Recapitulando: os rolos que já usei

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe escrevo muitas vezes sobre rolos de negativos, esses artefactos que muitos, com algum acerto, podem considerar arcaicos, é por três razões. A primeira é porque os uso; a segunda é por querer transmitir ao leitor um pouco do entusiasmo que sinto por usá-los. Finalmente, porque sei que, entre os meus leitores mais regulares, há alguns que se interessam por uma forma de fotografar que alguns entendem ter sido ultrapassada pela marcha inexorável do progresso tecnológico. O texto de hoje é para estes leitores, em particular para os que, por lhes faltar o tempo ou a paciência para ler s meus textos regularmente, não quiseram ou puderam ler tudo o que publiquei aqui sobre os rolos que usei. (E também para leitores casuais em busca de informação, que são em grande número.)

Deste modo, resolvi fazer uma pequena súmula, com apreciações tão sintéticas quanto possível, sobre os rolos que usei até hoje. Faço-o numa altura em que estou a fazer uma nova experiência com um outro rolo, sobre o qual não me devo pronunciar antes de ver os resultados. A apreciação que aqui fica pode ser desenvolvida se fizerem uma pesquisa das etiquetas que aparecem numa caixa, do lado direito da página.

Os rolos a cores que usei até hoje foram apenas dois, mas há, pelo menos, um outro que quero experimentar: o Kodak Ektar 100. O primeiro rolo a cores que usei é o único que não posso, de modo nenhum, recomendar – a menos que o leitor queira gastar o mínimo possível com rolos, o que pode ser uma opção sensata nos dias que correm.

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Fujifilm Superia 200: é o pior rolo que usei. Todos os que experimentei têm algo que se recomende, mas este só me merece um conselho: evitem-no! (A menos, como referi, que não queiram gastar muito dinheiro em rolos, caso em que este pode ter alguma utilidade.) O que o Fuji tem de bom é a maneira como descreve os verdes. São famosos, os verdes da Fuji. Mas este rolo introduz uma matriz ciano que prejudica os azuis, tornando os céus e os mares em algo parecido com o fundo de uma piscina, e destrói a vibração dos vermelhos, que se tornam carregados e mortiços. Se este é um compromisso aceitável em face do seu baixo preço – €3,50 – é algo que compete ao leitor julgar.

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Kodak Portra 160: é curioso que os dois rolos a cores que usei até agora sejam também o mais barato e o mais caro de todos. O Portra 160 é um rolo extremamente caro (€7,00), e é mesmo o mais caro de todos os que já usei, sejam eles a cores ou a preto-e-branco, mas é muito bom: as cores são neutras e precisas, sem qualquer exagero na saturação e na vibração. Se as cores da cena que se escolheu forem saturadas e vibrantes, o Portra 160 descrevê-las-á tal como elas são. É também um rolo de uma nitidez que, não sendo excepcional, é contudo extremamente agradável. O Kodak Portra 160 é exactamente aquilo por que é anunciado: um rolo de qualidade profissional. Excelente.

A minha experiência com negativos para preto-e-branco é consideravelmente maior: já experimentei seis deles. Ou melhor: já experimentei cinco e estou correntemente a usar um outro, sobre o qual apenas posso escrever sobre as suas exigências técnicas (o que ficará para amanhã). Este número tão desproporcionado é o resultado, como sabem, de uma opção estética que tomei: fotografo quase exclusivamente a preto-e-branco, tal como o fazia já antes de ter a OM-2.

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Agfa APX 100: o primeiro adjectivo que me ocorre, para descrever este rolo, é honesto. O APX faz o que é de esperar de um rolo que é o mais barato (€4,50)* de todos os negativos para preto-e-branco que experimentei. Não é um rolo capaz de prover resultados homogéneos, mas, quando acerta, acerta em cheio: o contraste é muito bom, assim como a resolução. Tem uma particularidade curiosa: de todos os rolos que experimentei, este é o mais fácil de carregar e o que desliza na câmara com mais facilidade quando se avança. A qualidade da imagem é boa, mas beneficia de alguma subexposição para se obter os melhores resultados.

Ilford FP4 Plus 125: é o meu rolo, o meu sweet spot, o rolo que melhor complementa a minha câmara, as minhas lentes e a minha maneira de fotografar. Precisa de algum cuidado para que as altas luzes não apareçam estouradas, mas quanto à resolução, ao contraste e à nitidez, é simplesmente o melhor rolo para preto-e-branco que existe à superfície do planeta. Pena ser tão caro (€6,50) mas, quanto a mim, merece cada cêntimo que se gasta com ele.

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Ilford HP5 Plus 400 (€5,80): um rolo ASA 400 com muito mais contraste do que se poderia esperar de uma velocidade tão elevada e uma resolução que tem qualquer coisa de sensacional. Tem uma característica que, quanto a mim, é absolutamente impeditiva: o grão. Este é grosseiro, além de abundante. Resulta muito bem numas fotografias – é o rolo perfeito para silhuetas –, mas noutras é desastroso. Não posso dizer que é um mau rolo, mas não me serve. Mesmo em fotografia de interiores, o grão é intolerável. Pode ser o ideal para quem gostar de usar o grão como um elemento estético, o que não é o meu caso.

Ilford Pan F Plus 50: é o rolo que estou a usar de momento. Mais tarde – daqui a duas ou três semanas – escreverei um longo e fastidioso artigo sobre o rolo mais lento que já usei.

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Kodak T-Max 100: o único rolo de grão tabular que usei é também aquele ao qual dei mais oportunidades. Precisei de três rolos (€5,50 cada) para concluir que não é com ele que quero fotografar para o resto da minha vida. É bom, mas deixa muito a desejar quanto ao contraste e é um rolo que favorece mais a descrição factual do que a expressão. Entre este e o Agfa APX 100, prefiro o Agfa. Há qualquer coisa no T-Max que leva a que seja singularmente desinteressante.

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Kodak Tri-X 400 (€5,50): Não é tão bom como o outro rolo de alta velocidade que experimentei em nitidez nem em contraste, o qual não é nada de espectacular, mas o facto de o grão ser bem mais discreto que o do Ilford HP5, conjuntamente com uma boa descrição dos médios tons, faz deste um rolo extremamente versátil e capaz que conto voltar a usar sempre que me apetecer fotografar com rolos de velocidade alta. Um rolo lendário que merece por inteiro a boa reputação de que goza.

N. b.: os preços indicados são para rolos de negativos 135 (35mm) com 36 fotogramas.

M. V. M.

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