As alegrias de não ser fotógrafo: o equipamento

reuterskit

Há dias publiquei uma entrada aqui no Número f/ intitulada As Alegrias de Não Ser Fotógrafo. Esse texto está manifestamente incompleto: as alegrias de não ser fotógrafo não acabam na liberdade na escolha de temas nem na de só fotografar se me apetecer. Há um outro aspecto em que ser um amador tem compensações sobre ser um profissional da fotografia ou um amador com grandes ambições. Esse aspecto é o equipamento.

Bem vêem: apenas utilizo uma câmara e três lentes para todas as fotografias que tenho vindo a fazer desde Dezembro. É tudo quanto me basta: tenho uma grande-angular, uma lente normal e uma teleobjectiva, as quais monto numa só câmara. (Na verdade tenho duas câmaras, mas uma passa todo o tempo a hibernar.) Se fosse um profissional ou um amador ambicioso, teria de ter três ou quatro corpos e um número praticamente infinito de lentes. Embora nunca tenha percebido por que as pessoas precisam de mais de dois corpos – digamos, uma Canon 5D e uma 1D, ou uma Nikon D700 e uma D4 –, aceito que um profissional precise de todo aquele equipamento. Apenas tenho dificuldade em compreender para quê. Muitos reduzem o número de lentes através do recurso a zooms de alta qualidade, mas mesmo assim o equipamento que têm, além de extremamente caro, é volumoso e pesado.

O peso é, evidentemente, uma consideração não despicienda. Mesmo com uma mochila, carregar muitos quilos de equipamento, arriscando a cifose, parece-me inconcebível; parece-me, sobretudo, desnecessário. Divirto-me mais com uma câmara e duas lentes do que carregando uma mochila às costas. E a mochila é mais benéfica do que qualquer outro tipo de saco! Ah!, ainda bem que não sou um pro, nem uma pessoa com pretensões a sê-lo.

E os rios de dinheiro que se gastam em equipamento? Os preços do equipamento digital profissional e semi-profissional são simplesmente escandalosos, sobretudo se pensarmos que os fabricantes de sensores ainda andam, ao fim de todos estes anos, a tentar perceber como é que os fabricantes de rolos faziam para ter mais gama dinâmica e precisão na descrição das cores. Isto quer dizer que se gastam fortunas a comprar equipamento imperfeito para fazer fotografias inferiores. Realmente, faz todo o sentido.

Outra das alegrias de não ser fotógrafo é não ser obrigado a usar câmaras feias. É verdade – este é um paroxismo de futilidade, mas as coisas são mesmo assim comigo. Por vezes gosto de contemplar longamente a minha OM. A forma do alojamento do pentaprisma (desde que se remova a sapata do flash, como eu fiz) é tão elegante, tão bem desenhada! Não consigo imaginar-me a olhar assim para uma Canon 6D ou para uma Nikon D800: são monstruosas. Agora que já visualizaram estas câmaras mentalmente, procurem imaginá-las com um flash: o resultado de tudo isto é um verdadeiro pesadelo: câmaras enormes, grotescas, pesadíssimas e caríssimas. Tudo isto poderia valer a pena, se a qualidade fosse fabulosa – mas não é. Fotografias com altas luzes estouradas, cores medíocres e uma apresentação que nada tem de natural: eis aquilo com que se fica depois de se ter carregado um peso com o potencial de causar hérnias e de se ter feito um empréstimo junto do banco pagando juros usurários. No thanks, Mr Jarvis.

Este Mr Jarvis é Chase Jarvis, um blogger conhecido pela sua profusão equipamental. O homem tem mais material fotográfico que cabelos – e ainda não está afectado pela alopecia. De modo que decidiu presentear os internautas de todo o planeta com um vídeo que é o equivalente fotográfico da pornografia. Uma verdadeira orgia de equipamento. Vejam isto e depois, se conseguirem, respondam à pergunta: para quê? E aquilo é o que ele considera essencial. O homem é doente da cabeça.

M. V. M.

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3 thoughts on “As alegrias de não ser fotógrafo: o equipamento”

  1. Essa foi boa: Doente da cabeça, kkkkkk!!

    Recentemente comprei um mini 4×4, mais ou menos conhecido em seu país. Um Suzuki Jimny.
    Porém, antes disso, comecei a pesquisar em alguns fóruns sobre este veículo e seu pontos negativos e positivos. Daí, encontrei um membro do fórum que tem um Jimny, assim como outro off road. Mas o que me chamou a atenção foram algumas de suas fotos. Estou passando para você o link dele: http://www.flickr.com/photos/cgauer/sets
    Acho que irá gostar de algumas destas fotos. Faça uma crítica também. São lugares interessantes aqui na América do Sul para visitar e fotografar.
    Um grande abraço!

    1. Olá Ricardo!
      Antes de mais: o Suzuki Jimny é um automóvel bastante popular em Portugal. Tanto este como o Vitara venderam sempre muito bem aqui.
      As fotografias do Clemente Gauer são de facto muito boas, mas penso que faria bem em circunscrever-se a menos temas. Assim evitaria estar a dispersar-se e poderia definir melhor a sua linguagem estética. Fora este aparte, gostei das fotografias em geral.
      Abraço!

      1. Olá Manuel, obrigado pelo feedback! Penso em equipar o meu novo carrinho e fazer umas viajens malucas assim, fotografando muito com minha querida OM-1, uma M5 e a Trip 35, que também considero muito boa. Quem sabe um dia vou a Portugal e trocamos uma prosa?
        No mais, um forte abraço!

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