Rigor germânico

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Hoje não foi um dia bom para mim – por motivos estritamente pessoais que, pedindo perdão aos leitores, me escusarei a transcrever para aqui. A inspiração para escrever é, em consequência, extremamente diminuta.

Mas não resisto a escrever umas linhas tardias sobre a fotografia de arquitectura, que é uma das minhas modalidades preferidas. Gosto de simetrias, de composições rigorosas e de linhas direitas. Nem sempre, mas de vez em quando. A fotografia de arquitectura – em especial a de interiores – permite-me tudo isto. Só não vou mais longe neste tipo de fotografia porque não tenho grande paciência para andar à procura de imóveis com interiores interessantes – apesar de fotografá-los sempre que eles me aparecem.

Tenho uma limitação equipamental importante: para este tipo de fotografia é necessária uma lente de controlo de perspectiva. Quando um edifício ou o pé direito de uma divisão são muito altos, sou obrigado a apontar a câmara para cima, o que causa a convergência das linhas verticais para o plano superior. As linhas paralelas surgem, deste modo, como diagonais. As lentes de controlo de perspectiva resolvem este problema ao manter o plano focal alinhado com o plano que se está a fotografar. Estas lentes, que também são denominadas tilt and shift, também corrigem a perspectiva no plano horizontal, embora neste seja relativamente fácil alinhar a câmara.

Uma destas lentes seria mil vezes preferível a recorrer sistematicamente à edição de imagem. As ferramentas de correcção de perspectiva do Lightroom e do Photoshop são boas, mas a do DxO Optics Pro é excelente. Contudo, todas elas implicam uma perda importante de porções da imagem, pelo que não substituem uma lente de controlo de perspectiva.

Considerações técnicas à parte, este tipo de fotografia pode ser extremamente formal mas capaz de resultados surpreendentemente belos. A arquitectura pode impor linhas que necessitam de simetria absoluta e obrigam a um enorme rigor na composição, o que, devo dizer, se adequa como uma luva à minha maneira de ser, mas não tanto como à desses amantes do rigor estético que são os alemães.

Pois é: este é mais um artigo sobre um dos fotógrafos que descobri graças ao livrinho da Taschen. Desta vez é Karl Hugo Schmölz, um dos mestres da fotografia arquitectónica. A sua fotografia encontra beleza no rigor da composição, na perfeita disposição dos elementos no enquadramento e na força das linhas que descreve. É uma coisa muito alemã, porque a fotografia de Andreas Gursky também vive muito da beleza das linhas fortes, simétricas e rigorosas. Em todo o caso, Schmölz é mais um fotógrafo que dou a conhecer aos leitores que ainda não tinham tido a fortuna de deparar com a sua obra. Escusam de me agradecer; eu depois mando-vos a conta.

https://i1.wp.com/www.damianzimmermann.de/blog/wp-content/uploads/schm%C3%B6lz_Drahthaus-D%C3%BCsseldorf-1952-ArchNr16248-1_gr.jpg

https://i2.wp.com/41.media.tumblr.com/ceb45e458cf38aa4a8ed7a0c7c407b95/tumblr_ms752tBteH1rpgpe2o1_1280.jpg

A fotografia do topo é minha; é uma pobre tentativa de rigor arquitectónico. As duas que antecedem este parágrafo são de Karl Hugo Schmölz. Impressionados? Eu também. Quem sabe, sabe…

M. V. M.

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