O estado dos meus conhecimentos

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Até agora experimentei os seguintes rolos: Agfa APX 100 e APX 400; Ferrania Solaris; Fuji Superia 200; Ilford Delta 100, Delta 400, FP4, HP5 e Pan F; Kodak Ektar 100, Portra 160, T-Max 100, T-Max 400 e Tri-X; Lomography Earl Grey. Há algumas conclusões a extrair das minhas experiências com rolos de diferentes tipos e sensibilidades.

A primeira é a minha preferência por rolos de grão cúbico. (Os não iniciados já estarão completamente perdidos depois de lerem esta afirmação, mas eu ofereci uma explicação mais ou menos simples num texto do Número f/: podem lê-la aqui.) Não vou dizer que estes são melhores que os de grão tabular, porque isto de dizer o que é melhor é sempre um juízo pessoal. O que é melhor para mim não o é necessariamente para os outros. Simplesmente, a película de grão cúbico ajuda-me a obter a expressão que quero; é mais compatível, se quisermos, com a minha linguagem fotográfica. Eu não ando à procura da maior qualidade de imagem possível: a minha demanda é pelos rolos que melhor me ajudem a conseguir o aspecto que pretendo para as minhas fotografias. Já encontrei um vencedor para as velocidades ASA reduzidas, que é o Ilford FP4. Quando afirmo que este é o melhor rolo que a humanidade jamais produziu, esta expressão não é um exagero nem uma hipérbole porque transmite aquela que é a minha opinião. O FP4 é o melhor rolo para os meus propósitos. Outros preferirão o Tri-X ou o Fuji Neopan Acros, sobre o qual não me posso pronunciar por (ainda) o não ter experimentado; eu prefiro o FP4. É um rolo versátil, de uma qualidade acima da média e com um contraste e uma nitidez que são de chorar por mais. Contudo, se estivesse empenhado em obter a melhor qualidade possível, a minha preferência iria para os rolos de grão tabular. O mais provável, já que estes rolos precisam de contraste, seria optar pelo Ilford Delta 100. Em termos de qualidade, medida pela precisão na descrição das altas luzes, médios tons e sombras, bem como pela nitidez e pelo contraste, penso que é difícil encontrar melhor. Há o Neopan Acros da Fuji, que muitos juram ser o melhor, mas é um rolo excessivamente caro. Referi o Delta 100 e não o 400, apesar de ter ficado muito satisfeito com os resultados deste último, porque a comparação entre ambos fez-me chegar a outra conclusão: eu só gosto de fotografar com velocidades – ou sensibilidades, se preferirem – baixas.

Eu explico. Fotografar com rolos ASA (ou ISO) 400 obriga-me a usar tempos de exposição muito curtos e aberturas estreitas. Eu não gosto de fotografar com f/11, muito menos com f/16. Não sou daquelas pessoas que nutrem uma obsessão patológica pelo bokeh e passam o tempo a sonhar acordados com lentes f/0.9 – eu tenho muitas dúvidas se a abertura influi assim tanto no desfoque –, mas gosto de fotografar com aberturas amplas. As melhores experiências que tive quanto ao uso de aberturas largas foram quando usei os Ilford Pan F, com a sua velocidade ASA 50. Ora, é difícil usar aberturas largas quando está sol e tenho um rolo ASA 400 instalado na máquina. Estas circunstâncias obrigam-me frequentemente a recorrer às aberturas mais estreitas, o que não é ideal quando se quer jogar com a profundidade de campo. Quando a luz é intensa, o resultado de usar rolos 400 é uma perda substancial de contraste e abundância de grão, o qual nem sempre contribui para a expressividade da imagem.

Outra conclusão que retiro das minhas experiências com uma máquina fotográfica que grava as imagens em película é que sou um verdadeiro iconoclasta. Por que digo isto? Há, na comunidade fotográfica, uma verdadeira veneração por um rolo cujo uso, talvez por influência dos grandes fotógrafos do Século XX, adquiriu um estatuto de dogma. Este rolo é o Kodak Tri-X 400. Apesar de já ter usado cinco destes rolos, nunca fiquei convencido. Eu espero não ser assassinado por algum fundamentalista do Tri-X por esta blasfémia, mas não sou apreciador. Ou melhor: é muito bom, mas não dá às minhas fotografias o aspecto que pretendo delas. (De resto, seria uma pena ser assassinado agora: ainda quero fotografar os sargaceiros da Apúlia e cenas da faina piscatória mais expressivas do que as que captei até agora; o meu eventual assassínio poderia colidir com estes planos.) O Tri-X é considerado o rolo obrigatório para a fotografia de rua, mas a distância focal de 35mm também o é e eu detesto-a e prefiro usar uma lente de 50mm. Não, eu não acompanho a reverência que todos devotam ao Tri-X – embora não possa negar que é excelente. Talvez pensasse de maneira diferente se tivesse uma Leica, como aqueles nomes venerandos que construíram a reputação do Tri-X, mas, sendo as coisas o que são, é esta a minha conclusão.

A minha aprendizagem da fotografia nunca estará completa. É possível que tenha escrito anteriormente muita coisa que está em contradição com o que estão a ler, mas a aprendizagem é assim mesmo: substituem-se as noções erradas por outras certas e abrem-se novas frentes de conhecimento. Eu não sabia nada sobre rolos até Junho de 2013, altura em que comprei a OM-2; esta coisa das películas era completamente nova para mim e só agora pude chegar a estas conclusões – que podem não ser definitivas. Não se surpreendam se daqui a um ano estiver a escrever coisas que contradizem este texto.

M. V. M.

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