Relatório de actividades, Parte 4: a técnica

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As fotografias de lugares mortos a que me tenho dedicado não põem problemas técnicos de monta. Não é particularmente difícil expor – pelo menos desde que se confie nas indicações do fotómetro, esse déspota malvado que passa o tempo a conspirar para arruinar as fotografias –, nem existem truques a que tenha de recorrer. É tão simples como armar o tripé, montar a câmara, accionar o temporizador e, no fim, avançar o rolo. Ressalvado o uso de tempos de exposição muito longos nas fotografias de interiores, estas fotografias têm pouco de difícil. Ou então sou eu que já sei muito.

Há uma excepção. Há sempre uma excepção. Neste caso é a dificuldade que sinto em obter perspectivas perfeitas quando procuro fazer composições geométricas. O tripé ajuda a resolver os problemas de perspectiva horizontal, mas quando se fotografa paredes com um pé-direito de oito metros ou mais tudo se torna mais difícil – especialmente se não tiver um ponto elevado de onde possa fotografar. A colocação da câmara em relação ao motivo torna-se crucial, mas em determinados casos pode ser impossível evitar a distorção.

Já aludi a estas questões da perspectiva aqui; tudo o que escrevi então é verdadeiro, mas no terreno as coisas não são tão simples. No caso das paredes altas, sendo impossível obter uma perspectiva ideal, o normal é que as linhas verticais convirjam para a parte superior do enquadramento, como se vê, embora de forma subtil, na imagem do topo. Isto pode ser evitado se a lente estiver alinhada, na vertical, com uma linha imaginária traçada a meio do motivo. Só assim se evita a distorção da perspectiva. Se a tal parede tiver oito metros de altura, será necessário que a câmara esteja sensivelmente a quatro metros de altura, o que, a menos que se tenha uma escada ou que seja possível aceder a uma plataforma com essa altura, resultará sempre numa imagem em que as linhas verticais direitas se convertem em diagonais. É certo que, com uma grande-angular, esta distorção pode ajudar a obter resultados extremamente interessantes, mas não quando se quer uma simetria absoluta. Neste caso, se for impossível subir a câmara até atingir metade do motivo que se quer fotografar, há duas soluções – mas nenhuma delas me serve.

A primeira solução é o uso de uma lente tilt and shift, mais propriamente denominada lente de controlo de perspectiva. Estas lentes podem ser inclinadas independentemente da câmara, rectificando a perspectiva, mas são caríssimas. No caso das lentes OM, uma lente shift como a da imagem ao lado – que só controla a perspectiva no plano horizontal (a menos que se fotografe com a câmara na vertical, claro) – pode ultrapassar €1400 no eBay. Não é uma opção.

A segunda solução tem o benefício da simplicidade, mas levanta algumas objecções. Esta distorção pode ser corrigida na edição de imagem. Não é uma solução ideal: a imagem pode ser endireitada, mas esta correcção implica a perda de partes da imagem. É evidente que este é um aspecto que pode ser minimizado se se enquadrar o motivo já contando com o corte que a imagem vai sofrer na edição, mas no geral o resultado é a imagem ser cortada nos lados e na parte inferior ou superior da imagem. O que pode excluir elementos que pretendíamos que figurassem no enquadramento. O outro inconveniente do recurso à edição de imagem é o facto de nem todos os programas abrirem digitalizações, como por qualquer motivo me acontece sempre que tento usar o DxO para editar negativos digitalizados.

Na impossibilidade de corrigir a perspectiva no terreno e com a câmara, não há nada melhor do que as ferramentas de correcção da geometria dos programas de edição de imagem. É uma pequena batota, quando comparada com os métodos mais naturais de controlar a perspectiva, mas se o que se procura é o rigor geométrico, esta pode ser a única solução possível para que as fotografias resultem como queremos. As ferramentas são, por regra, bastante fáceis de utilizar e os resultados são garantidos.

M. V. M.

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