Deutsch Fotografie des zwanzigsten Jahrhunderts (a propósito de Hilla Becher)

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No dia 10 de Outubro morreu Hilla Becher, fotógrafa alemã cuja obra teve a peculiaridade de ter sido produzida em conjunto com o seu marido, Bernd Becher. A sua morte não foi noticiada, tendo passado largamente despercebida, o que foi uma injustiça, já que Bernd e Hilla Becher foram dos fotógrafos mais influentes do Século XX, estendendo-se a sua influência até ao nosso Século através de fotógrafos como Andreas Gursky.

As fotografias do casal Becher consistiam em imagens, frequentemente dispostas em conjuntos de várias fotografias, de mães d’água, silos, celeiros e casas, muitos deles em estado de abandono. Embora esta temática possa hoje parecer lugar-comum, quando as fotografias dos Becher alcançaram reconhecimento público eram altamente inovadoras e desencadearam um movimento caracterizado pela busca do rigor da geometria, com simetrias milimetricamente pensadas e composições cuidadosas.

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Karl Hugo Schmölz

Tenho dúvidas acerca da existência de uma escola alemã de fotografia. O casal Becher influenciou a fotografia alemã e essa influência é visível na obra de muitos fotógrafos seus contemporâneos, como Karl Hugo Schmölz, mas também na geração que lhe sucedeu, representada por Andreas Gursky. Contudo, não me parece que tal seja suficiente para que se possa falar numa escola de fotografia. Os fotógrafos alemães do Século XX divergiam enormemente na sua linguagem: não existe nada em comum entre Juergen Klauke e Herbert List, ou entre Walde Hüth e os Becher.

O que pode ser um elemento comum aos fotógrafos alemães, contudo, é o seu experimentalismo. Desde Herbert Bayer, que era sobretudo um artista gráfico da escola Bauhaus, até Andreas Gursky, todos os grandes fotógrafos alemães procuraram caminhos diferentes e originais. Alguns, como os Becher, foram tão importantes que transmitiram a sua influência a novas gerações; outros, como Floris Michael Neusüss, tiveram menor importância histórica, mas qualquer dos fotógrafos já mencionados neste texto transpuseram as fronteiras da criatividade, quer através do emprego de técnicas como as da «fotografia sem câmara» usada por Neusüss, quer pela originalidade dos conteúdos. Há, em todos estes fotógrafos, uma vontade de criar novas linguagens e de ultrapassar as convenções que ajudou a fotografia a transpor a fronteira do mero documento para se afirmar como arte de pleno direito.

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Herbert Bayer

Nunca será demais sublinhar a importância dos fotógrafos alemães do Século XX. Embora estes sejam relativamente desconhecidos de um público que aprendeu a apreciar fotografia através da reportagem, graças a fotógrafos como Henri Cartier-Bresson ou W. Eugene Smith, o que os alemães trouxeram para a fotografia é essencial para se compreender a evolução desta arte. Ao introduzir conceitos de simetria, geometria ou paralelismo na grafia das imagens, os alemães transpuseram para a fotografia conceitos formais característicos da arquitectura (Schmölz, Gursky) e de escolas artísticas como o impressionismo ou o cubismo (Bayer, Neusüss). Acima de tudo, foram importantes na afirmação da fotografia abstracta, i. e. desligada das significações que a vinculavam aos objectos fotografados.

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Walde Hüth

Uma das razões por que não se pode aceitar a existência de uma escola alemã de fotografia é, como referi, a diversidade de conceitos, técnicas e temas dos fotógrafos alemães. Nem só de linhas estendidas, formas geométricas e simetrias estrenuamente procuradas vive a fotografia alemã. Muitos fotógrafos desta nacionalidade utilizaram linguagens mais convencionais, mas foram extremamente influentes. Herbert List e Walde Hüth são dois dos melhores exemplos, mas há também aquele que nunca poderia deixar de ser referido quando o tópico é fotografia alemã do Século XX: Chargesheimer. A sua obra abrangeu temáticas tão diferentes como a arquitectura, a fotografia de rua ou formas abstractas. Tornou-se facilmente num dos meus favoritos, mesmo se não foi o mais importante ou influente dos fotógrafos alemães.

Depois há Bernd e Hilla Becher. Sem eles não haveria Andreas Gursky, mas também não haveria o nosso Edgar Martins. O mundo da fotografia tem uma dívida insolúvel ao casal Becher. Pena que a morte do último dos Becher (Bernd morrera em 2007) não tenha sido acompanhada de homenagens que eram mais que justas.

M. V. M.

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