Pausa

Os leitores mais fiéis poderão ter reparado na míngua de textos nos últimos tempos. Mais uma vez, existe uma razão ponderosa para esta omissão do M. V. M. Ponderosa não é uma palavra suficientemente forte: escrever neste blogue é uma irrelevância completa quando comparado com o motivo da ausência de textos, que é a minha preparação para os testes da minha candidatura a um trabalho na União Europeia.

Ao longo das últimas semanas preparei-me o melhor que pude e soube para as últimas provas através das quais a minha capacidade para assumir o cargo de jurista-linguista vai ser avaliada. A minha, diga-se, e a de mais cinquenta candidatos portugueses. Os leitores não deixarão de concordar comigo se eu disser que os textos do Número f/ são absolutamente secundários (embora, deva dizê-lo, me dê gosto escrevê-los).

As provas vão ser em Bruxelas, na Avenue de Cortenbergh (ou Kortenberglaan, em holandês), o que aumenta os níveis de tensão: há uma viagem e uma estadia pela frente que importou planear para que não se tornassem preocupações maiores do que devem ser. Os testes consistem num conjunto de testes psicotécnicos – um teste de raciocínio verbal, outro numérico e um outro abstracto –, num teste de compreensão em que me vai ser exigido que leia um texto em francês e o resuma em português pelas minhas próprias palavras, num exercício de grupo e num teste de resistência ao stress em que me vai ser proposto um problema para o qual terei de apresentar soluções. O que pude fazer para me preparar foi treinar o francês e simular os testes psicotécnicos, o que me obrigou a recordar operações matemáticas básicas como a regra de três simples e o cálculo de percentagens. Não tenho qualquer prática de matemática – é uma daquelas coisas que se esquecem quando não são exercitadas –, pelo que a preparação, nos últimos dias, incidiu sobre ela. (É preciso que tenham em atenção que estão a ler um texto escrito por alguém que se licenciou em Direito essencialmente por causa das opções que tomou para escapar à Matemática no 10.º Ano!)

Esta preparação implicou passar muito tempo defronte ao computador. A deslocação a Bruxelas, que se estende de 29 de Setembro a 2 de Outubro, vai servir como umas férias de computador. Ou pelo menos uma pausa: não vão ser férias verdadeiras, porque parte dos testes vai ser feita com recurso a um computador, mas já decidi que não vou levar o meu portátil. Não me apetece andar a arrastar-me pelas ruas de Bruxelas com uma mala grande, pesada e desajeitada, não tenho a certeza se a ficha Schüko da alimentação do computador é compatível com as tomadas usadas na Bélgica e, de resto, vai saber-me bem estar afastado do computador por uns dias.

Em contrapartida, decidi levar a máquina fotográfica. Evidentemente. Não sei se Bruxelas é uma boa cidade para os tipos de fotografia a que me tenho dedicado, mas tenho a certeza que vai valer a pena. Pelo sim pelo não, fui comprando dois rolos de Tri-X para levar. Depois da minha experiência com os testes de Lisboa, em que levei a OM-2 comigo, penso que seria louco se não a levasse nesta viagem a Bruxelas. Foi agradável poder fotografar Lisboa durante as horas que antecederam a partida do comboio que me trouxe de volta ao Porto. Em Bruxelas vou ter muito mais tempo: a Terça-feira de tarde – pelo menos durante duas ou três horas, porque lá anoitece cedo por causa da diferença de fuso horário – e parte das tardes de Quarta e Quinta-feira, que são os dias em que os testes vão ter lugar. É evidente que não vou para Bruxelas com o objectivo de fotografar, mas pode ser uma experiência interessante: vai ser uma variação em relação às fotografias que tenho feito e pode (eventualmente) ajudar-me a descontrair. Como mencionei, estes testes não requerem uma preparação objectiva, como a que empreendi para a tradução: a preparação é sobretudo psicológica. Relaxar passeando pelas ruas de uma cidade que não conheço parece-me preferível a passar o meu tempo em frente ao computador.

Prometo que, quando chegar, gastarei umas horas narrando a minha experiência na capital da União Europeia. Para já, peço a vossa paciência e que me perdoem a falta de textos no Número f/. Compreenderão decerto que é por um bom motivo.

M. V. M.

Anúncios

4 thoughts on “Pausa”

  1. Caro MVM:
    Espero que corra tudo bem em Bruxelas.
    Estive lá em trabalho em 2013. A cidade é de um modo geral calma e o metro é muito intuitivo. Não vai ter qualquer problema. Aconselho a tomar as medidas normais em termos de segurança com os bens pessoais.
    Cumprimentos

  2. Embora não tenha o prazer de o conhecer, desejo-lhe os maiores êxitos na maratona de testes para o início de uma vida de imagens única! Obrigado por ser quem é…continue sempre a dar o seu melhor e terá, com certeza, êxito! Saudações fotográficas!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s