parte disparatada do exercício, porque acabou de ler o relato da queda de mais um preconceito do M. V. M. Aliás, não era bem um preconceito: era mais desinteresse. O que ultrapassei, com esta experiência, foi a noção que mantinha segundo a qual devemos usar uma câmara fotográfica para fotografar e uma de vídeo para filmar. Esta noção está completamente errada: tenho a certeza que a minha E-P1, a despeito de ter sido lançada há sete anos, bate a maioria das camcorders. E as câmaras de vídeo dedicadas são muito, muito caras.

Simplesmente, o vídeo continua a não me interessar. Gostava de filmar, mas se me propusesse fazê-lo, seria com a mesma intenção que uso na fotografia. O que, provavelmente, implicaria tornar-me numa espécie de cineasta amador – mas neste caso a E-P1 começaria decerto a mostrar algumas limitações. De resto – e pelo menos por enquanto –, os meus interesses continuam firmemente centrados na fotografia.

M. V. M.

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