Eu, Lomógrafo? (1)

f136bw3_product_1_media_galleryNo Domingo que passou esgotei o rolo que trazia na máquina, um Ilford FP4. Logo na pior altura, quando me preparava para fotografar uma orquestra de Jazz (bom, uma orquestra de dez músicos, mas no Jazz dez músicos já é uma orquestra) que tocava na Praça de Lisboa. Mas deixem-me recuar um pouco: era Domingo e quase todas as lojas de fotografia estavam fechadas, mas precisava de um rolo. Apenas me lembrei de um grande espaço comercial de uma multinacional que funciona numa importante artéria comercial da cidade, que, curiosamente, até tem um laboratório de fotografia. Havia alguns rolos de qualidade à venda, entre os quais o Ilford FP4. Quando me informaram sobre o preço, porém, desisti da compra: aquela superfície comercial (que permanecerá inominada, não vão lembrar-se de intentar uma acção penal por difamação contra mim) vende o FP4 por um preço que é €1,50 mais caro do que em qualquer outra loja. Penso que só um néscio se lembrará de comprar rolos ali quando tem outras lojas que os vendem muito mais barato. A multinacional ficará muito contente por ter otários como esses entre os seus clientes, mas não contará comigo.

A minha sessão fotográfica parecia destinada a acabar prematuramente, mas quando passei pela Praça Carlos Alberto notei que a loja da Lomography Portugal estava aberta; apesar de não ter dado importância a este facto, quando o rolo que trazia na máquina esgotou lembrei-me da Lomography e entrei. Foi simpaticamente atendido por uma rapariga de cabelo azul – tenho-me cruzado com algumas nas minhas expedições fotográficas! – e fiquei a saber que só tinham rolos da própria Lomography. Nada de Ferrania, nada de Ilford, Kodak ou Fuji: só Lomography, a cores ou a preto-e-branco.

Eu sei que a Lomography tem uma tradição de rolos a cores divertidos, com cores meio-malucas, mas eu só tenho um quarto de maluquice (sou só meio-meio-maluco) quando o tema é a fotografia. O Ferrania Solaris, que é o rolo, digamos, menos ortodoxo que usei, tem aquelas cores saturadas que não correspondem à realidade que os olhos vêem, mas não é um rolo maluco: é muito competente e as suas cores são bonitas, não são fantasias que deixam as pessoas com o aspecto de quem meteu inadvertidamente a cara num micro-ondas ligado. Optei pelo preto-e-branco, cujas opções se resumiam a um rolo ASA 100 e outro ASA 400. O primeiro chama-se «Earl Grey», o outro «Lady Grey». Optei pelo primeiro, o que significa que comprei um rolo ao qual deram o nome de um chá. Espero perceber a relação entre um rolo de negativos e um tipo de chá quando vir as digitalizações, mas por agora parece-me um nome um pouco pateta para um rolo de negativos a preto-e-branco. Não tanto como uns tripés de marca «3 Legged Thing» que são montados no Reino Unido, mas pateta na mesma.

Eu não me canso de fazer experiências com rolos, e esta é mais uma. Quem sabe não tenho uma surpresa como a do Ferrania Solaris? Pelas imagens que vi na Internet – as quais são sempre de desconfiar, porque podem ser muito retocadas – parece ser um rolo muito interessante e a um preço bem catita: €4,00. Ou seja, metade do que teria pago na tal grande superfície comercial pelo FP4, faltando provar que este último é duas vezes melhor que o Earl Grey. E a um preço que é €0,50 inferior ao do rolo para preto-e-branco mais barato que comprei até hoje, o Agfa APX 100. A Lomography promete resultados de fazer cair o queixo no seu website, mas eu já me habituei a não levar este tipo de considerações à risca desde os meus doze anos, pelo que só me resta esgotar as exposições, entregar o rolo e esperar pelas digitalizações. Quem sabe não terei uma surpresa: embora me seja difícil conceber a existência de uma película para preto-e-branco melhor que o Ilford FP4, já percebi que o facto de um rolo ser barato não significa necessariamente que seja mau.

Seja qual for o resultado, os leitores do Número f/ conhecerão a minha opinião mal possa apreciar as fotografias que fiz com este novo (para mim) rolo. Não posso, de maneira nenhuma, excluir a possibilidade de adoptar o Earl Grey no futuro, como aconteceu com o Ferrania. Nestas coisas há que manter o espírito aberto.

M. V. M.

 

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