Full frame e a minha adesão ao Clube Pentax

leica-sl-full-frame-mirrorless-4«Full frame» é, como sabem, uma expressão mágica. De repente, quando tal denominação é aplicada a uma câmara, tudo se torna incomensuravelmente melhor: o sensor full frame é o Rei Midas do equipamento fotográfico. A qualidade de imagem atinge níveis mais elevados que o pico mais alto dos Himalaias, a profundidade de campo torna-se no sonho de qualquer amante do bokeh cremoso.

É evidente que isto não é assim. Câmaras como a Pentax K-5, a Nikon D7200 e a Canon 70D têm sensores de área mais reduzida que o tão celebrado 36×24 e nem por isso a qualidade de imagem desce a níveis só atingíveis a bordo de batiscafos. Mesmo sensores mais pequenos que o APS-C são capazes de um desempenho com que há apenas seis anos era impossível sequer sonhar, mas o certo é que a expressão mágica full frame vende. Talvez não tanto que permita às marcas competir com os smartphones, mas vende. Os fabricantes compreenderam que há um núcleo considerável de entusiastas que entendem que só o full frame os satisfaz, pelo que, como diz o povo, «se o burro quer palha, dê-se-lhe palha».

A palha, nos casos a que me vou referir, é bastante substancial; num dos casos, porém, estou convencido que os potenciais adquirentes são tudo menos burros. Nesta semana que passou foi lançada uma câmara para burros cheios de dinheiro e foi mostrada mais uma versão, mais próxima da definitiva, da tal câmara que não é para burros. A primeira é a Leica SL; a outra é a DSLR full frame da Pentax.

A Leica SL é a mirrorless full frame da Leica; é uma espécie de Sony α7 depois de tomar mais esteróides anabolizantes do que Ben Johnson ao longo de toda a sua carreira: é enorme e pesada. E cara: o preço de lançamento é qualquer coisa como USD $7,450 – só o corpo. Para fazer prova de que esta câmara é para gente rica que percebe pouco de fotografia mas saliva abundantemente diante da expressão full frame, a Leica fez duas lentes absolutamente mastodônticas, dois zooms de abertura mínima variável (f/2.8-4) com as distâncias focais de 24-90mm e 90-280mm. O primeiro destes zooms custa apenas USD $4,950. Há uma lente de distância focal fixa, a Summilux-SL 50mm F1.4 ASPH, que também não é nada compacta.

Claro que nem tudo pode ser mau. Tenho a certeza absoluta que esta câmara tem uma qualidade de imagem absolutamente soberba e, se as lentes desta nova baioneta SL seguirem a tradição Leica, serão decerto excelentes (mesmo se duas delas são zooms). Além disto, tem um visor electrónico com uma resolução de 4.4 MB, que é a mais alta disponível no mercado à hora em que escrevo este texto. É, apesar do tamanho grotesco, uma câmara minimalista cujos controlos podem ser configurados pelo utilizador através de meia dúzia de comandos inominados. Contudo, não vejo qual a vantagem desta câmara quando existe uma mirrorless full frame chamada Sony α7 que custa um terço do preço e é mais leve e pequena.

A outra full frame é a Pentax, que neste momento ainda não tem um nome para o modelo mas foi apresentada esta semana, já numa versão que deve ser muito próxima da definitiva, na Photo Plus em Nova Iorque. Os pentaxianos deste mundo esperaram muito tempo por esta câmara, mas parece que a espera vai ser recompensada. Esta câmara terá várias diferenças em relação à Leica: sendo uma DSLR, tem um visor óptico – o que é sempre melhor que um visor electrónico, mesmo que este tenha uma resolução fora de série – e é uma câmara bonita que evoca a Pentax 6×7 de médio formato. Apesar de, neste momento, ainda não se saber quanto vai custar, será decerto consideravelmente mais barata que a Leica SL e terá a vantagem de um espelho e pentaprisma. Esta é a única câmara digital que eu consideraria, destituindo irreversivelmente a Nikon Df nas minhas preferências.

É que eu tenho um fraquinho pela Pentax. Nem que seja por não integrar o duopólio Canikon. Apesar dos volumes de venda marginais, as DSLR da Pentax são consideradas melhores que as suas concorrentes da Nikon e da Canon. Não tenho dúvidas que esta nova Pentax será a melhor DSLR não profissional do mercado quando for lançada.

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Por falar em fraquinho pela Pentax, este fim-de-semana fui gentilmente agraciado com um para-sol para a minha Zuiko 50mm-f/1.4. Este para-sol é tão sexy que vou usá-lo em lugar do que tenho vindo a usar, que é um original da Olympus. Este novo para-sol é, curiosamente, de marca Asahi Pentax. Se isto chega para me incluir na comunidade dos pentaxistas, não sei; o que sei é que fiquei contente como uma criança a quem oferecem um brinquedo novo.

M. V. M.

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