Como eu edito as minhas digitalizações

Não gosto de editar as digitalizações dos negativos. Sou de opinião que isto, não sendo de forma alguma um sacrilégio, contraria a razão de ser de fotografar com rolos. Com efeito, gosto que os rolos me dêem exactamente o tipo de qualidade de imagem que quero; se isto não acontece, prefiro usar outro rolo. Contudo, há factores que me levam a recorrer à edição de imagem para tratar os ficheiros digitalizados.

v750m_fca-cnr-nn_690x460Os negativos que envio para revelação e digitalização são todos impecavelmente digitalizados num scanner Epson V750, que é o melhor entre os não-especializados. As imagens são convertidas em positivos e gravadas como ficheiros TIFF. Por alguma razão (que, para mim, apenas encontra explicação nos domínios do esoterismo), os ficheiros TIFF apenas têm cerca de 3 MB em média quando os recebo via Dropbox, mas, uma vez tratados no programa de edição, atingem entre 8 e 10 MB. Repito que não faço a menor ideia por que isto acontece – embora seja evidente que é acrescentada informação ao ficheiro –, mas sei que basta um pequeníssimo ajuste nos parâmetros da luminosidade (por exemplo, reduzindo muito ligeiramente as sombras ou as altas luzes) para que o ficheiro TIFF atinja estes últimos valores. Depois de descobrir este pequeno truque, passei a introduzir ajustamentos mínimos no programa de edição – mas sempre com o cuidado de manter a fotografia tão próxima do original quanto possível, pelo que as alterações são sempre insignificantes.

Um facto arreliante é que não consigo abrir ficheiros TIFF com o DxO Optics nem com o Olympus Viewer. No primeiro, aparece-me a mensagem internal error e, no segundo, onde devia aparecer a imagem surge um rectângulo completamente negro. Ainda mais intrigante é o facto de ter conseguido abrir ficheiros TIFF obtidos a partir de um rolo a cores Kodak Portra 160 que usei no Verão passado. Será um problema exclusivo do preto-e-branco? Será um daqueles achaques de que nunca ninguém morreu? Seja como for, isto obriga-me a fazer os ajustamentos no Windows Live Photo Gallery, o que, curiosamente, até não é mau de todo. Como as alterações são mínimas, o uso deste programa tão básico não é um problema; de resto, o WLPG tem duas características interessantes: o nivelamento da imagem é eficaz e a ferramenta de remoção de manchas funciona extremamente bem. Atenta a ligeireza das modificações que introduzo nas imagens, chego a não sentir necessidade de programas mais evoluídos. O único aspecto em que sinto a falta do DxO é na correcção geométrica, mas, de uma maneira tortuosa, isto acaba por ser um benefício porque me obriga a fotografar melhor, sendo mais criterioso com a posição da câmara.

Como não gosto de mostrar fotografias desniveladas (é pena que o ecrã de focagem da minha OM-2 não tenha linhas para ajudar a enquadrar os motivos), o WLPG acaba por ser útil, mas, ressalvado o incremento no tamanho, para pouco mais serve. Não faço muitos crops das digitalizações e, como penso já ter deixado suficientemente claro, os retoques são reduzidos ao mínimo: um tracinho a mais ou a menos nas sombras ou nas altas luzes, e está feito. É tudo o que faço no que respeita a edição de imagem, porque o meu interesse não é fazer fotografias que possa melhorar no computador, mas fazê-las bem à primeira. Neste aspecto, devo dizer que os rolos que me deixaram mais frustrado foram o Agfa APX 100 e o Ilford Pan F. Dei por mim a necessitar de fazer retoques de monta nas imagens feitas a partir destes rolos: o Ilford por causa da acentuação das sombras, que deixou algumas fotografias demasiado pesadas, e o Agfa por conta do escasso contraste que encontrei em várias imagens. Esta foi uma das razões por que fui crítico em relação a estes rolos: se preciso de usar tão intensamente a edição de imagem, é porque aqueles não dão às fotografias o aspecto que quero.

Claro que a minha vida seria mais simples se trabalhasse intensamente os ficheiros no computador: pouparia dinheiro, porque poderia comprar rolos baratuchos e depois, em casa, retocava as imagens até ficarem como eu queria; mas – não é isto que eu faço com a câmara digital? Neste caso, que sentido faria usar a OM?

M. V. M.

ADENDA: embora estes textos do Número f/ sejam evolutivos, na acepção de que novas experiências e aprendizagens levam-me a usar processos diferentes dos que descrevi nos textos mais antigos (o que torna estes últimos desactualizados e, por vezes, contraditórios), há muitos leitores que vêm ter a este blogue através dos motores de pesquisa, que os direccionam para textos que, entretanto, perderam actualidade.

No caso da edição das digitalizações, há um passo importante que descobri e uso por rotina do qual importa dar conhecimento ao leitor que consulte este texto isoladamente. A edição com o WLPG adiciona informação porque acrescenta uma transparência quando a imagem é retocada. Também converte os ficheiros digitalizados, que são em escalas de cinza quando saem do scanner, em RGB. Descobri que posso devolver-lhes a natureza de pretos-e-brancos puros com o Photoshop CS. O processo está descrito aqui. É altamente aconselhável fazer esta conversão, uma vez que toda e qualquer informação de cor que tenha sido adicionada vai ser removida, com a consequência de o ficheiro ocupar menos espaço em disco. M. V. M.

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