O que eu preciso

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Quando, na semana passada, escrevi um texto intercalar sobre a série de posts que tenho vindo a mostrar sob o título As Melhores Fotografias de Sempre, afirmei que pouco do que aprendera ao ver essas imagens passaria para as minhas fotografias. Embora seja essencialmente verdade – eu nunca vou fazer uma fotografia que chegue sequer aos calcanhares da pior que mostrei –, houve algumas coisas mais que aprendi.

A primeira é que, apesar de ter fantasiado frequentemente com uma câmara (de película) melhor, não preciso verdadeiramente dela. Não por a que tenho ser de uma qualidade excepcional, mas por haver muita coisa em que tenho de progredir antes de pensar numa evolução desse género. Há ainda muito para aprender antes de gastar dinheiro numa máquina mais evoluída (que teria forçosamente de ser uma de médio formato para que a aquisição fizesse algum sentido).

A primeira dessas coisas que tenho para aprender é, evidentemente, fazer fotografias melhores. Preciso de dominar a iluminação, controlar melhor a exposição e de melhorar certas limitações que vejo nas minhas fotografias. Por exemplo, sou um desastre a fazer retratos. Como sei disto, já nem sequer tento, mas gostava de saber fazê-los. O mesmo quanto à fotografia de rua: por vezes sai-me uma ou outra com que fico satisfeito, mas no fundo são iguais a muitas outras e não trazem nada de novo. Preciso de trabalhar incessantemente para que as minhas fotografias sejam mais interessantes, mais originais, mais minhas. Ainda estou demasiado dependente do que vejo outros fazer. Enquanto não evoluir neste sentido, não vale a pena comprar uma máquina de cujas potencialidades não tirarei verdadeiro partido. Só fará sentido avançar para um formato melhor quando resolver alguns problemas básicos que ainda sinto; evoluir agora seria fazer fotografias sofríveis com uma qualidade de imagem melhor, o que não as tornaria mais interessantes.

Além disto, conhecer melhor as fotografias de W. Eugene Smith, Henri Cartier-Bresson (não que conhecesse poucas deste último) e Jane Bown fez-me ver que o formato 35mm não é assim tão mau e que, se for usado dentro dos seus limites, sem pretensões de se querer mais do que aquilo que tem para dar, pode dar resultados excelentes. As suas deficiências são o grão e a impossibilidade de manter uma boa nitidez em tamanhos grandes, mas não é impossível jogar com estas limitações para fazer com que as fotografias funcionem. Afinal de contas, os retratos de Jane Bown são praticamente perfeitos e os mais recentes foram feitos com máquinas Olympus OM-1 e lentes de 85mm; W. Eugene Smith foi despedido da Newsweek por se recusar a usar máquinas de médio formato; e Cartier-Bresson, como se sabe, só usava Leicas série M. Saber isto teve o efeito de me fazer perceber que os problemas das minhas fotografias não são de uma natureza tal que possam ser resolvidos com uma máquina melhor. Não que tivesse ilusões de resolver os meus problemas com uma máquina nova, estultícia em que muitos principiantes caem; simplesmente, percebi que a qualidade acrescida não é assim tão importante numa fotografia. Há muitas coisas que a precedem.

Yashica Mat-124 G

É evidente que o médio formato é melhor que o 35mm. As fotografias ganham uma veracidade de que o rolo 135 é incapaz. Simplesmente, não me parece que esteja numa fase em que se justifique a mudança de formato. Daqui por alguns anos talvez atinja um nível em que o 35mm deixe de ser suficiente para o que eu quero fazer, mas por enquanto o melhor que tenho a fazer é melhorar as minhas fotografias em todos os aspectos. Sobretudo no da expressão. Por vezes recebo elogios, alguns dos quais extremamente honrosos – estou a lembrar-me do que Ctein deixou escrito há cerca de um ano e meio –, mas as fotografias têm de me satisfazer a mim mesmo, não necessariamente aos outros. Neste momento as minhas fotografias ainda não me deixam inteiramente convencido.

Os meus planos para o futuro são agora encontrar temas interessantes e melhorar o que ainda tenho a melhorar. E aprender a retirar da minha OM tudo o que ela tem para dar. O que é muito. A máquina de médio formato terá de esperar.

M. V. M.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s