História

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Auto-retrato de Alvin Langdon Coburn

Quando se pergunta quem foram os clássicos da fotografia, o que é natural é que os nomes que vêm imediatamente à mente sejam sempre os mesmos: os mais interessados em fotografia de reportagem responderão, enfaticamente, Henri Cartier-Bresson; aqueles que se apreciam temáticas mais amplas evocarão Ansel Adams.

O que, diga-se, é justo. Cartier-Bresson e Adams contribuíram decisivamente para a evolução da fotografia artística ao conformá-la segundo padrões que ainda hoje são válidos. Contudo, a fotografia já existia antes deles e houve muitos que os precederam, podendo dizer-se que Adams não existiria – enquanto fotógrafo, evidentemente – se não tivesse havido Edward Weston, e que Cartier-Bresson é tributário de Eugéne Atget e Brassaï.

Weston, Atget e Brassaï, porém, não iniciaram a história da fotografia. Esta antecede-os e houve fotógrafos que, antes deles, lhes abriram caminho e tornaram possível a fotografia artística como a conhecemos hoje. Mesmo sem querer mergulhar demasiado fundo na história e mencionar precursores como Louis Daguerre, que tornaram a fotografia tecnicamente possível mas sem lhe conferir um cunho artístico, há três fotógrafos que fizeram a transição do Século XIX para o seguinte e sem os quais a fotografia seria, possivelmente, muito diferente da que conhecemos hoje: refiro-me a Edward Steichen, Alfred Stieglitz e Alvin Langdon Coburn.

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Edward Steichen

Estes três fotógrafos tinham várias características em comum: além de contemporâneos entre si, constituíram um grupo denominado Photo Secession e todos eles começaram como retratistas. Os seus retratos tinham poesia: eram, de acordo com os padrões actuais, falhos em nitidez – mas eram expressivos. A falta de nitidez era um propósito intencionalmente prosseguido com fins estéticos; era parte da sua linguagem fotográfica. Talvez isto seja difícil de compreender nestes dias em que a busca da maior nitidez possível é a norma, mas estes três fotógrafos procuravam lentes que lhes dessem esta característica.

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Por Alfred Stieglitz

Todos eles evoluíram de forma muito diferente. A Alfred Stieglitz coube o mérito de, com a sua fotografia Coberta de 3.ª Classe (1907), trazer motivos novos para a fotografia. Penso ser possível dizer que esta fotografia trouxe consigo as temáticas que possibilitaram a fotografia de reportagem. Edward Steichen foi um pioneiro da fotografia colorida e tornou-se num dos primeiros fotógrafos de moda. E Alvin Langdon Coburn, a despeito de ser o menos reputado dos três, foi porventura o mais importante e revolucionário dos três fundadores da Photo Secession.

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Uma «vortografia» de A. L. Coburn

Alvin Langdon Coburn (Boston, 1882 – Colwyn Bay, 1966) representou a irreverência da juventude nessa transição para o Século XX. Aos vinte e quatro anos era considerado um génio da fotografia, de tal maneira que George Bernard Shaw se referiu a ele como o melhor fotógrafo do mundo. As suas fotografias iniciais incluíam, além dos retratos, cenas que se inspiravam na pintura clássica, mas bem cedo foi exposto às novas tendências da arte, desde logo ao cubismo e ao «vectorialismo». Coburn levou a sua experimentação de formas abstractas ao ponto de inventar um aparelho caleidoscópico, composto por três espelhos, para distorcer a imagem de uma maneira que lhe permitia decompor os objectos da mesma maneira que os pintores cubistas. Esta decomposição da realidade – possivelmente facilitada, em grande parte, por Alvin Langdon Coburn ter sido um opiómano –, materializada naquilo a que o seu autor chamou vortografias, tornou a obra fotográfica de A. L. Coburn numa das mais importantes do Século XX.

Como vêem, há muito mais na história da fotografia que Cartier-Bresson e Ansel Adams. Aliás, uma das coisas mais fascinantes da fotografia é ter uma história tão rica que seria necessário dedicar-lhe uma vida inteira para conhecê-la na sua integridade. Infelizmente, não tenho tempo para mergulhar na história da fotografia, mas tenho a certeza de que, se o fizesse, descobriria episódios tão ou mais fascinantes que este e fotógrafos ainda mais importantes que qualquer um dos que mencionei neste texto. A fotografia é uma arte que nunca parará de me fascinar.

M. V. M.

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