A luta fracticida (parte 1)

mNFERr_197YNXgir9MXfoHgJá tinha referido aqui que, sabendo do choque e horror que senti quando me apercebi dos níveis horrendos de distorção linear da minha grande-angular 28mm-f/3.5, e que estou a considerar muito seriamente trocar esta lente por uma melhor, R. S. D., a alma mater da Câmaras & Companhia, propôs-se emprestar-me a sua OM 28mm-f/2.8, de maneira a que pudesse experimentá-la e decidir se se justifica trocar a minha lente por uma que, no papel, apenas diverge da minha por dois terços de um f-stop. Com efeito, a diferença entre ambas as lentes está no valor máximo de abertura e f/2.8 não chega, pelo menos teoricamente, a constituir uma vantagem substancial em relação a f/3.5.

O que poderia acontecer era haver diferenças na qualidade. A versão f/2.8 foi lançada para preencher o espaço, que existia desde o lançamento da série OM da Olympus, entre a 28mm-f/2 – uma lente que ainda hoje é cara, mesmo se só pode ser adquirida em segunda mão – e a versão for the people, que é a minha 35mm-f/3.5; teoricamente, será de esperar que a versão f/2.8 tenha um pouco mais de qualidade que a versão barata (que, ao que parece, é a grande-angular mais vendida da série OM da Olympus).

A metodologia deste teste consiste em não existir nenhuma metodologia. Se pensam que vão encontrar aqui tabelas MTF, gráficos exaustivos e crops de fotografias para mostrar a perda de nitidez nos cantos da imagem, procurem outro site. O que estou a tentar determinar é se algum dos outros modelos da lente OM de 28mm resolve os dois grandes problemas que encontro na minha 28mm-f/3.5: a distorção linear e as aberrações cromáticas. O resto não me preocupa em demasia porque, ressalvados estes problemas, a minha lente é perfeitamente utilizável. Simplesmente, se puder ter uma lente com a mesma distância focal e sem estes defeitos, tanto melhor.

https://numerofblog.files.wordpress.com/2013/01/m1263222_dxo.jpgPara ver aquilo de que a 2.8 é capaz quando comparada com a minha 3.5, usei a E-P1 com o adaptador MF-2 e – evidentemente – a Olympus OM-2. Sendo esta última uma câmara convencional, e estando eu a estrear um Kodak Portra 160, só poderei saber o resultado destes testes depois da revelação e digitalização. O que pode demorar cerca de um mês, já que eu demoro uma eternidade a expor rolos a cores, mas eu também sei ser paciente. A E-P1, com o seu crop factor de x2, torna estas lentes em objectivas standard de 56mm, o que tem a implicação de atenuar consideravelmente a distorção linear, pelo que a única maneira de aferir os resultados é montando a lente de R. S. D. na OM-2. Contudo, a E-P1 é excelente para averiguar o desempenho da lente quanto às aberrações cromáticas. A OM 28mm-f/3.5, quando montada na E-P1, produz um desvio cromático inacrreditável, revestindo as orlas dos objectos de um azul-FCPorto que, embora facilmente corrigível com um bom programa de edição de imagem, não deixa de ser uma aberração particularmente agressiva. Será que a 28mm-f/2.8 supera a 3.5 neste particular?

Deixemos as conclusões para mais tarde. A OM 28mm-f/2.8 tem, antes de mais, uma característica que a torna bem mais simpática que a 3.5: é mais fácil de usar. A diferença de dois terços de um f-stop que existe entre as aberturas máximas das duas lentes só é pequena em teoria, porque na prática faz uma diferença que não esperava. É mais simples usar a lente 2.8: há mais luz a entrar para a câmara e, em consequência, há menos necessidade de fotografar com tempos de exposição longos. Esta é uma vantagem considerável que, só por si, seria suficiente para justificar a sua aquisição. A explicação é simples: na 3.5, o f-stop imediatamente a seguir à abertura máxima é f/5.6, ao passo que a 2.8 tem um f-stop de f/4 entre a abertura máxima e f/5.6. Parecendo pouco, esta é uma diferença que se nota muito bem no terreno, tornando esta lente mais versátil e utilizável numa maior variedade de circunstâncias.

Não é apenas na luminosidade que esta característica se manifesta: também a focagem sai beneficiada. Na f/2.8 a profundidade de campo é mais reduzida, o que dá maior versatilidade à lente. Com a f/3.5 só se pode usar a focagem selectiva se se estiver a um palmo do motivo, porque esta é uma lente que tende a manter todos os planos em foco. A 2.8 é uma lente com a qual se notam os benefícios de usar uma área de captação da luz de grandes dimensões, mas esta diferença também resulta notória quando é usada na E-P1, na qual, como se sabe, se transmuda numa lente de 56mm. E, para quem quiser ir buscar todo o pormenor de paisagens longínquas usando um tripé, a 2.8 tem uma outra vantagem: a abertura estreita até f/22, enquanto a 3.5 só vai até f/16.

De resto, não há grandes diferenças entre usar uma lente ou outra. Operam da mesma maneira (ressalvado os dois f/stop suplementares da 2.8), são exactamente do mesmo tamanho e pesam o mesmo – o que significa que são ambas incrivelmente compactas e leves, embora sem qualquer detrimento da qualidade de construção. Estas são lentes de metal e vidro, e não as porcarias de plástico que agora nos são impingidas pela indústria fotográfica.

M. V. M.

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