Preservando o património, Parte 2

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Ora bem: que posso eu esperar se vier a usar a Minolta Hi-Matic 7S? Eu quero, pelo menos, esgotar um rolo com esta máquina, mas não tenho a certeza se a experiência vai mais longe do que isso. O que certamente não quero é que a máquina volte a ficar a acumular fungos numa gaveta, agora que me propus restaurá-la. O mais provável é que, mesmo que não seja uma experiência fantástica, pegue nela ocasionalmente. Nem que seja só para que ela trabalhe um pouco. Afinal de contas, tal como os relógios de corda e os automóveis, as máquinas fotográficas são feitas para funcionar, não para estarem paradas. A paragem só contribui para acelerar a sua deterioração.

Usar a Minolta foi algo que esteve fora de questão quando me converti à fotografia com película por causa da dificuldade em usá-la no modo manual. Estas questões ergonómicas são de tal maneira desencorajadoras que se torna inconcebível usar esta máquina sem ser no seu modo totalmente automático. Isto vai privar-me do controlo que tenho com a OM-2 e – o que é pior – os resultados vão ficar inteiramente dependentes dos desígnios do fotómetro, esse tirano malvado que conjura para arruinar as nossas fotografias. Mas este tirano é um déspota esclarecido, porque faz uma compensação automática de contraste. A luz é medida através de duas células CdS: uma das células faz a leitura nas sombras e a outra nas altas luzes – desde que o enquadramento ajude, suponho eu –, compensando a subexposição e a sobre-exposição. Não está nada mal visto, e a verdade é que nunca vi nenhuma fotografia feita com esta máquina que tivesse as altas luzes estouradas ou as sombras demasiado carregadas.

O visor vai ser também uma experiência completamente diferente daquilo a que estou habituado. A Minolta 7S é uma máquina de telémetro, o que quer dizer que tem uma janela normal, que permite visualizar a cena, à qual é sobreposta uma imagem fantasma: a focagem é feita fazendo coincidir esta última imagem com o motivo. É fácil focar com esta máquina, mas, apesar de haver quem não queira usar outro tipo de visor por a cena que mostra ser o que o olho (e não a lente) vê, eu encontro alguns problemas neste sistema. A paralaxe não é um deles, porque esta máquina corrige-a automaticamente, mas não tenho qualquer controlo sobre a profundidade de campo. Com uma SLR e um ecrã de focagem, eu sei exactamente quais os planos que vão ficar focados e os que não vão. Num visor de telémetro não tenho essa possibilidade. Isto não significa, evidentemente, que não vai haver bokeh; significa, apenas, que não tenho controlo sobre em que partes da imagem ele vai aparecer.

Aliás, o desfoque da Minolta até não é nada feio, como se pode ver nesta imagem altamente embaraçosa do M. V. M. a andar num escorrega com 12 anos:

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Outro problema é que, segundo informação que recolhi na internet, o tempo de exposição mais curto que a máquina usa no modo automático é 1/250. É suficiente para congelar motivos em movimento, mas pode ser impeditivo se houver muita luz (apesar de a abertura fechar até f/22). Vai ser necessário reverter para o modo manual quando isto acontecer.

Esta não será uma máquina que expandirá os meus horizontes fotográficos. Ao usá-la vou ficar limitado ao que o fotómetro entende ser melhor, vou ficar privado de alguma criatividade e, sobretudo, perder o controlo que a Olympus me dá. Mas vou certamente gozar a experiência de tornar a fotografia simples, o que já não me acontece há muito. Se vou ficar fascinado por esta simplicidade? Depende. Se os automatismos da máquina não a impedirem de obter resultados criativos, esta pode ser uma experiência extremamente libertadora e relaxante, comparável a passar o volante ao pendura e gozar a viagem no assento do passageiro. Pode não ser mau; até já estou a ver uma boa aplicação desta câmara: a fotografia de rua. Veremos como corre a experiência.

M. V. M.

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