Os saltadores da Ribeira e eu: lentes

Com teleobjectiva
Com teleobjectiva

O texto de ontem ia já demasiado longo para acrescentar nem que fosse mais uma linha, mas seria indesculpável escrever um texto sobre as técnicas usadas para um determinado tipo de fotografia sem fazer menção às lentes, pelo que é este o tema de hoje.

Os que acompanham o Número f/ com atenção sabem que, quando fotografo com a Olympus OM – o que, ultimamente, é o mesmo que dizer sempre –, uso apenas três lentes: uma grande-angular de 28mm, uma normal de 50mm e uma teleobjectiva de 135mm. A grande-angular está completamente fora de questão para este género de fotografia, pelo que apenas uso as duas mais longas.

Fotografar com uma lente normal ou uma teleobjectiva é muito mais que uma escolha quanto ao tamanho com que queremos que os objectos surjam no enquadramento. É uma verdadeira opção estética. A apresentação das duas lentes é completamente diferente. Teoricamente, poderíamos pensar que a teleobjectiva seria a lente ideal para estas fotografias, mas não é. De facto a teleobjectiva isola o motivo, mas o seu uso nestas fotografias tem implicações que nem sempre são agradáveis: em primeiro lugar, aproximam o plano de fundo – o que é o mesmo que dizer que comprimem a perspectiva, ou que diminuem a sensação de profundidade. Neste caso, as edificações do outro lado do rio surgem demasiado grandes e demasiado próximas, o que não é ideal. Este inconveniente podia ser mitigado se o fundo ficasse esbatido, mas a distância da margem para o ponto de onde os saltadores se atiram é demasiado grande para produzir a desfocagem do plano de fundo. Mesmo com uma lente tão longa, a focagem é quase no infinito. O desfoque que existe é mínimo, não prejudicando a nitidez do fundo.

Com a 50mm
Com a 50mm

Isto não significa, porém, que seja de evitar usar teleobjectivas. Tudo depende da intenção fotográfica: queremos que os olhos se concentrem no saltador? Neste caso, só a teleobjectiva serve. Contudo, se queremos descrever o lugar e o ambiente, não há nada como usar uma lente normal. Sim, os saltadores ficam minúsculos no enquadramento e a profundidade de campo é ainda mais extensa – mas pode conseguir-se perspectivas e composições que estão vedadas às teleobjectivas. De resto, podemos aumentar a importância dos saltadores no enquadramento se nos aproximarmos mais. O que, sendo difícil, não é de todo impossível.

O uso da lente standard tem a vantagem de conferir à imagem uma perspectiva mais natural, mais de acordo com o que os olhos viram. Isto não significa que só se possam fazer fotografias textuais e descritivas: a maior versatilidade da perspectiva de uma lente normal aumenta drasticamente as possibilidades de composição, pelo que se pode fazer fotografias extremamente criativas.

A opção por uma lente normal ou por uma teleobjectiva não é, como vimos, uma questão de os saltadores figurarem maiores ou mais pequenos na imagem. Este raciocínio, típico de quem imagina que o zoom é uma lente multifunções, um dois-em-um, é de evitar. Ambas as lentes são válidas para estas fotografias. A escolha depende apenas dos critérios estéticos. A mim, se me perguntarem qual prefiro, respondo sem hesitações: a 50mm. Dá mais contexto às fotografias. Contudo, o uso da teleobjectiva pode resultar em imagens espectaculares. Tudo depende da intenção.

M. V. M.

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