Conselho útil, parte 1

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Faço uma pequena pausa nos meus estudos europeus para dar um conselho muito específico a quem se inicia na fotografia. Eu sei que os leitores muito atentos poderão apontar uma contradição ao M. V. M., que já escreveu aqui sobre a inutilidade de dar conselhos em fotografia, mas referia-me apenas aos que incidiam sobre a forma de fotografar. Mantenho que é inútil dizer a um iniciado que deve fotografar assim ou assado, isto e não aquilo, desta ou daquela maneira, etc. Fotografar é – ou devia ser – um caminho muito pessoal que cabe a cada um descobrir.

Contudo, este conselho não é sobre a maneira de fotografar; não é sobre como ou o que fotografar. É sobre a aquisição de um acessório que não é bem um acessório, porque é essencial – pelo menos em muitas circunstâncias. Refiro-me ao tripé, esse acessório que converte instantaneamente a câmara num aparelho de alta precisão. A meu ver, não existe nenhum modo de fotografar com luz escassa, como à noite ou em interiores mal iluminados, que não implique usar um tripé. Decerto, é muito bom que existam câmaras capazes de fotografar com uma sensibilidade ISO 25600 ou superior, mas fazem-no à custa do incremento do ruído e o recurso prolongado a estas sensibilidades pode causar problemas se sobreaquecimento do sensor, o que provoca o surgimento de pixéis espúrios na imagem. Algumas câmaras são capazes de produzir imagens razoavelmente limpas – i. e. sem que o ruído se manifeste em demasia – quando se fotografa com sensibilidades muito altas, mas nem toda a gente tem dinheiro para essas câmaras. Acresce que muitas fotografias que parecem perfeitas não resistem a uma ampliação a 50%, mostrando falhas de nitidez provocadas pelo ruído.

Não é só para evitar os efeitos nocivos das altas sensibilidades que o tripé serve. O tripé é obrigatório quando se usam tempos de exposição superiores ao valor da distância focal da lente. Sem ele, é mais que certo que as fotografias ficarão tremidas. É certo que as lentes e corpos equipados com estabilização de imagem podem assegurar bons resultados, mas nunca com exposições superiores a 1”. E mesmo assim é necessário ter mãos particularmente firmes. Mais vale, em casos como estes, confiar na estabilidade que o tripé assegura – e mesmo assim deve ter-se o cuidado de, quando possível, usar um disparador remoto, que pode ser um cabo disparador, uma aplicação móvel no caso de a câmara ter ligação Wi-Fi ou Bluetooth, ou simplesmente o temporizador da câmara. O simples acto de premir o botão do obturador pode induzir vibração quando os tempos de exposição são longos.

Além disto, o tripé tem uma vantagem inestimável quando se quer fazer fotografias com o máximo de rigor. Ao prover uma plataforma rígida, mas orientável, torna-se muito mais fácil nivelar a câmara e encontrar a melhor orientação nas dimensões vertical e horizontal. Recordo, a este propósito, o que escrevi aqui há alguns dias. É muito mais fácil encontrar a perspectiva ideal quando a câmara está montada num tripé. Daí que não tenha exagerado nem um bocadinho quando escrevi que o tripé é um acessório que converte a câmara num instrumento de precisão: quando se quer obter perspectivas rigorosas, não existe alternativa ao seu uso.

Há outro bom motivo para usar um tripé: algumas câmaras são tão pesadas que o esforço físico pode tornar-se excessivo. O cansaço provocado pela manipulação prolongada de uma câmara pesada pode causar perda de firmeza, o que se repercute na nitidez das imagens. De resto, há tipos de fotografia que, independentemente do peso e volume da câmara, requerem um tripé: longas exposições como as que se usam na fotografia nocturna e na astrofotografia são dois exemplos, mas mesmo a fotografia de paisagens, quando feita com luz abundante, exige o uso de um tripé. Ao contrário do que se pode pensar, este tipo de fotografia exige sempre tempos de exposição longos, por implicar o recurso a aberturas muito estreitas. Não foi por acaso que Ansel Adams denominou o grupo de fotógrafos que fundou «f/64». O uso de aberturas estreitas é essencial para que a profundidade de campo seja tão extensa quanto possível, de maneira a que todos os planos se mantenham bem nítidos. (Continua)

M. V. M.

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