Interessante

Staring at the sea 1 (2)

Os utilizadores do Flickr sabem-no tão bem como eu: este website tem uma secção onde são seleccionadas as fotografias mais popular (em inglês, daí o itálico). O Flickr mostra as fotografias mais popular (entre quem?) de cada utilizador e organiza-as hierarquicamente segundo vários critérios: por interesse (interestingness), por número de visualizações, pelo número de vezes que cada fotografia foi considerada favorita pelos visitantes e pelo número de comentários.

Devo dizer que, quanto ao interesse, não faço ideia quais são os critérios empregues. Não levo estas hierarquias demasiado a sério porque, a menos que me digam que é uma equipa de especialistas em fotografia que trabalha todos os dias a analisar os triliões de fotografias que são publicadas no Flickr todos os dias, os critérios que determinam estas escolhas são provavelmente aleatórios ou arbitrários ou, pelo menos, subjectivos. Não sei, não faço ideia. Para mim será sempre um mistério.

O que sei é que as fotografias popular não são necessariamente as mais vistas, nem as que têm mais gente a escolhê-las como favoritas. O que significa, provavelmente, que o Flickr tem mesmo uma equipa que escolhe as fotografias mais interessantes. Deve ser um trabalho duro ver tantas fotografias todos os dias; espero que os membros dessa equipa aufiram uma remuneração condigna. (Hmm… para onde é que se manda o CV?)

Uma coisa é certa: a minha lista das fotografias mais popular esteve estacionária até meados do ano passado. Até então, a n.º 1 foi, quase o tempo todo, uma fotografia que fiz na Estação de S. Bento em Maio ou Junho de 2011. Depois veio, no Verão do ano passado, uma fase em que me dediquei a fazer fotografias do centro histórico do Porto – saltos da Ponte Luiz I incluídos –, e a lista começou finalmente a mexer. As primeiras posições começaram a variar e as fotografias mais antigas foram descendo na hierarquia, substituídas progressivamente pelas mais recentes.

Depois vieram as digitalizações dos rolos. Depois de vencida a minha resistência inicial em digitalizar, comecei a publicar fotografias feitas a partir de rolos no Flickr. Isto repercutiu-se na lista das fotografias populares, já que as digitalizações foram gradualmente substituindo as fotografias digitais na classificação. Hoje verifico que, entre as vinte primeiras – as vinte mais popular –, há apenas uma fotografia feita com a E-P1. E aparece apenas no 13.º lugar.

Mais curioso ainda é que estas dezanove fotografias foram todas feitas com rolos Ilford – fosse o FP4 ou o HP5. Apenas a 5.ª e a 7.ª foram feitas com o HP5, todas as demais (com a excepção já conhecida da 13.ª) foram feitas com o FP4. Independentemente do valor relativo que a escolha que alguém fez das minhas fotografias mais interessantes, o certo é que isto há-de significar qualquer coisa – quanto mais não seja que os tipos do Flickr consideram que as fotografias que faço com o FP4 são interessantes.

Deixem-me assumir, nem que seja por um exercício de imaginação, que as pessoas que fazem esse trabalho fastidioso de seleccionar os muitos milhões de fotografias que todos os dias são publicadas no Flickr usam critérios sólidos para fazer as suas escolhas. Neste caso, poderei concluir que a minha maneira de fotografar se tornou mais interessante desde que comecei a usar a OM-2. Mas também posso deduzir que o Ilford FP4 se tornou num auxiliar excelente da minha fotografia. O que, a despeito de este ser o rolo que, por larga margem, mais utilizo (o que não deixará de ter influência na classificação), significará que encontrei, sem grande esforço, o rolo que melhor me permite exprimir-me. Gosto de fotografias com muito contraste, e o FP4 auxilia-me a obter contraste; gosto de fotografias com muito microcontraste, e o FP4 corresponde a esta exigência. Diria, pois, que o Ilford FP4 me serve como uma luva. Talvez seja uma perda de tempo fazer as experiências com o Agfa APX e o Fomapan. (Mas vou fazê-las na mesma – pelo menos com o Agfa.)

Também poderia concluir, se for confirmada a hipótese formulada quanto aos méritos da equipa do Flickr, que as minhas fotografias, independentemente do rolo usado, estão mais interessantes. Este seria o resultado de uma maneira de fotografar imposta pela fotografia convencional: sou hoje mais cuidadoso, na consciência de que cada fotografia sai cara e que não posso dar-me ao luxo de desperdiçar fotogramas. Sou hoje muito mais selectivo na escolha de temas e motivos fotográficos, o que parece estar a dar frutos. (Pelo menos para a equipa do Flickr: penso que deixei bem frisado que esta coisa das classificações pode ter um valor relativo. Pode até não ter significado nenhum, mas lá que é agradável, é…)

M. V. M.

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