Como evitar erros caros (1)

Eu cometi vários erros de avaliação das minhas necessidades quando era principiante. Toda a gente os comete. Felizmente, nenhum deles me saiu demasiado caro; contudo, há quem cometa erros que, mesmo que não sejam caros, podem ser completamente desmotivadores.

Quando se começa a fotografar é muito fácil culpar o equipamento pela falta de qualidade das fotografias que se fazem. Isto é causado por uma autoavaliação que tem como ponto de comparação as fotografias que vemos publicadas (em regra na internet, mas nem sempre foi assim): claro que todos aspiramos a padrões de qualidade semelhantes aos que vemos nessas fotografias, mas como fazemos uma avaliação completamente errada das nossas, tendemos a pensar que a culpa é da câmara. Ou da lente. Ou do cartão de memória. Na nossa mente é impossível que a culpa seja nossa porque confundimos o entusiasmo de principiante com a qualidade das fotografias: nós somos excelentes, as fotografias são fantásticas e se as coisas não correram bem é porque a máquina é uma trampa. As fotografias maravilhosas que vemos publicadas noutros lugares são assim, pensamos nós, porque os seus autores têm máquinas e lentes fabulosas.

Nesta fase é-nos difícil perceber que as fotografias maravilhosas que tomamos por referência são 10% perícia do fotógrafo e 90% Photoshop. Simplesmente, quando somos principiantes tendemos a pensar que os JPEGs que a nossa câmara debita são o melhor que ela pode fazer; nunca nos passa pela cabeça que o que a máquina faz é simplesmente a matéria prima com a qual temos de trabalhar para que a imagem fique como queríamos. Também não sabemos que aqueles 10% são absolutamente decisivos e são o fruto de muita sabedoria e experiência. Para conseguir aqueles resultados é preciso dominar a exposição e ter em consideração uma miríade de factores que influem decisivamente na qualidade da fotografia – porque, se a matéria prima é má, não vai haver Photoshop que lhe valha.

Esta deficiência na autoavaliação é compreensível porque quando se é principiante sabe-se pouco (evidentemente!), mas contém em si o potencial de levar o aspirante a amador à ruína. Tendemos a evoluir o equipamento, mas fazêmo-lo de um modo desinformado e muitas vezes mal orientado. Eu, que aprendi da pior maneira possível que os zooms são das piores aquisições que se pode fazer, tive imenso trabalho para convencer um tipo que andou pendurado em mim durante uns tempos de que ele não precisava de um zoom 18-105 para a sua Nikon D7000 e faria muito melhor em comprar uma prime 35mm-f/1.8 (que lhe traria o benefício suplementar de poupar dinheiro). O sujeito, quando me falava da planeada aquisição do zoom, parecia estar em estado febril. Queria, aparentemente, convencer-me (ou convencer-se) que a lente tinha poderes mágicos, designadamente o de fazê-lo fotografar melhor.

Esse mesmo sujeito havia também desenvolvido uma fixação pelo flash. O da máquina dele não servia, era muito fraco: o que ele queria era um que iluminasse a outra margem do rio. Apesar de crer tê-lo convencido que precisava de um holofote para esse fim, penso que não consegui persuadi-lo de que precisava muito mais de um tripé. Porque, para o tipo de fotografia que tinha em mente, era exactamente de um tripé que ele precisava. E o tripé ficar-lhe-ia bem mais barato que o flash e a lente 18-105.

Ora bem: se há coisa que posso afiançar, apesar de a minha experiência não ser assim tão longa, é que não precisamos de zooms nem de flashes. Os zooms são dispensáveis: as nossas perninhas são o melhor anel de zoom que existe. Um zoom é uma lente que importa compromissos e, se for mal executado – como são todos os zooms baratos –, é uma compilação de todas as aberrações e distorções de cada uma das distâncias focais que engloba. Tem distorção de barril e escurecimento dos cantos nas distâncias de grande-angular e distorção pincushion e astigmatismo nas de teleobjectiva.

O flash deixa-me um pouco ambivalente: eu tenho um (o nome dele é Gordon), que comprei por causa de uma aula do workshop do Instituto Português de Fotografia. Hoje não o uso. Contudo, não me custa a conceder que haja quem precise dele. A questão é que o principiante dificilmente está em condições de fazer essa avaliação porque tem noções erradas sobre o uso e a necessidade e utilidade do flash. (Continua)

M. V. M.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s