Alison

Soube recentemente de uma notícia que me agradou, mas também me causou alguma perplexidade: os LPs dos Slowdive, uma banda britânica de pop alternativo dos anos 90 que se extinguiu ainda nessa década, mas voltou entretanto a reunir, foram reeditados.

Por que me agradou esta notícia? É que os Slowdive gravaram, em 1993, aquela que foi uma das melhores canções dessa década. Infelizmente, nesse tempo todos os ouvidos se viravam para o que os Massive Attack, Kruder & Dorfmeister e os Underworld andavam a fazer e o pop alternativo foi perdendo lugar nas rádios, pelo que essa canção, Alison, nunca foi um fenómeno de popularidade. Contudo, os Slowdive criaram muito rapidamente uma legião de fãs e, acima de tudo, foram uma influência marcante: ainda hoje se pode ouvir essa influência em muitas bandas.

O som dos Slowdive é estranho: as vozes são quase sussuros, praticamente indiscerníveis no meio da confusão de sintetizadores lo-fi e de guitarras, mas as canções são extremamente melódicas. Algumas das canções deles são maravilhosas. Especialmente Alison: esta canção é ridícula de linda. Evoca os tempos em que éramos jovens e sentíamos a melancolia e a angústia saborosa do namoro, quando pensávamos que íamos ficar um com o outro para sempre. Alison ficou como o hino dos shoegazers, a geração ensimesmada e sonhadora que destoava, deslocada, de um mundo feio e artificial. Foi uma canção que permaneceu comigo estes anos todos e que, agora, regressou com a reedição do álbum Souvlaki. Estou contente por isso, porque nunca haverá outro grupo como os Slowdive nem outra canção como Alison. Não por serem os melhores, mas por serem únicos e irrepetíveis.

Esta reedição não deixa de me causar alguma perplexidade. Será que vamos ter um revivalismo dos anos 90? Já foi suficiente má a vaga retro dos anos 80; espero que esta reedição seja um reconhecimento da qualidade dos Slowdive e não o prenúncio de uma onda de imitações de um som muito característico. Os Tame Impala já soam muito como os Charlatans de Some Friendly e há um pouco do som dos Slowdive, Lush e Pale Saints nos nossos excelentes Sensible Soccers. Oxalá não se caia no exagero que foi a exacerbação dos anos 80.

Perguntarão que tem isto que ver com fotografia; eu respondo: tudo. Não imaginem, nem por um minuto, que os vossos gostos não se manifestam em tudo o que fazem. Incluindo nas fotografias.

M. V. M.

Anúncios

2 thoughts on “Alison”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s