A fotografia que mudou as minhas prioridades

Img - 017Quem leu o meu texto de anteontem terá, possivelmente, ficado com a impressão de que estou descontente com uma das minhas lentes OM. Estou. A despeito das dezenas de textos apologéticos e encomiásticos que escrevi aqui sobre a lente 28mm-f/3.5, se pudesse substituí-la hoje mesmo, fá-lo-ia sem pestanejar – sem um segundo de arrependimento nem nostalgias. Porque preciso de uma lente melhor, sem dúvida; mas também porque não quero ter a recordação de um péssimo negócio sempre que precisar de montar uma lente com distância focal de grande-angular.

De todas as aberrações possíveis em fotografia, a que considero mais odiosa é a distorção de barril. Abomino ver fotografias com as linhas direitas curvadas por deficiência da lente. Sei que quase todas as grandes-angulares produzem este tipo de distorção, mas esta lente 28mm-f/3.5 lembra-me a minha Canon compacta. A distorção pode ultrapassar os 5%, a avaliar pelas ferramentas de correcção do Photoshop CS e do DxO Pro 8. Inaceitável.

Ver a fotografia que está no topo, cuja chegada via Dropbox coincidiu, mais dia ou menos dia, com a descoberta das famosas letras V. S. O. E. (ver o texto de anteontem), fez-me reconsiderar as minhas prioridades no que respeita a equipamento fotográfico. Eu queria, como muitos leitores sabem, comprar uma câmara de médio formato, tudo se encaminhando para que fosse uma Yashicamat 124 G, mas ver isto fez com que se tornasse urgente adquirir uma grande-angular melhor do que esta 28mm-f/3.5 que tenho agora. Hélas, as notícias não são muito boas para quem está amarrado a uma marca como eu. A melhor lente de distância focal de 28mm é uma Nikon, que não pode, evidentemente, ser montada na Olympus OM-2n.

A Olympus fez três modelos de lente 28mm, que se distinguem pelo valor de abertura máxima. Além da minha f/3.5, existem a f/2.8 e a f/2. Destas duas últimas, só vale a pena considerar a f/2 – que é, como seria de prever, a mais cara: não se consegue encontrar nenhuma em bom estado por menos de €300. É muito dinheiro, mas estou certo que é uma lente imensamente satisfatória. A f/2.8 faria pouca diferença em relação à f/3.5, embora exista uma distinção importante entre ambas: com a f/2.8 poderia usar a abertura f/4. Na minha lente f/3.5, o f-stop imediatamente a seguir à abertura máxima é f/5.6, o que a faz perder um pouco de versatilidade. Seja como for, não é uma diferença suficientemente significativa para justificar a sua aquisição. Nem de resto resolveria os meus problemas, já que a 28mm-f/2.8 apresenta sensivelmente os mesmos problemas de distorção e aberrações cromáticas que a f/3.5.

Deste modo, se quiser mudar, terá de ser mesmo para a OM f/2, o que não me deixa muito seguro. Será melhor, mas pelo que vi na Internet os problemas de distorção são comuns a praticamente todas as lentes desta distãncia focal. O problema é que preciso mesmo dos 28mm: não há nenhuma distância focal melhor para interiores (e eu gosto de fotografar interiores). É a distância focal para grande-angular mais equilibrada: se for mais curta, a perspectiva torna-se exagerada; mais longa, e torna-se difícil incluir tudo o que quero no enquadramento.

É tão importante ter uma boa lente grande-angular que a ideia de comprar a TLR foi remetida para o domínio das fantasias. O que preciso, neste momento, é de optimizar o equipamento que tenho, e não de equipamento alternativo. De prefência, que esse equipamento optimizado não produza aberrações como as que se vêem na fotografia que acompanha o texto…

M. V. M.

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