Fim-de-semana digital

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

O último rolo que entreguei para revelar saiu com várias fotografias severamente sobreexpostas. Vi-o no meu monitor, fui advertido disso por R. S. D. Quando recebi as digitalizações, vi-me na necessidade de atenuar o brilho na edição de imagem, o que era coisa que nunca tinha tido de fazer: normalmente a exposição que o fotómetro considera correcta é-o, mas desta vez falhou.

O problema é falta de carga das pilhas. A pequena alavanca que serve para ligar e desligar a máquina e seleccionar entre os modos manual e automático tem uma outra posição (CHECK) que serve para desbloquear o espelho (o espelho fica bloqueado mais vezes do que eu gostaria) e para verificar a carga das pilhas. Se tudo estiver bem, um LED vermelho acende continuamente; se não houver carga, o LED não acende; e, quando a carga está fraca, o LED pisca. É neste último estado que as pilhas estão: ainda não mortas, mas moribundas.

As máquinas fotográficas analógicas têm a característica de poder funcionar sem qualquer impulso eléctrico. No caso da minha OM, que pode expor mecanicamente, as pilhas – duas LR44H sobrepostas – servem para fazer o fotómetro funcionar e para alimentar o obturador quando se usa o modo de «preferência à abertura» (que, diga-se, nunca senti necessidade de usar). As pilhas que estão neste momento inseridas na OM são as mesmas desde o dia em que comprei a máquina: 12 de Junho de 2013. Isto quer dizer que me duraram um ano e (mais ou menos) dez meses – sendo a sua duração média estimada de um ano! As coisas duram muito tempo nas minhas mãos, mas tudo acaba um dia. Esse dia foi algures durante as duas semanas em que expus o meu penúltimo rolo.

Como o rolo que tenho na máquina é um daqueles caros, ponderei não fotografar durante este fim-de-semana, mas passar um fim-de-semana sem fotografar equivale a morrer de tédio. Como as fotografias tinham de sair de qualquer maneira, optei por usar a E-P1. Sim, este fim-de-semana regressei ao digital. E não foi nada mau: até fiz coisas que me deixaram satisfeito. E – devo confessá-lo – diverti-me. Foi uma diversão mais superficial do que quando fotografo com a OM, porque, no essencial, fotografei sem ter a preocupação de não esbanjar exposições. Pude usar motivos que normalmente não fotografo e fazer mais experiências sem medo de mais tarde me arrepender de ter desperdiçado película. Isto quer dizer que fiz muitas mais fotografias, mas também que fiz muitas fotografias sem sentido que acabei por apagar.

Estas diferenças implicam que seja mais eficiente quando fotografo com a OM: como tenho de pensar mais e não me permito esbanjar exposições, as fotografias fracassadas são num número bastante reduzido. No digital é possível que fique satisfeito com uma imagem em cada oito. Não é por ser mais espontâneo: é mesmo por poder fotografar sem me sentir limitado, porque a experiência de fotografar com uma câmara digital e lentes de focagem manual – eu usei a OM 28mm-f/3.5 – é tudo menos espontânea. Focar assim é um aborrecimento: tenho de ampliar a imagem no visor e mesmo assim muitas focam desfocadas. É que o grande defeito da E-P1 manifesta-se nestas ocasiões: o ecrã nem sempre permite ver a imagem com precisão. Quando o sol incide sobre o ecrã torna-se praticamente impossível visualizar a cena correctamente.

Tenho para mim que imiscuir o domínio analógico na fotografia digital é uma má ideia. Focar manualmente implica um bom visor e, sobretudo, um bom ecrã de focagem. Como os que tenho na OM-2n. Com uma câmara digital devem sempre usar-se lentes de focagem automática. No tempo em que comprei a E-P1 fazia sentido usar as OM, porque havia ainda poucas lentes de qualidade para o formato Micro 4/3; agora há uma 25mm-f/1.8 que dizem ser muito boa, há a Panasonic 14mm-f/2.5 para grande-angular e a 45mm-f/1.8 da Olympus é uma teleobjectiva curta de boa qualidade. São estas as lentes que devem ser usadas numa câmara como a minha. Misturar as coisas apenas acrescenta um factor de complicação desnecessário.

Outra coisa: os resultados de fotografar no formato Raw são absolutamente monstruosos. Depois de processar os ficheiros, fiquei com imagens JPEG que excediam 30 MB. Ocupam muito espaço e são impossíveis de publicar se não forem redimensionadas. É completamente desnecessário, salvo se as fotografias forem para imprimir. E nem sequer se pode dizer que a qualidade seja luxuriante (embora seja bem melhor do que os JPEG saídos directamente do processador). O sensor da E-P1 não é capaz da resolução que obtenho com rolos como os Ilford.

Seja como for, não posso dizer que foi tempo desperdiçado. Pelo contrário, diverti-me – não apenas com o acto de fotografar, mas também com as próprias fotografias. Algumas delas ficaram bastante satisfatórias, o que foi uma surpresa. (Continua)

M. V. M.

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