Novidades da indústria fotográfica: Leica M-A

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Mais uma reportagem da Photokina 2014 em directo do meu quarto! Como o texto de ontem teve a Leica por assunto – se bem se lembram, esse texto é essencialmente uma transcrição, devidamente traduzida, de uma parte do manual de instruções da Leica M7 –, vou aproveitar para referir uma das novidades que a Leica apresentou no salão de Köln: a Leica M-A.

Antes, porém, umas palavras sobre a minha relação com a Leica. Ter uma Leica nunca foi uma ambição que eu perseguisse, embora tivesse amiúde fantasiado adquirir uma no caso de, subitamente, receber uma fortuna. As Leica são câmaras caríssimas e sempre as associei a uma certa pedanteria. Não por despeito ou frustração, mas porque não via nenhum sentido útil na aquisição de câmaras tão caras. De resto, o telémetro usado pelas Leica M (para quem não sabe, “M” é a inicial de Messucher, que significa “telémetro” em alemão) pareceu-me sempre uma tecnologia imperfeita, especialmente por existir um sistema de visionamento tão preciso como o conjunto espelho-pentaprisma das SLR.

Esta minha ambiguidade em relação às Leica M durou até ao fim do mês passado, quando finalmente me predispus a visitar a exposição de fotografias de Henri Cartier-Bresson. Só depois de ver aquelas fotografias no papel me dei conta de que tudo no sistema Leica M faz sentido – até o preço. As lentes Leica são, numa palavra, perfeitas. E precisam, evidentemente, de um corpo que permita aproveitar todas as suas capacidades.

Pois bem: voltando a Köln e à Photokina, a Leica apresentou, entre outros produtos, um corpo da série M para película, que vai complementar as MP e M7. É a Leica M-A. Esta máquina fotográfica, que passa a constituir o nível de acesso da série M – custa €3.850 na Alemanha –, é uma câmara puramente mecânica. Não tem bateria, o obturador é mecânico, não tem modos de exposição semiautomáticos (os quais requerem o controlo electrónico do obturador) e também não tem um componente cuja ausência me deixa estupefacto: a Leica M-A não tem fotómetro!

Isto faz com que a M-A seja em tudo idêntica à veneranda M3, o que poderia ser interpretado como uma adesão da Leica à vaga retro cavalgada pela Olympus e pela Fujifilm se não houvesse uma continuidade de estilo e concepção – ressalvada a incorporação de inovações tecnológicas como o sensor digital ou os modos de exposição semiautomáticos – desde a primeira Leica de telémetro até aos dias de hoje. Esta não é uma máquina retro: é uma câmara intemporal que integra a linhagem mais nobre da indústria fotográfica. Também não tenho a certeza se a M-A pode receber o rótulo de câmara para puristas, porque não sei se existe essa coisa dos «puristas» nem o que isso é.

O que eu sei é que esta máquina fotográfica me deixa uma enorme sensação de ambivalência. Aqui está, pela primeira vez, uma Leica da série M que, não sendo exactamente acessível, poderia contudo justificar um empréstimo bancário para a sua aquisição. (Poderia sempre comprar lentes usadas no eBay, para conter os custos.) Mas, atentas as minhas atribulações com a exposição, como seriam as coisas com uma câmara sem fotómetro? Teria, evidentemente, de usar um fotómetro externo, o que tornaria o acto de fotografar ainda mais lento e menos espontâneo do que já é com a Olympus OM. Em contrapartida, iria ter a maior qualidade que se pode extrair de rolos de 35mm. E nunca iria ter problemas: seria uma máquina que nunca me iria deixar ficar mal. Uma máquina para a vida, portanto. E que, com toda a probabilidade, me sobreviveria.

Mas, se as Leica são tão robustas e duráveis, pode pôr-se a questão se não seria melhor negócio comprar uma M3 em segunda mão. A resposta é um resoluto e rotundo não. A Leica M-A é mais sóbria e mais bonita que a M3. E, sendo nova, não teria de me preocupar com o desgaste dos selos e o escurecimento do visor. Claro que teria de andar com o tiranozinho do fotómetro externo no pulso, o que seria uma maçada – mas o que eu não aprenderia se fotografasse nessas condições!

M. V. M.

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