O mistério das cores intrusivas

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Hoje de manhã, aproveitando uma avaria na internet que me deixou sem poder fazer o trabalho que tinha planeado, fui à Câmaras & Companhia levar o meu último rolo, o tal que tem temáticas completamente diferentes do que tenho feito até agora (estou com enormes expectativas, não apenas pelo aspecto temático e estético, mas também por querer saber se as técnicas que usei, recorrendo ao tripé e ao temporizador para fotografar com tempos de exposição reduzidos, produziram os resultados de que estou à espera). Pelo meio, mencionei o facto de as digitalizações conterem informação de cor e narrei a minha experiência com o Photoshop CS6 para converter as digitalizações dos rolos a preto-e-branco em escalas de cinzas.

Surpreendentemente, fiquei a saber que o scanner é configurado para digitalizar em escala de cinzas, o que foi confirmado por uma experiência com uma das minhas imagens guardadas no DropBox: depois de aberta uma das digitalizações no Photoshop, verificámos que o programa assumia a imagem como escala de cinzas. Pensando que talvez me tivesse equivocado, abri a imagem do topo, que foi feita com um rolo Agfa APX 100 e digitalizada pela Câmaras & Companhia, no Photoshop CS. Seleccionei as opções Image e, depois, Mode: o programa assumiu a imagem como RGB, i. e. como uma imagem a cores, e o histograma apresentava informação de cor, embora residual. Não interessa: residual ou não, o que tinha, neste último caso, era uma fotografia a cores e não um preto-e-branco puro.

O mistério adensou-se, mas penso ter encontrado a explicação: como nenhum dos meus programas de edição de imagem – o Olympus Viewer 2 e o DxO Optics Pro 8 – abre as digitalizações, presumivelmente por não reconhecerem o perfil ICC das imagens, via-me obrigado a tratá-las com o Windows Live Photo Gallery. Quando efectuava ajustamentos, por mínimos que fossem, a resolução das imagens passava de uma média de 3 MB para uma de 8 MB ou maior. Isto só pode significar uma coisa: os 5 megabytes que o WLPG adiciona contêm informação de cor. Não faço ideia como ou por que isto acontece, mas se os fotogramas são digitalizados como escalas de cinzas e o Photoshop, uma vez abertos os ficheiros directamente do DropBox, os assume como escalas de cinza, a única conclusão lógica é esta: o WLPG converte escalas de cinzas em RGB.

Mais tarde pude confirmar – não por ter ficado com dúvidas, mas para verificar se as conclusões eram consistentes e repetíveis – que os ficheiros produzidos pelo scanner são em escala de cinzas, e não em RGB. Abri uma digitalização (não editada) a partir do DropBox e o Photoshop assumiu-a como escala de cinzas, tal como aconteceu na experiência feita na Câmaras & Companhia. Deste modo, como o único passo que intermediou a digitalização e a abertura no Photoshop das imagens afectadas pela adição de cor foi a edição no WLPG, tornou-se forçoso concluir que este último adiciona informação de cor. Assim, é desaconselhável o uso do WLPG: este acrescenta mais resolução, mas é por adicionar informação inútil que só serve para roubar espaço aos discos.

No fundo isto não é muito importante, porque as diferenças entre as imagens transformadas em RGB pelo WLPG e as de escala de cinzas apresentam poucas diferenças no aspecto geral. As grandes diferenças verificam-se quando se elimina a informação de cor no Photoshop – e é certamente nesta fase que se perdem os 5 MB que o WLPG adicionou – e na deslocação subtil das curvas do histograma para a zona das sombras, o que só pode querer dizer que o WLPG também altera as definições de brilho. Isto só é importante se for intenção fazer impressões a partir dos ficheiros digitalizados, caso em que a impressão a jacto de tinta pode adicionar cor, ficando perdido por completo o propósito de obter uma impressão tão próxima quanto possível do preto-e-branco puro do ampliador. A verdade é que, no caso da impressão, a impressora vai assumir a imagem, não como um preto-e-branco, mas como uma fotografia a cores, gastando desnecessariamente os tinteiros de cor e eventualmente interferindo na qualidade final da impressão. Contudo, esta é uma questão meramente académica: para se ter um preto-e-branco puro em papel, a única metodologia válida é a ampliação do negativo em papel de substrato de sais de prata. Nada mais assegura a qualidade do preto-e-branco. De qualquer forma, fica aqui mais uma informação que pode (ou não) ser importante para algum leitor.

M. V. M.

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