Estatísticas

wordpress-stats-chart-uniques-croppedHá um texto que aparece todos os dias nas estatísticas do Número f/, um que escrevi há quase três anos, quando o Número f/ era ainda o ISO 100, sobre a distância focal equivalente. Há muitos dias em que este é o texto mais lido. Noto, ainda, que a maioria dos seus leitores parece ser oriunda do Brasil.

Não sei muito bem o que pensar destes números. Uma parte de mim – a parte Eddie Anderson, para quem viu O Compromisso, fabuloso filme de Elia Kazan com Kirk Douglas, Deborah Kerr e Faye Dunaway – fica contente por ter um elevado número de visitas; o meu lado Evangelos Arness, porém, sente-se sombrio e triste por ver que o texto mais visitado nos últimos tempos versa uma questão meramente técnica que nada tem que ver com a essência e o espírito da fotografia artística. Apesar do sucesso deste texto, porém, a verdade é que ainda lhe faltam umas centenas de visitas para igualar os textos sobre questões legais da fotografia ou o que escrevi sobre o meu fotógrafo português favorito, Daniel Blaufuks (embora a estatística deste texto tenha sido viciado pela pequena batota de ter sido partilhado pelo próprio na sua página do Facebook).

Curiosamente, a maioria dos leitores destes últimos textos é constituída por visitantes portugueses. Deverei, pois, concluir que os meus compatriotas se preocupam mais com as questões que transbordam o âmbito especificamente técnico da fotografia, sendo este último da preferência dos leitores brasileiros?

É difícil fazer generalizações desta natureza. O sistema jurídico português é diferente do brasileiro (embora os princípios gerais possam ser idênticos), pelo que é natural que os textos de direito não sejam consultados por cidadãos brasileiros; as questões técnicas, essas, são mais ou menos universais, pelo que não surpreende que o Número f/ surja nos motores de busca quando se procuram certos termos de natureza técnica em português. (A culpa é minha: devia ter-me esforçado por escrever um blogue cheio de questões artísticas e disserções inteligentíssimas, em vez de sujar as mãos com questões da técnica…) Também não posso dizer que os portugueses só lêem os textos sobre fotografia artística, porque o texto sobre a Leica T fez um enorme furor entre os meus patrícios. (Prova de que também gostam de equipamento.)

Já que menciono a Leica T: sabendo-se que fui um pouco azedo no texto que escrevi sobre esta câmara, e tendo em atenção que, quando se escreve na Internet, uma crítica pode ser tomada por uma manifestação de ódio e furor assassino, devo dizer que a Leica merece o meu maior respeito. Por diversas razões (não necessariamente por esta ordem): a) fabricam material em Portugal; b) as suas lentes são as mais nítidas que existem; c) as câmaras da série M são de uma qualidade imaculada; d) foi a marca que inventou o formato 35mm; e) o sonho de qualquer fotógrafo que se preze é ter um Leica. Simplesmente, as Leica sofrem do mesmo problema dos Maybach: os seus preços elevados tornam-nas alvo da cobiça dos novos-ricos e fazem com que sejam bens de Veblen: quanto mais caros, mais procura têm. E, como os patos-bravos não percebem nada a não ser que aquele círculo vermelho lhes vai permitir armarem-se ao pingarelho por terem uma Leica, esta marca pega em compactas da Panasonic e cola um círculo vermelho a dizer “Leica” no painel frontal; depois vende-as cinco vezes mais caras. Qualquer pessoa inteligente compraria a Panasonic, mas o novo-rico compra a Leica por ser uma Leica. Infelizmente, isto estende-se às M, cujas edições especiais Titanium e Hermès acabam por ser compradas por milionários que, provavelmente, não saberiam distinguir uma boa fotografia se esta lhes mordesse nas canelas.

Estou a tergiversar. Isto era sobre estatísticas. Não, não há muitas conclusões peremptórias que possam ser extraídas da sua análise. O que me resta é a satisfação de saber que, independentemente de o leitor querer informação técnica, de pretender saber o que pode ou não fazer quando fotografa ou de simplesmente ter um interesse tenaz pela fotografia artística, o Número f/ é lido por um público extremamente heterogéneo nas suas preferências. Ainda bem. Assim vale a pena manter um blogue de fotografia!

M. V. M.

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