Quem me avisa…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando se é novo numa determinada actividade, cometem-se erros com facilidade. Quando se tem, por princípio, uma atitude de confiança nas pessoas, têm-se frequentemente desilusões. Se somarmos estes dois factores e errarmos a nossa avaliação sobre qualidades pessoais, os erros tornam-se particularmente frustrantes e, por vezes, revoltantes. Podemos até, com a nossa inexperiência, acabar por ser ludibriados. A história que vos vou contar é a de um ludíbrio. Faço-o para que nenhum leitor caia no mesmo erro que eu.

Em Agosto de 2011, ao aperceber-me da escassez de boas lentes para o formato micro 4/3 e do preço escandaloso que as poucas lentes de qualidade atingiam – tinha em mente, em particular, a Panasonic/Leica 25mm-f/1.4 –, resolvi que a única possibilidade de adquirir boas lentes por preços aceitáveis era adquirir objectivas Olympus OM de focagem manual e montá-las na minha E-P1 através do adaptador MF-2. Procurei estas lentes na única loja de material fotográfico usado que conhecia, que era a Photomaton, na Rua de Sá da Bandeira, no edifício do mercado do Bolhão. Procurava então uma OM de 24mm, que, montada na E-P1, se portaria como uma lente standard de 48mm.

Nessa loja, que não tinha nenhuma 24mm, foram-me mostradas duas lentes cuja distância focal de 28mm era um pouco maior do que a que pretendia. Em lugar de esperar um pouco mais, precipitei-me a comprar uma destas duas alternativas. A escolha foi, como muitos leitores sabem, a OM 28mm-f/3.5, que escolhi em detrimento da lente 28mm-f/2.8; preferi a primeira por não querer arriscar demasiado no caso de a experiência se ter mostrado insatisfatória, já que a f/2.8, que custava €190, era 70 euros mais cara que a objectiva mais lenta.

Foi um acumular de asneiras do qual estou hoje arrependido. A 28mm-f/3.5 mereceu-me muitos elogios neste blogue, mas a maioria deles foi proferida sem a ter verdadeiramente posto à prova na Olympus OM-2, câmara para a qual esta objectiva foi concebida. É certo que, montada na E-P1, esta lente deu-me resultados brilhantes, mas isto deveu-se a dois factores: o primeiro foi o facto de ser uma lente muito superior às M.Zuiko digitais que vinha usando, mas essa superioridade advinha-lhe, não das suas qualidades intrínsecas, mas da falta de qualidade das outras lentes. Por outro lado, a sua montagem na E-P1 disfarçava o principal problema desta lente, que é os níveis prodigiosos de distorção geométrica (dita de barril). Este problema não é aparente numa câmara de crop factor como a E-P1, mas a sua dimensão real é bem visível em fotografias feitas com a lente montada na câmara para a qual foi concebida. Se tivesse experimentado esta lente numa OM, tê-la-ia recusado e vituperado com a maior veemência possível.

Contudo, esta lente não nasceu para ser mais que uma alternativa barata às versões f/2.0 e f/2.8 e, de resto, cumpre a sua função de grande-angular com alguma competência (desde que não haja uma quantidade importante de linhas direitas no enquadramento); o que mais me frustrou com esta lente foi uma descoberta muito recente: no cano da lente, numa parte que normalmente fica escondida pelo anel de focagem e só se vê quando se foca a curta distância, há um pequeno autocolante com as letras V. S. O. E. inscritas a prateado sobre fundo preto. Depois de uma breve pesquisa, descobri que aquelas letras são as inicial de Voll Service Olympus Europe (“serviço completo da Olympus Europa”). Ou seja: esta lente foi reparada. Por este facto deveria ter custado, no máximo, metade do que paguei por ela. O que quer dizer que fui ludibriado. Ainda não decidi que atitude tomarei quanto a isto; a única coisa que me ocorre, para já, é avisar os leitores para não cometerem o mesmo erro que eu. Abstive-me de informar-me convenientemente por confiar numa pessoa que, por ter uma loja de material fotográfico usado e ter experiência neste tipo de equipamento, me pareceu digna de crédito. Enganei-me: não se pode confiar da maneira como o fiz. Claro que, nessa altura, tinha começado a fotografar com equipamento decente há menos de quatro meses, pelo que ainda não havia acumulado os conhecimentos que tenho hoje (que ainda são escassos), mas fui leviano e precipitado, o que me tornou num alvo fácil para alguém que, de resto, até goza, conforme confirmei com algumas pessoas conhecedoras do meio, de má reputação.

Custa-me fazer esta admissão em público – alguns leitores poderão, chegados a este ponto, pensar que sou um otário – mas parece-me mais importante deixar esta advertência do que remeter-me a um orgulho pueril e manter-me em silêncio. Sinto que, se o fizesse, estaria a contribuir que outras pessoas fossem enganadas. E eu não quero que isso aconteça.

M. V. M.

Anúncios

5 thoughts on “Quem me avisa…”

  1. Olá. É curioso que sempre questionei, enquanto leitor pontual do blog, se existiria algum motivo, como o que menciona, para não fazer referencias quer a esta loja quer à colorfoto. Aparentemente quanto à primeira partilho experiências semelhantes ao nível de empatia. Já quanto à colorfoto só estranho pelo bom atendimento e boa referência que têm.
    Continue a partilhar as boas e más experiência. Eu cá agradeço.

  2. Não tenho qualquer reparo a fazer à Colorfoto! De resto, mencionei-a já por algumas ocasiões, a última das quais a propósito da exposição do Rui Palha. Curiosamente, enquanto só tinha material digital era atendido com alguma frieza (ou antes, como o cliente casual que era); depois de comprar um rolo naquela loja, os sorrisos redobraram!!! A razão por que não falo muito de lojas é por não querer parecer que estou a fazer publicidade, mas não posso evitar menções elogiosas a lojas como a Câmaras & Companhia – por motivos óbvios.

    1. Só conheci a colorfoto por via de rolos, talvez por isso…
      Mesmo assim é curioso que lhe ia dar conta da ideia que me foi passada pela assistência da olympus e acabei comentando outro assunto. Segundo estes as lentes são melhor afinadas e calibradas numa assistência do que quando saidas da fábrica. Talvez terá sido uma justificação para me sentir bem com o serviço que me iriam fazer o que é certo é que faz algum sentido. Uma vez dito isto enviei em garantia todas as minhas lentes à revisão até à exaustão!

      1. Nestas coisas do mercado costumo guiar-me pelas práticas anglo-saxónicas. Em países como os EUA e o Reino Unido usam o conceito de “refurbished” para definir um artigo que foi revisto pelo serviço oficial da marca. O que acontece, quando um produto “refurbished” é posto à venda, é ter um valor comercial bastante baixo. Não está em causa a qualidade do serviço, mas sim o facto de ter pago muito mais do que o valor normal.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s