Filtros para preto-e-branco

men6vYNlUBH8hPzgJ0mxu4ANum dos posts mais recentes aludi à possibilidade de usar filtros coloridos para procurar evitar o estouro das altas luzes quando medir a exposição para as sombras. Numa das recentes visitas à Câmaras & Companhia, durante uma das agradáveis e sempre instrutivas conversas com R. S. D., o tópico surgiu e foi-me sugerido o uso de um filtro amarelo. Como devem imaginar, isto deixou-me a matutar longamente.

Pode parecer um contrasenso, mas a película para preto-e-branco responde aos diferentes comprimentos de onda da luz. Mesmo àqueles que os olhos não vêem, como a radiação ultravioleta. As minhas OM estão todas elas protegidas desta radiação por filtros UV, mas este era o meu limite no que respeita a filtros. Até ter aquela conversa.

Acompanhai-me, pois, numa pequena incursão pelo mundo da luz e da física, na qual procurarei mostrar quais os filtros que se podem usar quando se fotografa a preto-e-branco e quais as suas repercussões na imagem. Notem, porém, que esta prosa pseudo-científica não é comprovada pela experiência pessoal, mas sim o resultado das pesquisas que fiz. Colher um pouco de informação antes de comprar seja o que for não faz mal a ninguém. De resto, o saber não ocupa lugar. (O não saber é que pode ser ruinoso.)

Esquecendo aqueles que são usados exclusivamente para conferir efeitos especiais à imagem (como os de estrelas ou star filters e os que adicionam artefactos à imagem), existem várias categorias de filtros: os de simples protecção, que são os UV e os Skylight, oferecem diferentes níveis de filtragem da radiação ultravioleta, sem contudo interferirem na exposição. Os filtros polarizadores servem para eliminar reflexos – dependendo do grau em que são usados – e saturar as cores. Os filtros de densidade neutra, ou ND, não alteram as cores mas aumentam o tempo de exposição, sendo usados quando a luz natural é excessiva para o efeito que se pretende obter – por ex. quando existe demasiada luz para obter o efeito de arrastamento das ondas do mar. Por fim, os gradientes são filtros que reduzem a exposição apenas numa parte da imagem – o que é útil na fotografia de paisagem, quando se expõe para as sombras mas se quer preservar a informação nas altas luzes.

Depois há os filtros específicos para fotografia a preto-e-branco. A interposição de um elemento de vidro colorido entre a luz ambiente e a lente da câmara interfere no comprimento de onda da primeira, afectando a imagem de diversas maneiras. Vamos ver como é que isto acontece:

O filtro amarelo interfere com os tons azuis, escurecendo-os. Foi por este motivo que me foi recomendado: o azul do céu escurece, o que, além de evitar a sobreexposição quando o céu está presente na composição e se expõe para as sombras, tem ainda um efeito que muitos consideram particularmente útil: aumenta o contraste entre o espaço não preenchido no céu e as nuvens. Por outras palavras, cria aquilo a que muitos gostam de chamar céus dramáticos.

Os filtros laranja e vermelho produzem sensivelmente o mesmo efeito que o amarelo, mas com maior intensidade. O extremo de dramatismo celeste é atingido pelo filtro vermelho, mas alguns poderão considerar que o efeito deste último é excessivo e ficar-se pelo laranja ou pelo amarelo, que é o mais subtil no efeito que cria.

O filtro verde é usado, segundo a informação mais relevante que colhi, quase exclusivamente em motivos nos quais abunda folhagem verde, evitando que esta se torne demasiado escura. É, deste modo, um filtro para aplicações específicas e de escassa relevância prática.

O mesmo pode ser dito do filtro azul, que é usado para exacerbar o efeito do nevoeiro ou da rarefacção do ar. É, deste modo, o oposto dos filtros de protecção e, em certa medida, dos polarizadores, os quais também ajudam a diminuir a perda de nitidez causada pela rarefacção.

Os filtros apresentam-se fisicamente de duas maneiras: ou como círculos de vidro que se enroscam sobre o elemento frontal da lente ou como quadrados (também de vidro) que se colocam numa armação que é montada à frente da lente. Estes últimos filtros dão um ar peculiar às câmaras de quem os usa, mas são uma solução inteligente. Os filtros – em particular os de densidade neutra – podem ser sobrepostos, mas quando se usam filtros circulares sobrepostos em lentes grande-angulares, produz-se o escurecimento dos cantos da imagem conhecido por vinhetagem. Os filtros quadrados evitam esta aberração da imagem.

São estes os conhecimentos teóricos que adquiri quanto a filtros. Quando puder comprová-los na prática – pelo menos com o filtro amarelo, que me parece ser o mais útil para os meus problemas – escreverei mais uma longa e maçadora dissertação.

M. V. M.

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