Conselho útil, parte 2

Exortar o iniciado a comprar e usar um tripé parece-me um bom conselho, mas vou mais longe: esse hipotético iniciado não deve, pelo facto de usar equipamento modesto, incorrer no erro de comprar um tripé barato por pensar que é o que melhor se adequa às suas necessidades presentes, ou que é suficiente para o equipamento actual. Ele mais tarde poderá evoluir o seu equipamento, caso em que o tripé comprado na fnac por €40 será, não apenas inútil, mas prejudicial. Esse tripé nunca dará estabilidade a uma DSLR de gama média ou alta equipada com uma lente de qualidade. Deste modo, o iniciado deve adquirir o melhor tripé que puder. Não há problema nenhum se parecer sobredimensionado em relação à câmara: hoje pode parecê-lo, mas no futuro, quando se tiver evoluído para equipamento mais substancial, não o será. Fazer upgrades de tripés não faz muito sentido porque é um acessório duradoruro que não está sujeito à obsolescência. E, quem sabe, um dia esse iniciado não sentirá a tentação de adquirir uma câmara de película de médio formato, uma Hasselblad 500 C/M ou uma Mamiya RZ67, que são magníficas mas têm ergonomia zero: neste caso o tripé pode ser, mais que uma utilidade, uma necessidade. Pelo que é de bom senso que o primeiro tripé adquirido seja também o último.

Um bom tripé implica, evidentemente, uma boa cabeça. Deve, aliás, esclarecer-se que, por hábito, usamos a denominação tripé de forma errada. O tripé é a parte que compreende as pernas, as molas, a aranha e a coluna central. A parte superior, aquela à qual a câmara é fixada, denomina-se cabeça. Os tripés em forma de kit, que geralmente são vendidos como um conjunto que compreende a cabeça e o tripé propriamente dito, são, a meu ver, de evitar: são pensados para alcançar uma qualidade minimamente satisfatória a preços reduzidos, pelo que são sempre um compromisso. Nunca se devem comprar conjuntos cuja cabeça não seja separável do tripé: o que o comprador deve procurar é um tripé de qualidade, de preferência de fibra de carbono, e uma cabeça compatível. A vantagem de comprar um tripé e cabeça separados está no facto se poderem montar diferentes tipos de cabeça; mais tarde poderão ser adquiridas cabeças para usos específicos, como as de cardan, mas as de rótula são mais compactas, a sua fixação é extremamente firme e permitem uma liberdade de rotação superior. O comprador de uma cabeça de tipologia Arca Swiss poderá entender que nunca vai precisar de mais nenhuma, pelo que também neste caso é válido o conselho dado anteriormente: deve comprar-se a melhor cabeça que se puder.

Uma característica desejável (embora não obrigatória) da cabeça é ter uma sapata – que é a parte desmontável da cabeça que se aparafusa à câmara – de remoção rápida (quick release). Quando há necessidade de montar e desmontar frequentemente a câmara no tripé, existe toda a vantagem em ter uma sapata que se desprenda rapidamente. A alternativa é estar constantemente a atarraxar e desatarraxar um manípulo, o que não é nada prático e pode fazer perder muito tempo.

Aqui está, numa frase simples, o conselho sobre o qual discorri durante todo este tempo: deve comprar-se o melhor tripé e a melhor cabeça que se puder. Não importa que câmara se tem ou se o tripé é desmesurado: é muito melhor ter um tripé exagerado em relação à câmara do que, no futuro, ter um tripé insuficiente para assegurar a estabilidade da câmara. Como, neste último caso, se imporá a compra de um tripé melhor, a aquisição do primeiro terá sido inútil, pelo que o adquirente terá perdido dinheiro.

O tripé é uma daquelas coisas em relação às quais não se deve olhar a despesas; é uma aquisição duradoura e, se for bem estimado e de boa qualidade, sobreviverá a todas as câmaras (especialmente às digitais) que o seu comprador for adquirindo. É um pouco como as lentes: assim como não faz qualquer sentido trocar uma lente de uma determinada distância focal e abertura máxima por outra idêntica só porque foi lançada uma mais recente, também o tripé é daqueles bens que, por o seu conceito estar definido e aperfeiçoado há muito tempo, resistem à lógica da obsolescência. Um bom tripé é para durar uma vida, pelo que deve começar-se de imediato com um que seja muito bom. Um mau tripé pode ter resultados desastrosos: é impreciso no manuseamento, inseguro na sua função de fixar solidamente a câmara e instável. É uma perda de tempo e de dinheiro. De resto, já é possível adquirir bons tripés e cabeças por preços acessíveis, pelo que não há desculpas para não os comprar.

M. V. M.

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