O que é um ecrã de focagem?

2013_10_29_2991Alguma vez se interrogaram por que são as fotografias feitas pelo M. V. M. com a OM-2 tão nítidas, tão absolutamente sharp? Se sim, é possível que se tenham debatido com alguma surpresa, já que focar manualmente, além de ser uma coisa do passado – mais ou menos situada no plistocénico –, é também incrivelmente difícil e trabalhoso, porque rodar um anel numa lente para outra coisa que não seja fazer zoom é demasiado esforço para os tempos que correm.

Como é, então, sequer possível que as imagens feitas com estas câmaras estejam em foco – quanto mais com níveis de nitidez tão elevados? A resposta é simples: a OM-2n tem um ecrã de focagem incrivelmente eficaz. Tanto que, até hoje, depois de ter exposto catorze rolos (ou cerca de quinhentos fotogramas), apenas falhei uma vez a focagem. Mas, antes do mais, vamos ver o que é isso do ecrã de focagem.

Desde sempre que os fabricantes de equipamento fotográfico procuraram tornar a focagem fácil e a nitidez acessível a todos. Porque nem todos os adquirentes de câmaras eram fotógrafos experientes e a dificuldade em focar devidamente era um obstáculo potencial à venda de câmaras, mas também porque certos trabalhos fotográficos exigiam um rigor extremo na nitidez da imagem. Na sua busca de soluções para facilitar a focagem e corresponder aos diversos tipos de aplicações possíveis, os fabricantes de câmaras SLR começaram por tornar os pentaprismas intermutáveis: o fotógrafo podia optar por um pentaprisma normal, um para usar com teleobjectivas ou outro para astrofotografia, etc. O pentaprisma intermutável foi uma inovação introduzida pela Nikon com a série F. Evidentemente, esta solução era demasiado complicada e nada prática para o comum adquirente de câmaras fotográficas.

Como as pessoas inteligentes são as que resolvem os problemas difíceis pelos meios mais simples, Yoshihisa Maitani, a mente brilhantíssima que concebeu o sistema OM da Olympus, implementou um pentaprisma fixo e ecrãs de focagem intermutáveis nas câmaras OM. Deve dizer-se que esta opção foi largamente imposta pelos constrangimentos físicos das OM, que eram as SLR mais pequenas do seu tempo, cujas dimensões tornavam a mudança de prismas extremamente difícil. Seja como for, os ecrãs de focagem (existem catorze para o sistema OM) adaptam-se às diversas necessidades fotográficas sem obrigar a mudar de pentaprisma – opreração que devia ser incrivelmente fastidiosa, pelo menos para pessoas como eu que não têm essa experiência.

É este o aspecto do ecrã de focagem n.º 1 da Olympus (imagem Ben Hollingsworth/prairierimimages.com
É este o aspecto do ecrã de focagem n.º 1 da Olympus (imagem Ben Hollingsworth/prairierimimages.com)

O ecrã de focagem é o instrumento óptico que está no primeiro lugar na cadeia de transmissão da luz reflectida pelo espelho, o que significa que condiciona a imagem que vai surgir no visor; é, deste modo, o lugar preferencial para implementar auxílios à focagem. Este dispositivo é um pequeno rectângulo feito a partir de um polímero translúcido, cuja área corresponde à da base do pentaprisma e é colocado imediatamente abaixo deste último. É plano – as suas dimensões lembram vagamente as de um slide – e é formado por duas zonas: uma translúcida e, no centro do ecrã, uma outra, de forma circular, composta por um anel de microprismas que circunda um círculo dividido em duas partes (esta é a configuração típica de um ecrã de focagem universal, como o Olympus n.º 1 que uso, mas há outras).

Como funciona um ecrã de focagem? O anel de microprismas apresenta a imagem fragmentada, tornando perceptível a obtenção da focagem quando a imagem surge nítida na sua área. O círculo no centro do ecrã, por seu turno, é dividido na horizontal em dois semicírculos e divide as linhas existentes no enquadramento em duas partes; quando ambas as partes estão devidamente alinhadas, a imagem está focada. Simples, eficaz e genial: pode parecer uma tecnologia rudimentar, mas um bom ecrã de focagem é de tal maneira preciso que falhar uma focagem é mais difícil do que obter imagens perfeitamente nítidas.

Os ecrãs de focagem apresentam apenas dois inconvenientes: o primeiro é que a interposição de uma placa de material translúcido diminui a claridade da imagem mostrada no visor. O segundo é o facto de o utilizador poder tender a centrar os motivos, por o sistema de confirmação da focagem se situar a meio do ecrã. Quanto à primeira desvantagem, a perda de luz não é drástica: a imagem obtida no visor mantém-se suficientemente clara – muito mais do que numa DSLR contemporânea de baixo preço. A questão de centrar o motivo ultrapassa-se facilmente porque é possível, com um pouco de experiência, observar o ganho de nitidez na área translúcida (baça) à volta do centro do ecrã.

O ecrã de focagem requer dois cuidados importantes: quando se manuseia, seja para retirá-lo ou montá-lo, deve evitar-se tocá-lo com os dedos. Na falta de um instrumento próprio para proceder à sua remoção ou montagem, devem usar-se aquelas luvas brancas que são fabricadas, por exemplo, pela Hama. O outro cuidado é mantê-lo limpo: a menos que existam impressões digitais ou outras manchas resistentes – caso em que a limpeza deve ser confiada a um especialista –, basta o uso de um soprador para mantê-lo limpo, de maneira a que a imagem que chega ao visor seja limpa e inadulterada.

M. V. M.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s