Massimo Tamburini (1943-2014)

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Alguns poderão perguntar, depois de ler o título, quem era Massimo Tamburini. Uns poucos poderão também indagar qual a pertinência de Massimo Tamburini para a fotografia, tema que ocupa a larga maioria dos textos do Número f/. Vejamos então quem foi Massimo Tamburini, que faleceu do dia 5.

Tamburini foi um designer e industrial italiano. Foi ele quem, juntamente com dois outros sócios, criou a Bimota, que se dedica a transformar motas banais da Yamaha e Suzuki em esculturas com duas rodas. E foi também ele quem desenhou as Ducati 750 Paso e 916. Porém, a sua melhor criação foi uma das motas mais belas de sempre – a MV Agusta F4.

Não foi apenas como designer que Massimo Tamburini se tornou num dos nomes mais importantes do motociclismo: em 1971, desenhou um chassis revolucionário para a MV Agusta 750, que ele mesmo construiu, tendo continuado a conceber os chassis da Bimota até ao momento em que dispôs da sua participação naquela sociedade. Também é reconhecido pelo seu contributo para o desenvolvimento da suspensão traseira de amortecedor único, que hoje faz parte de todas as motas de alto desempenho.

Poderão alguns perguntar que tem Massimo Tamburini que ver com o tema do Número f/, i. e. com fotografia. A minha resposta é o mais ambígua que se pode imaginar: tudo… e nada. Não faço ideia se Massimo Tamburini era um apaixonado da fotografia, mas há algo que sei: uma das duas únicas motorizadas contemporâneas que me apeteceu fotografar até hoje foi uma MV Agusta F4, criação soberba de Massimo Tamburini. (A outra foi uma Ducati Monster.)

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Já escrevi aqui que a minha experiência com motorizadas é extremamente limitada; acrescento que, provavelmente, sentiria medo de guiar uma motorizada de potência elevada (embora admita que deve haver poucas coisas mais excitantes neste mundo). Prefiro a segurança de estar assente sobre quatro rodas e protegido por um chassis quando estou a conduzir. Contudo, os motociclos podem ser objectos belíssimos e absolutamente merecedores de serem fotografados. Quando tenho uma câmara comigo e vejo uma moto apelativa, dificilmente resisto a fotografá-la. Tendo a privilegiar as choppers pelas suas formas curvilíneas e pela profusão de cromados e, de um modo geral, prefiro as clássicas pela sua beleza.

Mas, quando há algumas semanas passei por uma MV Agusta F4, não resisti. Apercebi-me, depois de contemplá-la longamente, que estava prestes a fotografar a mota mais bonita do mundo. As minhas fotografias não lhe fazem justiça: esta motorizada concilia a beleza e a agressividade de uma forma única. As motas desportivas são, no geral, desenhadas em função do desempenho: podem ser espectaculares na sua agressividade, mas as únicas que merecem ser qualificadas como belas são algumas motas italianas. Dentre estas, a que paira acima de todas as outras é a MV Agusta F4. As fotografias que fiz desta mota podem não ser as minhas melhores, mas foram algumas das que me dram mais prazer porque estava a fotografar uma mota absolutamente excepcional. E esta mota foi desenhada por Massimo Tamburini. Quem desenha uma mota como estas merece ser reputado como um génio.

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Como vêem, Massimo Tamburini e a fotografia têm – pelo menos para mim – uma relação.

M. V. M.

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