Novidades da indústria fotográfica: CP+ 2015

Imagem DPReview
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Embora nunca tenha visitado nenhuma, as exposições de material fotográfico como a Photokina e a CP+ entediam-me. Todos os anos é a mesma coisa: material requentado. Os fabricantes pegam num corpo já existente, adicionam-lhe um sensor com mais meia dúzia de pixéis e um ecrã articulado e chamam-lhe «Mk II» ou qualquer coisa parecida; depois lançam-no no mercado por um preço que é o dobro do que vale o modelo precedente e as pessoas vão a correr comprá-lo porque decidiram que aquele ecrã articulado era a coisa que mais queriam na vida e a meia dúzia de pixéis a mais vai transformar por completo a maneira como fotografam os seus gatos.

Apesar de tudo, costumo acompanhar as novidades que são apresentadas nestas exposições – quanto mais não seja para não dizerem que vivo agarrado ao passado. Este ano a CP+, que costuma ter lugar no Japão (ou no Botswana, não me lembro), mostrou, como é habitual, muitas novidades. Hélas, a maior parte delas não tem nada de novidade e as novidades reais que apareceram são de pouco interesse.

Tomemos o exemplo da Canon: este prestigiado fabricante de fotocopiadoras apresentou as Canon EOS 5D S e 5D SR (Sport Rally? Super Racing?); ambas têm um sensor novo (já lá vamos), sendo a diferença entre os dois modelos um deles ter um filtro anti-moiré e o outro não. Agora que toda a gente se convenceu que ter padrões aberrantes em superfícies com texturas lineares é a última palavra em resolução, a Canon decidiu entrar no jogo. «Mais vale tarde do que nunca», dirão os canonistas mais fervorosos. O sensor destas câmaras (que são impossíveis de distinguir da 5D Mk III) é a arma com que a Canon pretende arrumar a Nikon D810 a um canto: tem qualquer coisa como 50,6 megapixéis. O suficiente para fazer uma fotografia de 120 m2 sem perda de resolução (mas com padrões de moiré muito interessantes). Este sensor é a prova de que os fabricantes estão mais preocupados em vender do que em trabalhar as áreas que ainda impedem o digital de ser melhor que o filme, uma vez que a gama dinâmica destas câmaras é exactamente igual à da 5D Mk III. E são cerca de mil dólares mais caras que a Nikon D810, pelo que a Nikon (que não tinha nada melhor para mostrar que uma DSLR para astrofotografia) continua a rir-se.

Outra das novidades é uma lente Sigma 24mm-f/1.4. Uma abertura destas numa grande-angular é uma proeza digna de menção, mas a Sigma sabe muito bem que aberturas desta ordem não são necessárias numa distância focal com a qual os fotógrafos procuram nitidez absoluta em todos os planos e recorrem a aberturas f/8 ou f/11, mas os consumidores habituaram-se à ideia de que a abertura é absolutamente decisiva para ter muito bokeh e a Sigma dá-lhes o que eles querem. Numa grande-angular.

A única marca que mostrou qualquer coisa importante foi a Pentax, mas mesmo assim o que mostrou deixou muita gente nervosa. O que a Pentax levou à CP+ foi, além de mais uma câmara APS-C com um esquema de cores estúpido, a maquete de uma futura câmara digital full frame. A razão da impaciência dos pentaxistas encontra-se no facto de estarem à espera de uma Pentax com sensor 36×24 há dez anos e tudo o que lhes foi mostrado não ter sido mais que uma maquete. Contudo, esta maquete contém em si grandes promessas.

Permitam-me, antes de mais, recordar que a Pentax é o único fabricante de larga escala que tem na sua gama uma câmara digital de médio formato. Já agora, também recordo os leitores que as DSLR de formato APS-C da Pentax são consideradas melhores, em matéria de qualidade de imagem, que a concorrência da Canon e da Nikon. Se isto não for suficiente para convencer o leitor de que a Pentax tem um compromisso muito sério com a qualidade de imagem, é porque o leitor tem razão: é que as lentes actuais da Pentax são indignas da reputação da marca. Ter corpos fantásticos com lentes medíocres não é uma boa ideia, mas aparentemente a Ricoh – outro fabricante de fotocopiadoras –, que agora detém a marca Pentax, ainda não percebeu que esta é a razão por que as pessoas compram Canon e Nikon e continua a apresentar lentes medíocres: a última foi um zoom 18-50 ultracompacto com a abertura máxima mirabolante de f/4-f/5.6. Exactamente o que é necessário para alimentar o prestígio da Pentax, juntamente com a série Q e as câmaras cor-de-rosa e dourado.

Seja como for, o facto de a Ricoh Pentax estar a mostrar a maquete de uma câmara full frame é uma boa indicação. A câmara até pode vir a ser interessante, já que tem umas linhas que evocam despudoradamente a veneranda Asahi Pentax 67, que era uma máquina fotográfica de película de médio formato. O que significa que, esteticamente, poderá ser – se tomarem a decisão de a produzir dentro dos próximos dez anos – bem mais interessante do que as full frame da Canon e da Nikon (ressalvando a Df, evidentemente). Vai ser uma aventura, porque a Pentax vai entrar num segmento do mercado que é oligopólio da Canikon e vai ter de fabricar lentes para uma nova baioneta, mas será sempre bom ver a Pentax voltar aos tempos de glória da MX e da K1000 – se, claro está, a Ricoh não adiar o lançamento por mais dez anos…

M. V. M.

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1 thought on “Novidades da indústria fotográfica: CP+ 2015”

  1. Da Pentax, tive vários modelos nomeadamente a x100 e a Mx.

    No digital utilizei vários anos a Ist DL, que vinha equipada com um sensor sony, que ficou com mais dead pixels do que aqueles que eu conseguia já contar com os dedos das mãos…!

    A reter, ficou de que utilizei com essas câmeras, as lentes com melhor “micro contrast” até á altura.
    http://www.luminous-landscape.com/…/lens-contrast.shtm

    Relativamente ás “lentes de kit 18-55” da Pentax, com exceção das fuji, foram as que em comparação com Canon e Nikon, as melhores em que toquei até hoje, quer em termos óticos, mecânicos ou tipo de construção.

    De referir, que da experiência que tive com as médio formato 645n, em pouco ou nada se ficam a dever ás Mamiya ou mesmo as Contax 645 com lentes zeis…!
    Mas não estou convencido, de que venham a recuperar o “terreno perdido”…!

    Saudações.

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