Os trabalhos a que me dou

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Na Quinta-feira tirei o dia para fazer compras de coisas pequenas, mas necessárias – o tipo de coisas que estamos sempre a esquecer ou adiar porque, de tão pequenas, nem sequer nos concedemos tempo para pensar nelas. Uma dessas compras levou-me a uma loja de cabedais na Rua Chã, que é aquela que vai da Sé à Praça da Batalha. Uma rua dominada pelos comerciantes banglas, na qual apenas alguns portugueses ainda subsistem (esta casa de cabedais é um exemplo). Nada contra os comerciantes banglas, mas deploro que o comércio tradicional esteja a perder o seu lugar para lojas de pechisbeque fatela.

Na loja dos cabedais encontrei umas tiras de couro de cerca de 1,20m de comprimento e 1 cm de largura. Contemplá-las foi quanto bastou para que a minha fixação pelos acessórios de fotografia despertasse. Há meses fiz uma alça a partir de uma tira de couro sintético para a minha OM, mas, além de um erro básico de concepção, essa alça tinha o defeito de o material não ser nada flexível. Aqui estava a oportunidade de melhorar um pouco o conforto de utilização da minha OM.

O que eu gostava era de usar as câmaras sem alça nenhuma, mas sinto calafrios só de pensar que me podem escorregar das mãos. É por causa deste medo que as uso, mas prefiro as de pulso – o que é praticável, porque as minhas câmaras são (relativamente) pequenas e leves.

Por que estou eu a escrever sobre isto? Uma alça de punho em couro pode ser extremamente cara, especialmente se for comprada via internet. Não há razão para que o seja porque, convenhamos, com a quantidade de carne bovina que se consome diariamente, o couro não é exactamente uma matéria prima escassa. O curtume pode ser um processo demorado e admito que seja custoso, mas com tanto couro como matéria prima é decerto feito em massa, pelo que a única razão para que os artigos de couro sejam tão caros é o valor que as pessoas atribuem ao que é de origem natural, o que as leva a despender de bom grado muito mais do que os bens realmente valem. Pensem nos blusões de couro, por exemplo: com tantas vacas e bois a ser abatidos todos os dias, não há justificação para que sejam tão caros. E, se repararmos bem, os estofos de couro dos automóveis já fazem parte do equipamento standard de muitos modelos de topo. Não há razão para que a menção «couro genuíno» torne um produto duas vezes mais caro do que precisa de ser.

Adiante. Perguntei na loja se aplicavam cravos, porque esta é uma arte que desconheço por completo. Não sei distinguir um cravo de um rebite. A resposta foi positiva, pelo que comprei a tira e pedi que me colocassem os cravos da maneira que tinha imaginado. O resultado final foi um produto bastante amador, mas infinitamente melhor do que eu, que não sei aplicar cravos, teria feito. O prestimoso lojista fez um bom trabalho, mas alguns pormenores ficaram, digamos, menos que perfeitos. Nada, porém, que eu não pudesse resolver.

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Esta alça nova custou-me €3,50. A que usava custara-me 0€00. As vantagens, porém, são evidentes: o couro é um material muito mais macio e flexível, o que torna o transporte da câmara muito mais confortável e prático. Olhando para os preços que se praticam (especialmente na internet), posso dizer que fiz um bom negócio. Poupei €20,50 em relação às alças mais baratas do mercado. É certo que não tem aqueles pespontos e acabamentos, mas é apenas uma alça para uma máquina fotográfica. Funciona e é confortável de usar. Não vejo que mais é necessário.

M. V. M.

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2 thoughts on “Os trabalhos a que me dou”

    1. Como referi no texto, o que eu comprei foi uma tira de couro, numa casa da Rua Chã cujo nome não me recorda. Nessa mesma casa pedi que aplicassem cravos (ou rebites), de maneira a fazer uma alça. Não a comprei já feita.

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