A relíquia da família em acção

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Ontem comecei a experimentar a Minolta 7S. Não foi exactamente uma estreia, porque fiz algumas fotografias com ela, mas foi há tantos anos – e com resultados tão maus que nem devia mencionar esta experiência – que, na prática, foi como se a usasse pela primeira vez. O que foi verdadeiramente uma estreia foi fotografar com o método Sunny 16. Esta é também a primeira vez que experimento um rolo, neste caso o Agfa APX 400. Pareceu-me mais adequado, porque usar o APX 100 – que já usara com bons resultados – implicaria fotografar com um tempo de exposição demasiado baixo: 1/125. Mais tarde, se tiver atinado com o método Sunny 16, haverá recensão sobre esta película aqui no Número f/.

A primeira impressão, quando se usa uma câmara como esta – a Minolta 7S é enorme, quase do tamanho de uma Fuji de médio formato –, é a de desconforto. Como é muito grande, torna-se difícil segurar a lente com a mão esquerda, como estou habituado. Ao contrário do que acontece com a Olympus OM, a Minolta fez-me dar por mim a desejar que tivesse uma pega para a mão direita. Embora não seja particularmente pesada, esta é uma máquina fotográfica que não tem nenhum conforto ergonómico. Até o botão do obturador pode ser complicado de usar.

Disparar com a Minolta pode ser uma experiência frustrante. O botão do obturador tem um curso de aproximadamente um quilómetro (eu escrevi aproximadamente) e só mesmo nos últimos cem metros é que se dá o disparo, o que por vezes me deixou com a sensação de que não consegui manter a máquina suficientemente estável e de ter perdido pelo menos uma boa oportunidade fotográfica por causa do tempo que demora a carregar no botão até accionar o obturador. Convém ter em mente que, por ter uma lente fixa, a Minolta tem o obturador na própria lente: é um obturador central, composto por um conjunto de lâminas similares às do diafragma (os anglófonos denominam-no leaf shutter). O seu funcionamento é suave e silencioso. Tanto que, depois de usar a OM-2, cujo botão de disparo comanda as cortinas do obturador e o espelho, com toda a vibração que lhes é inerente, fiquei a pensar se tinha realmente disparado. Suponho que, com o tempo, acabaria por me habituar (e é melhor que o faça, se quero mesmo ter uma TLR no futuro), mas a falta da percepção de mecanicidade que a OM-2 me dá é um pouco desconcertante.

A focagem é simples: há a imagem vista pelo visor e a que o telémetro sobrepõe à primeira. Basta fazer coincidir as duas imagens para focar. Seria bom, no mundo real, que tudo fosse assim tão simples, mas não é: apesar de saber que a lente está focada no infinito quando rodo o anel de focagem na totalidade, as duas imagens não ficam perfeitamente sobrepostas quando foco em objectos distantes. De resto, a focagem faz-se rodando uma patilha aparufasada ao aro da lente, o que não é prático e impede que se segure a câmara como deve ser, i. e. com a mão esquerda segurando a lente por baixo. Além disto, a imagem telemétrica nem sempre é fácil de ver, pelo que tenho o receio de ter falhado algumas focagens.

Comparada com a Minolta, a Olympus OM-2 é uma bênção. As duas não podiam ser mais diferentes. A Minolta é uma espécie de Dr. Jekyll e Mr. Hyde: facílima de usar nos modos automáticos e impossivelmente complicada quando usada no modo manual. Nunca compreenderei por que os engenheiros fazem as coisas complicadas quando podiam tê-las feito simples: porquê a exposição em EV? É como se quisessem castigar o utilizador que se atreva a querer controlar a exposição, abstendo-se de fotografar no modo automático. Em contrapartida, a OM é uma máquina difícil, mas apenas tanto quanto uma máquina semiprofissional precisa de ser, sem complicações desnecessárias. Mas, se há uma diferença decisiva entre as duas câmaras, esta é o visor. Podem dizer-me mil vezes que não há nada como os visores das máquinas de telémetro porque se vê o mesmo que a olho nu, mas o sistema SLR, com um bom ecrã de focagem, só tem vantagens. É melhor em tudo. Vê o que a lente vê, mas isto não é um desvio à pureza: é uma garantia de melhor controlo.

Quanto à aplicação da regra Sunny 16: é fácil. Não tem nada que saber – é só escolher a melhor abertura para as diferentes condições de luz, o que não tem grande dificuldade. Prefiro poder usar as duas variáveis da exposição, regulando a abertura e o tempo de exposição, mas o Sunny 16 é mesmo o método mais seguro de fotografar quando não se pode usar a informação do fotómetro. Se consegui ou não acertar com a exposição, só poderei saber mais tarde, quando tiver as digitalizações do rolo que expus com a Minolta. Como poderia ter dito o maior futebolista que Oliveira do Douro viu nascer, prognósticos só no fim do jogo.

M. V. M.

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