Oh não!, outra vez não!

Uma das vantagens de se gostar de fotografia é ela ser tão vasta. É provável que eu conheça, digamos, dez por cento dos fotógrafos verdadeiramente importantes, i. e. daqueles que o tempo tornou lendários. E, destes, o mais provável é que não conheça senão um por cento da sua obra. Deste modo, a fotografia é como um caminho longo e desconhecido que comecei agora mesmo a desbravar.

Mas que dizer de fotografias que estiveram sempre debaixo do meu nariz sem que eu reparasse nelas? Se o leitor, neste momento, está a pensar que vou aludir aos meus LPs de Jazz, acertou em cheio. Eu não posso dizer que tenha uma discografia enorme, mas terei cerca de quarenta álbuns de Jazz. Alguns deles são essenciais na história do Jazz, outros são cliché – sim, eu tenho o Kind of Blue e o Blue Train –, outros são importantes para mim porque gosto deles.

Nesta última categoria está Swiss Movement, álbum ao vivo de Les McCann e Eddie Harris. Eu já conhecia Les McCann quando comprei este álbum; a sua música, que funde Soul, Jazz e Blues, é plena de bom humor e soberbamente executada. O meu conhecimento deste álbum Swiss Movement veio depois de consultar o catálogo de uma etiqueta que publica LPs em prensagens de alta qualidade (cento e oitenta e duzentas gramas) chamada 4 Men With Beards.

O álbum é brilhante. Até então, eu só conhecia temas de Les McCann tocados pelo seu trio (um trio de piano de Jazz é composto por piano, contrabaixo e bateria), mas em Swiss Movement, que é – evidentemente! – a gravação de um concerto no festival de Jazz de Montreux de 1969, ao trio de Les McCann juntou-se um saxofonista e um trompetista. E um dos temas, Compared to What, é cantado – e cantado pelo próprio McCann, que tem, aliás, uma excelente voz. Um álbum excepcional que tem tudo o que se pode querer de um álbum de Jazz: ritmo, virtuosismo e diversão.

Ah – e fotografias na capa. Não consegui resistir. É uma mania que estou a adquirir: sempre que estou a ouvir um LP – especialmente, mas não exclusivamente, se for de Jazz –, aprecio as fotografias da capa. No caso de Swiss Movement, não são fotografias como as de Jay Maisel ou Chuck Stewart, mas são boas. O fotógrafo, Giuseppe G. Pino, é um desconhecido completo e não há lá muita informação disponível sobre ele, mas se a Atlantic (a editora original de Swiss Movement) o contratou, depois de ter tido ao seu serviço Lee Friedlander, é porque viu qualidades no seu trabalho.

Nat

E eu também vi essas qualidades – não apenas na capa de Swiss Movement, mas também nas poucas fotografias que consegui encontrar. As que estão aqui, e que reproduzo ao abrigo da cláusula de fair use, são de Nat Adderley (um trompetista, ou fliscornista, que não tem nem metade do valor do irmão Julian «Cannonball») e Tommy Flanagan, que respeitarei sempre por causa de Saxophone Colossus e Giant Steps, os melhores álbuns, respectivamente, de Sonny Rollins e John Coltrane. O que gosto nestas fotografias? Da originalidade. É muito raro ver fotografias de músicos de Jazz como estas.

Flanagan (2)

E pronto, já escrevi mais um texto para o Número f/. Tenho andado falho de inspiração, pelo que peço desculpa aos leitores se estiver a ser repetitivo e (ou) maçador com este tema das fotografias de Jazz, mas é certo que não teria escrito tudo isto se não existisse uma relação tão interessante entre Jazz e fotografia.

M. V. M.

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