Relatório de actividades, Parte 5

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Mais um texto da série «já chegaram», neste caso tendo por tema as digitalizações de um rolo Kodak Tri-X que dediquei quase integralmente à fotografia de ruínas. O que posso dizer sobre as trinta e seis fotografias que recebi hoje via Dropbox, depois de digitalizadas palo instimável R. S. D.?

Os meus sentimentos perante estas fotografias são ambíguos. Muitas delas estão bem amanhadas, se me permitem o plebeísmo, mas eu carrego comigo um ferrete de que nunca me livrarei: sou um perfeccionista. Sinto mais intensamente os fracassos do que os êxitos. Por muito satisfatório que seja algo que faça, encontro sempre um ou outro aspecto que podia ser melhorado. Curiosamente, gosto de ser assim. O facto de nunca me conformar com um determinado patamar de evolução significa que mantenho sempre uma apreciação crítica e que, mesmo que não consiga evoluir mais por esta ou aquela limitação, estou pelo menos consciente da necessidade de melhorar. Ser um perfeccionista tem os inconvenientes de nunca apreciar o que faço sem reservas e de, no essencial, estar à procura de algo que simplesmente não existe. Nada do que possa fazer é perfeito, porque sendo imperfeito sou incapaz de perfeição – mas pelo menos procuro fazer o melhor que sei e que posso.

Quanto às fotografias que me chegaram hoje, estas apresentam dois problemas. O primeiro é com a exposição. Isto é algo que já me aconteceu com o rolo anterior, mas quando fotografo com tempos de exposição muito longos as imagens surgem um pouco sobreexpostas. Não sei por que acontece isto, porque as indicações do fotómetro, quando fotografo com tempos de exposição curtos, são muito fiáveis; penso que tem a ver com um truque que Yoshihisa Maitani tirou da manga quando concebeu as OM, que é a medição da luz que incide sobre a película (medição OTF, ou Off The Film). Isto corrige-se ajustando a exposição ou o contraste na edição de imagem, mas vai contra o meu princípio de fazer bem à primeira.

O outro problema é o da geometria. Tal como previ no texto de ontem, a maior parte das imagens de edifícios altos apresentaram problemas de distorção, com as linhas verticais a convergir para o topo do enquadramento. Isto já não depende de ser cuidadoso: algumas das paredes que fotografei são tão altas que, por mais que levantasse a câmara, seria impossível evitar a formação destas diagonais. O problema não é tão sério quando uso a 50mm, mas a 28mm, com a sua propensão natural para criar diagonais, torna tudo mais grave. A edição de imagem – desta vez usei as ferramentas de correcção do Olympus Viewer 2, já que o DxO continua com a sua birrinha infantil de não abrir ficheiros digitalizados – resolve estes problemas, mas nem sempre de modo inteiramente satisfatório.

Esta questão aborrece-me de tal maneira que sou bem capaz de passar a abster-me de fotografar objectos altos se não puder colocar a câmara a uma altura que me dê linhas verticais direitas. Este é um problema que resulta, não da altura do objecto em si, mas da posição da câmara em relação a ele. Se a câmara não estiver perfeitamente perpendicular ao motivo, esta distorção vai sempre aparecer. Como procurei uma simetria e geometria absolutas em muitas das fotografias (penso que este rigor formal se adequa perfeitamente a espaços industriais), fiquei um pouco descontente com estes resultados.

Há uma outra questão que não é exactamente um problema, mas me leva a hesitar quanto à metodologia que tenho usado. Parece-me que estas fotografias perdem muito interesse por serem a preto-e-branco. Tomei a opção de não fotografar a cores por causa da matiz azul que invade as fotografias feitas à sombra, problema que a fotografia digital resolve com o equilíbrio dos brancos, mas não consigo deixar de pensar que muitas das fotografias que tenho feito ganhariam outro nível de expressão se fossem a cores. Claro que teria de usar rolos que retratassem cores neutras, já que a saturação viria completamente a despropósito nesta temática. Quem sabe não faço essa experiência da próxima vez que comprar um rolo.

Apesar de todas estas queixas, devo dizer que fiquei imensamente satisfeito por ter descoberto um tema completamente diferente daqueles que costumava fotografar. Como referi num texto anterior, não sei se este é o tipo de fotografia a que me quero dedicar até ao fim dos meus dias – mas é indubitável que estou a retirar grande satisfação deste modo de fotografar. Vamos ver até quando isto dura.

M. V. M.

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