Mais questões do preto-e-branco (2)

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Concluí o texto de ontem com a suspeita de que iria usar o Photoshop CS, o que, para quem leu tudo o que escrevi sobre este programa, pode parecer mais uma incoerência, ou a prova de que estou constantemente a enganar-me. Embora eu esteja longe de ser infalível e seja tão coerente ou incoerente como qualquer pessoa (excluindo toda a classe política e os adeptos da equipa de Fórmula 1 da Ferrari, evidentemente), as minhas opiniões sobre o uso abusivo deste programa mantêm-se na íntegra. Continuo a entender que este programa não deve ser usado para transformar a fotografia numa mentira, embora eu seja hoje bastante mais liberal quanto às transformações permitidas em fotografia. Se não se apresentar uma imagem manipulada no Photoshop CS como sendo uma amostra da realidade, tudo bem.

Dito isto, o que me levou a usar o Photoshop CS? Foi o facto de este ter uma ferramenta que não existe nos programas de edição de imagem especificamente concebidos para fotografia: a conversão da imagem numa escala de cinzentos. Considero esta uma etapa imprescindível se queremos obter um preto-e-branco de qualidade, e não uma imagem com cores desaturadas. Só com este instrumento é possível eliminar a informação de cor e dar à imagem o aspecto de uma fotografia registada num rolo de preto-e-branco puro.

Como vêem, estou a preconizar a utilização do programa mais manipulativo existente à face do planeta. Não para alterar a realidade que a câmara captou no momento do disparo, mas para aproximar tanto quanto possível a imagem do aspecto pretendido. Usei, deste modo, o Photoshop CS para restituir a verdade às imagens que processei e para me assegurar que estas correspondem, na medida do possível, ao verdadeiro preto-e-branco da fotografia, que é aquele que fica gravado no papel fotográfico depois de ampliar o negativo.

O resultado? Excelente! Claro que, se puser uma ampliação ao lado do ecrã do computador com a mesma fotografia tratada com o Photoshop CS, há diferenças – mas estas são induzidas pelo ecrã. O melhor que se pode fazer é calibrar correctamente o ecrã, porque há muitos erros de percepção causados por uma incorrecta calibragem. Por outro lado, como quem usa portáteis sabe muito bem, a imagem varia muito conforme a inclinação do ecrã. É extremamente difícil obter um ângulo correcto, i. e. que seja o ideal para visualizar as fotografias. São estas dificuldades, entre outras, que me levam a fazer uma afirmação que não é da concordância de todos: as impressões são o verdadeiro teste quanto à qualidade e características de uma fotografia.

Já que mencionei a impressão, o que é interessante no Photoshop CS é que se pode retirar (discard) toda a informação de cor da imagem. Isto é de uma utilidade imensa quando se pretende imprimir as fotografias, já que a impressão por jacto de tinta vai ler a informação de cor presente na imagem e adicioná-la, desvirtuando o preto-e-branco pretendido.

É extremamente fácil converter a imagem numa escala de cinzentos. Antes de começar, o leitor há-de reparar que, quando se abre uma imagem a preto-e-branco no Photoshop CS, quer seja uma digitalização de preto-e-branco ou um ficheiro digital convertido para preto-e-branco, desde que tratados com outro programa de edição de imagem, o histograma pode apresentar cores residuais. Para converter a imagem e eliminar a informação de cor, basta clicar em Image na barra do topo, depois Mode e escolher a opção Grayscale. De seguida, surge uma caixa na qual se pergunta se queremos eliminar a informação de cor. Clica-se no botão Discard e já está: um preto-e-branco puro. Ou, pelo menos, tão puro quanto é possível obter digitalmente. Há outros métodos, como usar a opção Lab Color ou escolher o melhor canal na opção Channels e convertê-lo usando de novo Image → Mode → Grayscale, mas o preconizado é o mais simples e eficaz.

Em princípio, isto será tudo quanto basta para obter um verdadeiro preto-e-branco. Em certos casos, porém – especialmente quando se pretende converter um ficheiro a cores –, pode acontecer que a imagem resultante seja falha em contraste. Abstraindo da possibilidade de esta percepção se dever à falta do hábito de ver o preto-e-branco puro, é sempre possível ajustar o contraste e o brilho até obter o tom pretendido. No caso das minhas digitalizações, tal não é necessário porque já tinha feito um bom trabalho com a exposição e a escolha do rolo – além, evidentemente, de ter sido utilizado um Epson V750 para digitalizar –, pelo que os retoques são desnecessários.

M. V. M.

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